Em operação desde 2018, a Interligação Jaguari-Atibainha transfere água da bacia do Paraíba do Sul para reforçar o Sistema Cantareira
(Imagem: Diogo Moreira/Governo do Estado de SP)
O Sistema Cantareira, principal manancial de abastecimento da Grande São Paulo, alcançou 52,23% de seu volume útil nesta terça-feira (3), após as chuvas registradas nos últimos meses. O índice representa uma recuperação de 11,13 pontos percentuais em relação aos 41,10% registrados em 30 de setembro. Apesar da melhora, o sistema continuará operando na faixa de atenção durante novembro, com limite para a retirada de água.
A leitura desta terça-feira consta de um monitoramento independente atualizado às 9h02, que acompanha os dados dos reservatórios. No Portal dos Mananciais da Sabesp, o último índice consultado diretamente pela reportagem foi de 52,0%, referente à segunda-feira (2).
A recuperação foi impulsionada pelas chuvas acima da média histórica, principalmente em setembro e outubro. Segundo a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o Cantareira encerrou outubro com 50,69% da capacidade, contra 41,10% no último dia de setembro.
O resultado levou a ANA e a Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP Águas) a manterem o sistema na Faixa 2 — Atenção durante novembro. Nessa condição, a Sabesp está autorizada a retirar até 31 metros cúbicos de água por segundo. Em situação de normalidade, o limite sobe para 33 metros cúbicos por segundo.
A classificação é definida com base no volume armazenado no último dia útil do mês anterior. Por isso, mesmo com a recuperação diária, a condição operacional estabelecida para novembro permanece inalterada.
Além das chuvas, o Cantareira recebe reforço da Interligação Jaguari-Atibainha, que permite transferir água da bacia do rio Paraíba do Sul para o sistema que abastece a Grande São Paulo. Segundo o monitoramento oficial do Estado, a transferência registrou vazão média de 7,76 metros cúbicos por segundo na segunda-feira (2). A operação conta com autorização excepcional para ampliar o volume de água transferido durante 2026, contribuindo para a segurança hídrica da região.
Situação dos demais reservatórios
O Sistema Integrado Metropolitano (SIM), que reúne os principais mananciais responsáveis pelo abastecimento da Grande São Paulo, também apresentou melhora.
Na segunda-feira (2), o conjunto chegou a 62,2% da capacidade, segundo o Portal dos Mananciais da Sabesp. Em 30 de outubro, o índice era de aproximadamente 61,8%.
Na mesma atualização de segunda-feira, os principais reservatórios apresentavam os seguintes volumes:
- Cantareira: 52,0%;
- Alto Tietê: 60,5%;
- Guarapiranga: 92,6%;
- Rio Grande: 98,0%;
- Rio Claro: 61,3%;
- Cotia: 102,9%.
O índice acima de 100% no Sistema Cotia é calculado em relação ao volume útil de referência do reservatório.
Abastecimento em Barueri e Santana de Parnaíba
O Sistema Produtor São Lourenço, que reforça o abastecimento de Barueri, Santana de Parnaíba e outros municípios da região oeste da Grande São Paulo, também apresentou volumes elevados ao longo de outubro.
Na segunda-feira (2), o sistema estava com 75,5% da capacidade, segundo a Sabesp. Embora o índice represente uma redução em relação aos 76,9% registrados em 29 de outubro, permanece em patamar superior ao de outros importantes mananciais metropolitanos.
O São Lourenço integra a estrutura de abastecimento de municípios como Barueri, Santana de Parnaíba, Carapicuíba, Cotia, Itapevi, Jandira e Osasco.
A recuperação dos reservatórios contribui para a segurança hídrica regional, mas não representa necessariamente aumento imediato da pressão da água nos imóveis. A distribuição depende também das condições das redes e das medidas operacionais adotadas pela Sabesp.
Redução noturna da pressão
A Gestão de Demanda Noturna (GDN), que reduz a pressão da água na rede de distribuição da Grande São Paulo, vinha sendo aplicada por oito horas diárias, das 21h às 5h.
A medida busca diminuir as perdas por vazamentos e rompimentos das tubulações, preservando os estoques de água durante os períodos de menor consumo.
A manutenção desse regime durante outubro foi determinada pela Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) e pela SP Águas. Até a atualização desta reportagem, não havia sido confirmada uma nova deliberação específica sobre eventual alteração dos horários em novembro.
A melhora das condições do Cantareira também não elimina a necessidade de economia. A ANA e a SP Águas continuam recomendando medidas para reduzir o consumo e preservar a água armazenada.
Responsável por abastecer aproximadamente metade da população da Região Metropolitana de São Paulo, o Cantareira é formado por cinco reservatórios interligados: Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro. O conjunto também contribui para o abastecimento das bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí.