Represa Paulo de Paiva Castro, parte do sistema Cantareira
(Imagem: Rovena Rosa/Agência Brasil)
Depois do setembro mais chuvoso já registrado na cidade de São Paulo, o Sistema Cantareira ganhou 78,3 bilhões de litros de água em um mês e deixou a Faixa 3 - Alerta. O principal manancial de abastecimento da Região Metropolitana fechou setembro com 41,1% do volume útil e passou a operar, desde quinta-feira (1º de outubro), na Faixa 2 - Atenção.
A recuperação interrompeu uma sequência de cinco meses de queda no armazenamento. O Cantareira começou setembro com aproximadamente 325,5 bilhões de litros e terminou o mês com cerca de 403,9 bilhões, avanço de pouco mais de oito pontos percentuais.
O maior nível de 2026 havia sido registrado em 25 de março, quando o sistema chegou a 44,11%. Depois disso, o armazenamento caiu sucessivamente até encerrar agosto próximo de 33%. Com a recuperação de setembro, voltou a ficar a cerca de três pontos percentuais do pico do ano.
As chuvas tiveram papel decisivo nessa reação. Diretamente sobre o Cantareira, foram registrados 282,5 milímetros em setembro, o equivalente a 358,3% da média histórica do mês, de 78,8 milímetros.
Na capital paulista, setembro acumulou cerca de 321 milímetros em 21 dias de chuva, tornando-se o mais chuvoso para o mês desde o início das medições do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), em 1943. A média histórica de setembro no Mirante de Santana é de 83,3 milímetros.
Pressão continuará reduzida durante a noite
Apesar da recuperação dos reservatórios, a redução da pressão da água na Região Metropolitana de São Paulo será mantida por oito horas durante a noite, das 22h às 6h, ao longo de outubro.
Isso ocorre porque a regra usada para definir a medida é diferente daquela que estabelece a faixa de operação e o volume que pode ser retirado do Cantareira.
Pela metodologia estadual aplicada ao abastecimento metropolitano, é necessário que tanto o Sistema Integrado Metropolitano (SIM) quanto o Cantareira atinjam simultaneamente a faixa de normalidade. O SIM chegou a 55,27% no fim de setembro, mas o Cantareira, com 41,12%, ainda ficou abaixo dos 41,61% exigidos pelo critério estadual.
Segundo o governo estadual, a chamada Gestão de Demanda Noturna já proporcionou economia superior a 209 bilhões de litros desde que começou a ser adotada, em agosto de 2025.
Nova faixa permite retirada maior de água
A entrada na Faixa 2 - Atenção altera o limite de água que pode ser retirado do Cantareira para abastecimento. A Sabesp passa a ter autorização para captar até 31 metros cúbicos por segundo (m³/s). Na Faixa 3 - Alerta, vigente em setembro, o máximo era de 27 m³/s.
As regras de operação são estabelecidas pela Resolução Conjunta nº 925/2017 e levam em consideração o percentual de água armazenada no último dia útil de cada mês para determinar a condição operacional do período seguinte.
Quando o armazenamento fica entre 40% e 60%, o sistema entra na Faixa 2 - Atenção. Entre 30% e 40%, permanece na Faixa 3 - Alerta.
A classificação é definida conjuntamente pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e pela Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP Águas). Mesmo com a melhora registrada em setembro, os órgãos recomendam a manutenção do uso racional da água e de medidas para redução do consumo e das perdas na rede.
Além dos 31 m³/s autorizados, a Sabesp poderá utilizar em outubro água eventualmente transferida da represa da Usina Hidrelétrica Jaguari, na bacia do Paraíba do Sul, para o reservatório Atibainha, respeitado o limite permitido para a transposição.
Sistema abastece cerca de metade da Grande São Paulo
O Cantareira é formado pelos reservatórios Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro, que juntos possuem volume útil de 981,56 bilhões de litros. O sistema abastece cerca de metade da população da Região Metropolitana de São Paulo e também fornece água para outros usos, incluindo o abastecimento da região de Campinas, nas bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí.
Na região, Barueri e Santana de Parnaíba estão inseridas na rede metropolitana abastecida pelos sistemas Cantareira e São Lourenço. Em Santana de Parnaíba, o abastecimento também conta com sistemas isolados. A interligação da rede permite ainda transferências e reforços entre os sistemas produtores conforme a necessidade operacional.
Desde 2018, o sistema conta ainda com a interligação entre a represa da Usina Hidrelétrica Jaguari, no rio Paraíba do Sul, e a represa Atibainha. A estrutura permite a transferência de água entre as duas bacias e foi implantada para ampliar a segurança hídrica da Grande São Paulo.