São Paulo | 13ºC
Qua, 24 de Junho
Como se recuperar

Ressaca pós-carnaval: o que dizem os especialistas

18 fev 2026 - 07h00 Gláucia Arboleya   atualizado às 11h59
Ressaca pós-carnaval: o que dizem os especialistas A ressaca é imprevisível, pode ser intensa mesmo em quem bebeu pouco (Imagem: Createasea/Unsplash)

Dor de cabeça, boca seca, náusea, mal-estar geral e a sensação de “corpo travado” após horas no bloco de carnaval fazem parte de um roteiro conhecido de quem exagera no álcool. A ressaca, porém, é tão comum quanto imprevisível: pode ser intensa mesmo em quem bebeu pouco e mais leve em quem consumiu maiores quantidades.

Segundo especialistas, o quadro é resultado de uma combinação de processos inflamatórios, metabólicos e neurológicos desencadeados pela ingestão de álcool. O etanol é metabolizado no fígado em acetaldeído, uma substância tóxica associada a boa parte do mal-estar. A desidratação — mesmo em níveis leves — explica sintomas como dor de cabeça, boca seca, fadiga e fraqueza, enquanto a irritação da mucosa gástrica contribui para náuseas e desconforto abdominal.

Para Clayton Macedo, endocrinologista e médico do esporte do Hospital Israelita Albert Einstein e do Instituto Cohen, a ressaca costuma surgir quando o nível de álcool no sangue já caiu, mas o organismo ainda lida com seus efeitos inflamatórios, hormonais e metabólicos. O álcool inibe o hormônio antidiurético (ADH), aumentando a perda de líquidos pela urina e favorecendo desidratação, sede, tontura e piora da dor de cabeça.

O especialista destaca ainda que a bebida irrita a mucosa do estômago e do intestino, altera o refluxo e retarda o esvaziamento gástrico, o que intensifica náuseas e desconforto após a ingestão. O consumo de álcool também pode favorecer episódios de hipoglicemia, sobretudo quando ocorre em jejum ou após atividade física, provocando tremores, sudorese e palpitações. A fragmentação do sono e a piora da sua qualidade completam o quadro, contribuindo para cansaço, irritabilidade e maior sensibilidade à dor no dia seguinte.

Por que algumas ressacas são piores do que outras?

As diferenças começam na genética: algumas pessoas produzem ou ativam em menor quantidade as enzimas responsáveis por metabolizar o álcool, o que prolonga seus efeitos no organismo. Indivíduos com alterações hepáticas, uso regular de determinados medicamentos ou processos inflamatórios no fígado também tendem a metabolizar o álcool mais lentamente.

Outro fator está no tipo de bebida consumida. Além do volume ingerido, a presença de congêneres — substâncias formadas durante a fermentação e o envelhecimento, como pequenas quantidades de metanol, taninos, histaminas e sulfatos — influencia a intensidade da ressaca. Esses compostos, presentes em níveis seguros nas bebidas legalizadas, podem intensificar a inflamação, a irritação gastrointestinal e a dor de cabeça.

Em geral, bebidas escuras, como vinho tinto, uísque e conhaque, estão associadas a ressacas mais intensas; a cerveja costuma provocar efeitos intermediários; já destilados mais “puros”, como vodca e gim, tendem a causar menos sintomas. Ainda assim, os especialistas reforçam: a quantidade ingerida e a sensibilidade individual seguem sendo os principais determinantes do “estrago” no dia seguinte.

O que ajuda

Beber água ao acordar melhora sintomas ligados à desidratação, como dor de cabeça e boca seca. Mas não atua na inflamação nem acelera a metabolização do álcool.

Para quadros mais intensos, ingerir água de coco, isotônicos ou soro caseiro podem ser mais eficazes que água pura, porque repõem eletrólitos, minerais perdidos na urina e no suor, como sódio, potássio e magnésio.

O álcool prejudica a absorção de vitaminas do complexo B e aumenta a eliminação de minerais, como magnésio, zinco, sódio e potássio. Por isso, alimentos leves e nutritivos no dia seguinte —frutas ricas em água, vegetais amargos, caldos e proteínas magras —facilitam a recuperação.

