Barueri tem 7,16% da cobertura original do bioma e Parnaíba, 23,11%
(Imagem: Felipe Barros)
A perda de vegetação nativa registrada no Brasil nas últimas quatro décadas coloca em evidência o desafio de preservar os remanescentes de Mata Atlântica em regiões de forte expansão urbana. Segundo levantamento do MapBiomas, o país perdeu 14% de sua vegetação nativa entre 1985 e 2025.
Em Barueri e Santana de Parnaíba, dados mais recentes da plataforma “Aqui Tem Mata?”, da Fundação SOS Mata Atlântica, mostram que os dois municípios ainda conservam áreas do bioma.
Em Barueri, foram registrados 470 hectares de Mata Atlântica em 2025, o equivalente a 7,16% da cobertura original do bioma no município, segundo o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, produzido pela SOS Mata Atlântica em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Ainda de acordo com a plataforma, isso equivale a 611 vezes o tamanho de um campo de futebol.
O levantamento considera como “Mata” os remanescentes florestais bem conservados com mais de três hectares. Pela metodologia do MapBiomas, que adota um conceito mais abrangente de floresta e considera áreas com mais de um hectare e diferentes estágios de regeneração, Barueri possui 871 hectares de floresta.
Santana de Parnaíba
Em Santana de Parnaíba, a área remanescente de Mata Atlântica é significativamente maior. O município tinha 4.159 hectares do bioma em 2025, correspondentes a 23,11% da cobertura original existente no território. Segundo a entidade, essa área seria equivalente a mais 5 mil vezes o tamanho de um campo de futebol. Pelo mesmo levantamento da SOS Mata Atlântica e do INPE, Santana possui uma área de mata quase nove vezes maior que a de Barueri.
Já na classificação mais abrangente do MapBiomas, o município soma 7.142 hectares de floresta. A diferença entre os números das duas metodologias não representa uma divergência nos dados, mas decorre dos critérios utilizados para classificar a vegetação.
Cenário nacional
Os números locais ganham dimensão diante do cenário brasileiro. Entre 1985 e 2025, o país passou de 79% para 65% de vegetação nativa, segundo a Coleção 11 do MapBiomas. Ainda de acordo com o levantamento divulgado pela entidade, a perda ocorreu em paralelo à expansão das áreas destinadas à agropecuária, que passaram de 18% para 32% do território no período.
Na Mata Atlântica, a preservação dos remanescentes é especialmente relevante porque o bioma foi um dos mais impactados pelo processo de ocupação do território brasileiro. Em 2025, cerca de 32% da cobertura original permanecia, de acordo com o MapBiomas.
Ações locais
Além da conservação dos fragmentos existentes, as prefeituras mantêm iniciativas de recuperação e arborização. É o caso de Barueri. Segundo a prefeitura, no primeiro semestre deste ano, foram plantadas 1.479 mudas de espécies nativas. A meta é encerrar 2026 com 3 mil novas mudas plantadas.
Já Santana de Parnaíba, de acordo com o Plano de Metas, serão plantadas 20 mil árvores até este ano.