O curso é direcionado prioritariamente a professores dos anos iniciais do Ensino Fundamental das redes municipais
(Imagem: Divulgação/Instituto Motiva)
Professores e demais profissionais da educação podem participar gratuitamente de uma formação voltada à adaptação das escolas aos efeitos das mudanças climáticas. O curso “Soluções para Escolas Mais Verdes e Resilientes”, lançado pelo Instituto Motiva e pela concessionária Rodoanel Oeste, tem 40 horas de duração, é realizado totalmente on-line e oferece certificado de conclusão.
A iniciativa integra o programa Escolas baseadas na Natureza e pretende ajudar educadores a desenvolver estratégias para lidar, no ambiente escolar, com desafios como ondas de calor, tempestades, alagamentos e outros eventos climáticos extremos. Além das videoaulas, a formação reúne fóruns de discussão, atividades práticas e materiais de apoio.
O curso é direcionado prioritariamente a professores dos anos iniciais do Ensino Fundamental das redes municipais, mas também está aberto a docentes de outras etapas de ensino, gestores escolares, coordenadores pedagógicos, diretores, educadores populares e estudantes de licenciatura.
Segundo Renata Ruggiero, presidente do Instituto Motiva, preparar as escolas para uma realidade climática que já está em transformação é uma das propostas da formação.
“O clima já mudou e continuará mudando. Diante desse cenário, é fundamental que as escolas estejam preparadas para compreender os desafios climáticos e atuar na construção de soluções. Queremos apoiar educadores para que transformem seus ambientes escolares em espaços de bem-estar, aprendizagem e resiliência, fortalecendo a conexão entre estudantes, comunidade e natureza”, afirma.
Escolas como refúgios climáticos
Um dos conceitos trabalhados na formação é o potencial das escolas para funcionar como refúgios climáticos dentro das comunidades. Na prática, isso significa pensar o espaço escolar não apenas como local de ensino, mas também como ambiente capaz de proporcionar maior conforto térmico e ajudar na adaptação aos efeitos das mudanças do clima.
Entre as possibilidades estão a ampliação de áreas verdes, criação de hortas e jardins de chuva, captação de água da chuva e implantação de espaços externos de aprendizagem. O programa também incentiva projetos conectados aos biomas e às características de cada território.
A proposta está ligada às chamadas Soluções baseadas na Natureza, intervenções que utilizam processos e elementos naturais para responder a problemas ambientais e urbanos. No ambiente escolar, elas podem ser incorporadas tanto à infraestrutura quanto às atividades pedagógicas.
Durante o curso, os participantes são estimulados a avaliar a realidade das próprias escolas e elaborar projetos que possam ser aplicados nos locais onde trabalham, aproximando as discussões sobre clima e meio ambiente do cotidiano dos estudantes.
O que será abordado
A formação foi desenvolvida pelo Instituto Motiva em parceria técnica com o Instituto Alana e o Crescer. O conteúdo está organizado em torno da relação entre educação, natureza e adaptação climática.
Ao longo das 40 horas, os participantes terão conteúdos sobre:
- Educação baseada na Natureza e desenvolvimento integral dos estudantes;
- Mudanças climáticas e seus impactos na educação;
- Soluções baseadas na Natureza aplicadas à regeneração dos espaços escolares;
- Integração da realidade socioambiental ao currículo;
- Protagonismo dos estudantes na construção de soluções;
- Participação e engajamento das comunidades;
- Papel das escolas na construção de cidades mais sustentáveis e resilientes.
O formato é assíncrono, ou seja, não exige que o participante acompanhe as aulas em horários predeterminados. Além das videoaulas, estão previstos fóruns para troca de experiências, atividades práticas e materiais que podem ser utilizados posteriormente no trabalho pedagógico.
Falta de verde nas escolas
A formação surge em um cenário no qual uma parcela significativa das escolas está pouco preparada para enfrentar temperaturas elevadas e outros efeitos das mudanças climáticas.
Levantamento realizado pelo Instituto Alana e pela Fiquem Sabendo, a partir de dados produzidos pelo MapBiomas, analisou 20.635 escolas públicas e particulares de Educação Infantil e Ensino Fundamental das capitais brasileiras e do Distrito Federal. O estudo constatou que 37,4% não possuem áreas verdes dentro de seus terrenos.
Na Educação Infantil, a proporção chega a 43,5%. O levantamento identificou ainda aproximadamente 1,5 milhão de estudantes matriculados em escolas sem acesso a parques ou praças em um raio de 500 metros.
Outro problema é o calor. Seis em cada dez escolas analisadas estão em regiões pelo menos 1°C mais quentes que a temperatura média de suas respectivas capitais. Cerca de 370 mil estudantes frequentam instituições localizadas em áreas sujeitas a riscos de desastres, como alagamentos e deslizamentos.
Os dados ajudam a dimensionar um problema que vai além da educação ambiental dentro da sala de aula. A proposta do novo curso é justamente discutir como o próprio espaço físico da escola pode fazer parte das estratégias de adaptação.
Programa começou em 2025
O Escolas baseadas na Natureza foi lançado em 2025 pelo Instituto Motiva como uma reformulação do Caminhos para a Cidadania, programa criado em 2002. A iniciativa oferece gratuitamente formação continuada e materiais pedagógicos para profissionais da educação.
Em 2025, 10.669 educadores participaram da formação, crescimento de 176% em relação ao ano anterior, segundo dados divulgados pelo Instituto Motiva. Atualmente, o programa informa beneficiar mais de 170 mil estudantes.
A iniciativa tem parceria técnica e pedagógica do Crescer e do Instituto Alana e trabalha com a ideia de inserir a natureza não apenas como tema de estudo, mas também nos espaços e nas práticas pedagógicas das escolas.
O programa está alinhado à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e à Política Nacional de Educação Ambiental e integra a estratégia do Instituto Motiva de destinar R$ 1 bilhão a ações de impacto social até 2035.
A iniciativa também conta com o Prêmio Escolas baseadas na Natureza. Na edição de 2026, foram destinados R$ 500 mil a projetos de escolas públicas municipais, com cinco unidades selecionadas para receber R$ 100 mil cada em recursos para implantação das propostas, além de apoio técnico.
Como participar
Curso: Soluções para Escolas Mais Verdes e Resilientes
Carga horária: 40 horas
Formato: 100% on-line, gratuito e assíncrono
Público: professores, gestores escolares, coordenadores pedagógicos, diretores, educadores populares e estudantes de licenciatura
Conteúdo: videoaulas, fóruns de discussão, atividades práticas e materiais de apoio
Certificação: certificado de conclusão
Inscrições: pelo site do programa Escolas baseadas na Natureza
Para participar, o interessado deve acessar a plataforma e fazer o cadastro, caso ainda não esteja inscrito. Durante o processo, são solicitadas informações como o município e