Infectologista ressalta que a vacinação protege tanto o indivíduo quanto a coletividade
(Imagem: Divulgação/Governo de SP)
O aumento de casos de sarampo no Estado de São Paulo acendeu um alerta entre autoridades de saúde e a população. Em 2026, o estado já registrou 14 casos da doença. Em Barueri e Santana de Parnaíba, no entanto, não há registros de novos casos há pelo menos cinco anos. Dados da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) mostram que, em 2025, foram confirmados apenas dois casos de sarampo no estado. Na comparação com este ano, o aumento já chega a 600%.
Apesar do avanço dos casos no estado, Barueri e Santana de Parnaíba seguem sem registrar confirmações da doença. Em Santana de Parnaíba, a cobertura da primeira dose da vacina Tríplice Viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, é de 97,03%, segundo a prefeitura.
Em Barueri, a Secretaria de Saúde informou que intensificou as ações de vacinação, com a oferta do imunizante em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e também em ações extramuros realizadas durante a campanha de vacinação contra a influenza, ampliando o acesso da população. O último caso confirmado foi registrado em 2020.
Especialista
Em entrevista à FA, Lilian Branco, médica coordenadora da Infectologia do Hospital São Luiz Alphaville, afirmou que o surgimento de novos casos exige atenção, já que o sarampo é uma doença altamente contagiosa e pode voltar a circular rapidamente quando há pessoas não vacinadas.
“O vírus é transmitido pelo ar, por meio da tosse, espirro, fala ou respiração de uma pessoa infectada, podendo permanecer no ambiente por algum tempo após sua saída, por este motivo é considerado altamente contagioso. Esse cenário reforça a importância da vigilância epidemiológica, da rápida identificação dos casos suspeitos e, principalmente, da manutenção de altas coberturas vacinais para evitar surtos e proteger a população”, explicou.
A infectologista ressaltou que a vacinação é a principal forma de prevenção contra o sarampo. Segundo ela, quando a cobertura vacinal diminui, aumenta também o número de pessoas suscetíveis à infecção, permitindo que o vírus volte a circular.
“Mesmo quando há poucos casos, é fundamental manter a vacinação em dia para proteger tanto o indivíduo quanto a coletividade, especialmente para aqueles que não podem receber a vacina por motivos médicos. Essa proteção coletiva reduz significativamente a circulação do vírus”.
Quem deve se vacinar
Segundo Lilian, o esquema vacinal varia de acordo com a faixa etária. As crianças devem receber duas doses da vacina contra o sarampo ainda na infância. Pessoas de até 29 anos precisam ter duas doses registradas, enquanto adultos entre 30 e 59 anos devem ter pelo menos uma dose, conforme o histórico vacinal.
“Quem já recebeu o esquema vacinal recomendado para sua faixa etária, de forma comprovada, normalmente não precisa se vacinar novamente. Em caso de dúvida sobre o histórico de vacinação, é importante procurar uma unidade de saúde para avaliação da carteira vacinal”, destacou a especialista.