side view woman using nebulizer_Crédito Freepik
(Imagem: Freepik)
Estações como outono e inverno têm maior incidência de doenças respiratórias. Não por acaso, o Brasil registra, neste momento, alta procura pelos serviços de saúde motivada, principalmente, por síndromes gripais.
O Boletim InfoGripe, da Fiocruz, divulgado no início de abril, destacou o aumento de casos de Influenza A em todo o País. Segundo a análise, os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) estão em níveis de alerta e alto risco na maior parte das regiões brasileiras. “A maioria dessas ocorrências de SRAG, que pode causar morte nos casos mais graves, tem sido motivada por influenza A, vírus sincicial respiratório (VSR) e rinovírus”, afirma a publicação.
A edição mais atual do Infogripe, de 16 de abril, alerta para o aumento dos casos em crianças menores de dois anos, principalmente nas regiões Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste do Brasil. Conforme o levantamento, o VSR é o principal fator de elevação dos casos nessa faixa etária.
Em entrevista à Folha de Alphaville, a médica pneumologista e coordenadora da pneumologia do Hospital São Luiz Alphaville, Ana Carolina Lima Resende, confirma que esta época do ano é comprovadamente mais propícia para esse tipo de doença.
“Isso ocorre principalmente pela combinação de alguns fatores: queda da temperatura, ar mais seco, maior permanência das pessoas em ambientes fechados, geralmente com menor ventilação — o que também favorece a circulação de vírus, que também circulam mais nessas épocas —, gerando uma piora de dispersão de poluentes. Isso favorece tanto processos de infecção como exacerbação de pacientes que já tenham doenças crônicas”, afirma Ana Carolina.
Segundo a especialista, as doenças mais comuns são os resfriados, as síndromes gripais, principalmente Influenza, a Covid-19 e as causadas por outros vírus que também estão circulando atualmente. Considerando as infecções de via aérea inferior, ela destaca bronquite, brinquiolite, pneumonia e processos chamados de exacerbação de doenças crônicas, com o DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica).
Monitoramento constante
Os períodos que mais exigem atenção, segundo a médica, é a madrugada e o amanhecer. “Nessas horas a gente tem maior queda de temperatura, maior concentração de poluentes, e isso acaba gerando principalmente algumas alterações no próprio clima e ambiente”, alerta.
O atraso no diagnóstico precoce é o principal fator apontado pela pneumologista, o que pode levar a desdobramentos mais graves. A automedicação inadequada, a baixa adesão ao tratamento das doenças crônicas, a falta de acompanhamento ao longo do ano e a ausência de vacinação — “esse é um fator superimportante, as pessoas não se vacinam da maneira que deveriam”, frisa — vêm logo em seguida, especialmente entre o grupo de risco.
“O público mais afetado são os mais vulneráveis, principalmente crianças pequenas, pacientes idosos, gestantes e os pacientes que tenham doença crônica, principalmente doenças pulmonares, cardiovasculares, metabólicas (como obesidade, diabetes etc.), e os imunossuprimidos (pacientes oncológicos ou com doenças que acabam afetando o sistema imunológico). Do ponto de vista pneumológico, é importante lembrar dos pacientes com asma e com DPOC, que sempre têm mais risco nesse período”, destaca.
É importante ficar atento aos principais sinais de alerta e buscar atendimento médico o mais rápido possível em situações como:
- Febre, principalmente aquela mais alta ou persistente, que dure mais de 1 ou 2 dias;
- Falta de ar — sinal muito importante, é bom acompanhar a queda da saturação;
- Dor no peito, dificuldade progressiva de respirar;
- Piora de tosse e tosse de cor escurecida (verde, amarela), com sangue, com secreção mais espessa;
- Fadiga ou prostração;
- Confusão mental em idosos;
- Sonolência excessiva em crianças;
- Recusa alimentar.
Prevenção
“Existem várias medidas, desde as mais simples, que também são muito eficazes, como a própria vacinação atualizada, principalmente contra os vírus que devem ser sempre atualizados todos os anos, e outras vacinas que devem ser avaliadas de acordo com a faixa etária e o grupo de risco, como a vacina contra a pneumonia em si e outras avaliadas de maneira individual”, orienta Ana Carolina.
Além disso, a especialista pede para evitar circular quando se está doente; evitar ambientes muito fechados e pouco ventilados; lembrar sempre da higiene de mãos com água, sabão, álcool gel; evitar partilhar talheres e objetos de uso pessoal; melhorar bastante a hidratação; praticar atividade física; e manter uma alimentação saudável.
Com relação ao aumento de casos, e questionada sobre possíveis diferença neste outono de 2026, especificamente, a coordenadora da pneumologia do Hospital São Luiz Alphaville explica que “a principal preocupação é sempre a sobreposição dos vírus respiratórios que a gente já vê, como Influenza, Covid, o VSR, porque eles acabam tendo uma circulação simultânea e isso pode aumentar a demanda pelos atendimentos, pela necessidade de internação”, finaliza.