Fármaco atua no controle da glicemia
(Imagem: Isens USA/Unsplash)
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta quarta-feira (22) o uso do medicamento Mounjaro para o tratamento de crianças e adolescentes com diabetes tipo 2 no Brasil. A decisão representa um avanço relevante no enfrentamento da doença em faixas etárias mais jovens, que vêm registrando crescimento nos últimos anos.
Com a nova autorização, o medicamento — que já era indicado para adultos em busca de emagrecimento, principalmente — passa a ser utilizado por pacientes entre 10 e 17 anos, ampliando o acesso a terapias mais modernas no país.
O Mounjaro é um fármaco injetável à base de tirzepatida, desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly, popularmente conhecido como caneta emagrecedora. Ele atua no controle da glicemia ao combinar a ação de dois hormônios relacionados ao metabolismo, sendo considerado o primeiro da classe dos agonistas duplos dos receptores GIP/GLP-1 liberado para uso pediátrico no Brasil.
A aprovação foi baseada em estudos clínicos internacionais que demonstraram melhora significativa no controle do diabetes entre jovens. Em alguns casos, houve redução expressiva da hemoglobina glicada, principal indicador da doença, além de impacto positivo no índice de massa corporal (IMC).
Cenário preocupa autoridades de saúde
A decisão ocorre em um contexto de avanço do diabetes tipo 2 entre crianças e adolescentes. Estima-se que cerca de 213 mil jovens brasileiros convivam com a doença atualmente, além de mais de 1 milhão em condição de pré-diabetes.
Tradicionalmente, o tratamento nessa faixa etária se limitava a opções mais antigas, como metformina e insulina, que nem sempre apresentam resposta adequada em todos os pacientes. A chegada de novas terapias pode melhorar o controle da doença e reduzir o risco de complicações a longo prazo.
Impacto clínico e desafios
Especialistas avaliam que a liberação do medicamento representa um avanço importante, mas reforçam que o tratamento deve ser acompanhado por mudanças no estilo de vida, incluindo alimentação equilibrada e prática de atividades físicas.
Além disso, o uso do Mounjaro exige acompanhamento médico rigoroso, especialmente por se tratar de uma população em fase de crescimento e desenvolvimento.
Apesar da aprovação regulatória, a disponibilização ampla do medicamento ainda depende de etapas como definição de preço e incorporação aos sistemas de saúde, incluindo o Sistema Único de Saúde (SUS).