Espetáculo acontece até novembro em São Paulo
(Imagem: Divulgação)
Aos 90 anos, Dedé Santana continua encontrando no picadeiro o lugar onde se sente em casa. É justamente ali, diante do público e sob a lona, que o eterno Trapalhão celebra nove décadas de vida e uma trajetória construída entre o circo, o rádio, o cinema e a televisão.
Em São Paulo, ele está à frente de “Abracadabra – O Circo Musical”, superprodução do Reder Circus que transforma a tradicional linguagem circense em um espetáculo que combina música, teatro, dança, tecnologia, ilusionismo e acrobacias.
Em entrevista exclusiva à Folha de Alphaville, Dedé falou sobre a relação de uma vida inteira com o circo e revelou que, apesar das transformações pelas quais passou ao longo da carreira, existe algo que permanece intacto: a emoção de entrar em cena.
“Na realidade, eu não escolhi o circo. Foi ele que me escolheu. Entrei menino no picadeiro aos três anos, aos sete eu era palhaço, e o picadeiro me fez homem. São 90 anos de vida e quase todos dentro desse círculo mágico de lona, de luzes. E estar ali hoje, vendo o público me aplaudindo nos meus 90 anos, é sentir que o tempo não passou, ele só me abençoou”, afirmou.
A montagem estreou em julho na Arena Sabesp, instalada no estacionamento do Mooca Plaza Shopping, na Zona Leste de São Paulo. O espaço tem capacidade para 1.200 espectadores e recebe um elenco de mais de 60 profissionais. A proposta é aproximar a tradição do circo de uma estrutura grandiosa de musical, sem abandonar os elementos que fazem parte da essência do picadeiro.
Para Dedé, essa combinação entre inovação e tradição é justamente um dos principais diferenciais do espetáculo. “Eu acho que o que não pode mudar é a lona, é o artista. O espetáculo Abracadabra mostra que um circo pode evoluir, com luzes, números modernos, mas sem tirar a lona e o artista de verdade, se não acaba a magia. O circo é gente, suor, vida, picadeiro, luta. Isso é o circo”.
Do esporte ao picadeiro
Entre os destaques da montagem está a participação de Diego Hypólito. Medalhista olímpico e um dos principais nomes da ginástica artística brasileira, ele encontrou no circo uma nova maneira de levar ao público a experiência construída durante anos de competição.
No espetáculo, Diego apresenta números acrobáticos inspirados em sua trajetória e também participa como mestre de cerimônias em algumas apresentações. Para ele, a conexão com o público é um dos pontos que aproximam o universo esportivo do circo.
“O que tem de parecido é o contato direto com o público, a magia de a pessoa estar emocionada, de estar ali assistindo. O olhar das crianças sempre move muito. Acho que isso é o mais parecido”, contou Diego, que completa: “É um espetáculo muito único. Não é prepotência de falar que é o melhor espetáculo do Brasil”. A relação de Diego com Dedé também ganhou novos contornos dentro do espetáculo. Os dois dividem o picadeiro e, segundo o ginasta, construíram uma relação que ultrapassa os limites profissionais.
“Eu jamais imaginei dividir o palco com ele. O Dedé nos ensina todos os dias. Ele nos ensina a querer viver com qualidade de vida. Ele me ensina também como produtor, que leva uma pessoa que dá toques no espetáculo. Ele é muito divertido, familiar para mim, como se fosse um pai, um irmão, um amigo muito próximo”, afirmou.
Quando a cortina se abre
Aos 90 anos, Dedé encara a nova temporada como mais um capítulo de uma história que começou ainda na infância e atravessou diferentes meios de comunicação. Ele acompanhou as mudanças do rádio, do cinema, da televisão e, mais recentemente, da internet.
Mas, para o artista, nenhuma tecnologia substitui a experiência de estar diante de uma plateia. “Eu atravessei o rádio, cinema, televisão, internet. Eu vi tudo mudar, mas nunca nada vai mudar a magia ao vivo. Daquele frio na barriga, até hoje, aos 90 anos, segundos antes da cortina abrir. Eu ouço aquele barulho do público e penso: ‘Agora é comigo’”, destacou.