Monitoramento da SOS Mata Atlântica acompanha a qualidade da água do Rio Tietê
(Imagem: Divulgação SOS Mata Atlântica)
Celebrado nesta terça-feira (22), o Dia do Rio Tietê chega em 2026 com indicadores de melhora na qualidade da água, mas também com um longo caminho pela frente para a recuperação de um dos principais rios paulistas.
Dados da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) mostram que a quantidade de matéria orgânica transportada pelo Tietê na saída da Região Metropolitana de São Paulo caiu 29,4% em dois anos. A carga passou de 218 toneladas por dia, em 2024, para 154 toneladas diárias neste ano — 64 toneladas a menos todos os dias.
A melhora também aparece nos rios e córregos que desembocam no Tietê. A Cetesb monitora atualmente 30 afluentes na Grande São Paulo. Considerando o tamanho da área drenada por cada um, a concentração média de matéria orgânica caiu de 26 mg/L, em 2024, para 20,1 mg/L em 2026, redução de 23%.
Dos 30 afluentes analisados individualmente, 13 apresentaram queda na concentração de matéria orgânica. Entre os melhores resultados estão o Córrego Lavapés, em Mogi das Cruzes, com redução de 56%, e o Rio Cabuçu de Cima, na capital, onde a queda chegou a 31%.
Para fazer essa avaliação, a Cetesb utiliza o Carbono Orgânico Total (COT), indicador que mede a quantidade de matéria orgânica presente na água e ajuda a acompanhar a poluição associada principalmente ao lançamento de esgoto. Quanto menor a concentração, melhor o resultado.
A redução, no entanto, não significa que o Tietê esteja despoluído. A presença de matéria orgânica é apenas um dos indicadores utilizados para avaliar a condição da água, que varia ao longo do percurso do rio.
Um rio de mais de mil quilômetros
O Dia do Rio Tietê é celebrado oficialmente em São Paulo desde 1992. A Lei Estadual nº 7.815 instituiu 22 de setembro como a data dedicada ao rio, que atravessa o Estado de leste a oeste.
Com cerca de 1,1 mil quilômetros entre a nascente e a foz, o Tietê nasce em Salesópolis, na Região Metropolitana de São Paulo, e segue em direção ao interior até encontrar o Rio Paraná. Ao longo desse caminho, atravessa regiões densamente urbanizadas e áreas de produção industrial, agropecuária e de geração de energia.
Sua história recente é marcada também por décadas de tentativas de recuperação. No início dos anos 1990, a situação do rio provocou uma grande mobilização da sociedade civil. Um abaixo-assinado pela recuperação do Tietê reuniu mais de 1,2 milhão de assinaturas e ajudou a impulsionar ações de despoluição.
Em 1993, a Fundação SOS Mata Atlântica criou o Observando o Tietê, programa independente de acompanhamento da qualidade da água com participação da população. A iniciativa posteriormente foi ampliada e deu origem ao Observando os Rios.
SOS prepara novo retrato do rio
A SOS Mata Atlântica também anunciou para o Dia do Tietê a divulgação de novos dados sobre a qualidade da água e a evolução da mancha de poluição. Até o fechamento desta reportagem, porém, a nova edição específica do Observando o Tietê ainda não constava entre os relatórios disponibilizados pela Fundação.
O levantamento é importante porque oferece outra perspectiva sobre a recuperação do rio. Enquanto os dados atuais da Cetesb apontam redução da matéria orgânica, o Observando o Tietê acompanha diferentes parâmetros de qualidade da água e a extensão da chamada mancha de poluição.
No relatório de 2025, essa mancha diminuiu de 207 para 174 quilômetros, queda de 15,9%. O resultado, entretanto, estava longe de representar uma recuperação completa: dos pontos analisados, apenas 1,8% apresentava água classificada como boa. Outros 61,8% estavam em condição regular, 27,3% ruim e 9,1% péssima. Nenhum ponto recebeu classificação ótima.
A série histórica também mostra que a recuperação não ocorre de forma linear. Segundo a SOS Mata Atlântica, houve melhora entre 2016 e 2021, quando a mancha chegou a 85 quilômetros. A partir de 2022, a tendência se inverteu e a extensão voltou a crescer, chegando a 207 quilômetros em 2024, antes de recuar para 174 quilômetros no ano passado.
Santana de Parnaíba terá novas obras de saneamento
Santana de Parnaíba está entre os municípios incluídos em uma nova etapa de obras de saneamento na Região Metropolitana. Na cidade, estão previstos 25,8 quilômetros de tubulações e sete Estações Elevatórias de Esgoto, estruturas responsáveis por bombear o esgoto em locais onde o relevo impede que ele chegue às estações de tratamento apenas pela gravidade.
Também serão realizadas intervenções em Caieiras, Cajamar, Carapicuíba, Cotia, Francisco Morato, Franco da Rocha, Itapevi, Jandira e Osasco, além de bairros das zonas norte e oeste da capital. No total, a nova etapa prevê 460 quilômetros de tubulações e 112 estações elevatórias, com conclusão prevista até 2028 e expectativa de levar tratamento de esgoto a 1,75 milhão de pessoas.
Entre os municípios, Cotia terá a maior extensão de novas tubulações, com 107,5 quilômetros, seguida por Cajamar, com 78,3 quilômetros; Osasco, com 76,8 quilômetros; e Itapevi, com 66,8 quilômetros. Cajamar também concentra o maior número de estações elevatórias, com 35, além da ampliação da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Polvilho.
Com esse novo pacote, o volume de investimentos anunciado desde 2023 para as diferentes ações de recuperação do Tietê chega a R$ 25 bilhões, segundo o Governo do Estado. O montante inclui intervenções em saneamento, desassoreamento, fiscalização, monitoramento da qualidade da água e recuperação ambiental.
Desde 2023, mais de 1,5 milhão de domicílios foram conectados à rede de esgoto, alcançando cerca de 4,5 milhões de pessoas, de acordo com o Estado. No mesmo período, mais de 6,5 milhões de metros cúbicos de sedimentos foram retirados dos rios, segundo os dados divulgados neste mês.
Apesar dos indicadores positivos registrados nos últimos dois anos, o retrato atual ainda é de um rio em processo de recuperação. Os novos dados da SOS Mata Atlântica devem ajudar a mostrar se a redução da poluição orgânica apontada pela Cetesb também vem sendo acompanhada por uma melhora mais ampla na qualidade da água do Tietê.