Comer antes de beber também é eficaz. Estômago vazio acelera a absorção do álcool; já alimentos com proteínas e gorduras retardam esse processo e ajudam a manter a glicemia mais estável.

Quanto tempo o corpo leva para se recuperar?

Não existe resposta única, diz Patricia. O tempo depende de:

  • quantidade e tipo de bebida;
  • genética e função hepática;
  • hidratação e alimentação antes e depois da ingestão;
  • qualidade do sono —que costuma piorar muito com álcool.

Em geral, o corpo demora mais do que se imagina para se recuperar completamente. O fígado metaboliza, em média, meia a uma dose de álcool por hora, mas os efeitos inflamatórios e a piora da qualidade do sono podem se estender por 12 a 24 horas.

Esse tempo depende da quantidade ingerida, do tipo de bebida e das condições de saúde de cada pessoa. Por isso, mesmo depois que o álcool já foi eliminado, a sensação de cansaço pode durar o dia inteiro.

Quando a ressaca deixa de ser normal e passa a preocupar

É sinal de alerta se houver:

  • vômitos persistentes ou com sangue;
  • confusão mental ou desorientação;
  • dor de cabeça extrema;
  • palpitações;
  • dor abdominal intensa;
  • diarreia com sangue;
  • sudorese intensa ou tremores.

Nesses casos, a recomendação é procurar atendimento médico.

Leia Também
Vacina contra a Covid-19 pode proteger também o coração de idosos, aponta estudo
Saúde Vacina contra a Covid-19 pode proteger também o coração de idosos, aponta estudo
Nutrólogo de Alphaville integra agenda internacional sobre medicina regenerativa
Saúde Nutrólogo de Alphaville integra agenda internacional sobre medicina regenerativa
Hospital Regional Rota dos Bandeirantes abre 70 vagas de emprego em Barueri
Trabalho Hospital Regional Rota dos Bandeirantes abre 70 vagas de emprego em Barueri
Morador de Alphaville, Marcelo Oliveira garante vaga inédita no CrossFit Games 2026
Esportes Morador de Alphaville, Marcelo Oliveira garante vaga inédita no CrossFit Games 2026
São Paulo descarta segundo caso suspeito de Ebola e reforça vigilância epidemiológica
Saúde São Paulo descarta segundo caso suspeito de Ebola e reforça vigilância epidemiológica
Anvisa mantém suspensão de lotes de produtos Ypê, mas restringe medida a itens mais antigos
Saúde Anvisa mantém suspensão de lotes de produtos Ypê, mas restringe medida a itens mais antigos
Novo caso suspeito de Ebola em São Paulo mobiliza vigilância epidemiológica
Saúde Novo caso suspeito de Ebola em São Paulo mobiliza vigilância epidemiológica
Após suspensão, Ministério da Saúde orienta quem tomou vacina do Butantan contra dengue
Saúde Após suspensão, Ministério da Saúde orienta quem tomou vacina do Butantan contra dengue
Empresa da região é a única autorizada a comercializar semaglutida para obesidade no país
Saúde Empresa da região é a única autorizada a comercializar semaglutida para obesidade no país
Junho Vermelho reforça necessidade de doações regulares de sangue
Solidariedade Junho Vermelho reforça necessidade de doações regulares de sangue
Mais Lidas
Trevo de Barueri ganha novo acesso rebaixado e terá mudanças no trânsito a partir desta noite (15)
Mobilidade Trevo de Barueri ganha novo acesso rebaixado e terá mudanças no trânsito a partir desta noite (15)
Morador de Alphaville, Marcelo Oliveira garante vaga inédita no CrossFit Games 2026
Esportes Morador de Alphaville, Marcelo Oliveira garante vaga inédita no CrossFit Games 2026
Megafeirão de Emprego de Santana de Parnaíba terá mais de 10 mil vagas
Emprego Megafeirão de Emprego de Santana de Parnaíba terá mais de 10 mil vagas
Barueri cria plataforma gratuita para conectar empresas, trabalhadores e cursos de qualificação
Mercado de Trabalho Barueri cria plataforma gratuita para conectar empresas, trabalhadores e cursos de qualificação