O escritor e psiquiatra Augusto Cury anunciou apoio ao senador Flávio Bolsonaro na quinta-feira (8)
(Imagem: Reprodução)
O escritor e psiquiatra Augusto Cury (Avante), terceiro colocado na eleição presidencial de 2026, anunciou apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão foi divulgada na quinta-feira (8), após uma conversa por videoconferência entre os dois e a assinatura de um documento com oito compromissos políticos.
Cury recebeu 3.448.569 votos no primeiro turno, realizado no domingo (4), o equivalente a 2,89% dos votos válidos. Durante a campanha, apresentou-se como alternativa à polarização entre Lula e Flávio e, após a votação, chegou a afirmar que não apoiaria nenhum dos dois candidatos.
A mudança de posição ocorreu depois de uma conversa de mais de uma hora com Flávio. O senador assinou o documento intitulado Termo de Compromisso Público com o Brasil, no qual assumiu propostas defendidas pelo escritor nas áreas de educação, saúde, economia, segurança e administração pública.
Em declaração divulgada após o acordo, Cury afirmou que manterá sua independência política e que não pretende integrar um eventual governo do candidato do PL.
"Meu apoio não é um cheque em branco", declarou o escritor. "Apoio não é submissão! Se concordar, direi que concordo. Se discordar, direi que discordo."
O que prevê o acordo
Entre os compromissos assumidos por Flávio estão a defesa do fim da reeleição presidencial, a ampliação do ensino em tempo integral, a valorização dos professores e a expansão da telemedicina pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O documento também contempla medidas de enfrentamento à violência contra as mulheres, financiamento de microempresas, fortalecimento do cooperativismo e incentivo à produção sustentável de alimentos.
Outro ponto é a chamada pacificação nacional, com o compromisso de governar para brasileiros de diferentes posições políticas. O texto ressalta que a implementação das propostas dependerá das atribuições constitucionais da Presidência, da responsabilidade fiscal e da participação do Congresso Nacional.
O acordo também estabelece que o apoio não envolve negociação de cargos ou vantagens pessoais.
Cury justificou a decisão com sua defesa da alternância de poder e críticas à possibilidade de um quarto mandato de Lula. No documento, o escritor considera incompatível com sua posição contrária à reeleição apoiar a permanência do presidente no cargo.
Apoio contrasta com posição anunciada após o primeiro turno
No domingo (4), após a definição do segundo turno, Cury havia anunciado que não apoiaria nenhum dos dois candidatos. Na ocasião, afirmou que suas propostas estavam disponíveis para quem vencesse a eleição.
A decisão de quinta-feira representa, portanto, uma mudança em relação à posição apresentada imediatamente após o resultado das urnas.
O apoio do escritor se soma ao de outros candidatos derrotados no primeiro turno, como Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Clariana Barão (DC), que também declararam apoio a Flávio Bolsonaro.
Apesar da adesão, o posicionamento de Cury não significa transferência automática dos votos que recebeu. Na pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta sexta-feira (9), entre os entrevistados que declararam ter votado no escritor no primeiro turno, 50,4% manifestaram intenção de votar em Lula, enquanto 38,9% escolheram Flávio.
O levantamento ouviu 5.026 pessoas entre 3 e 8 de outubro, com margem de erro geral de um ponto percentual. Os resultados desse subgrupo devem ser interpretados com cautela, pois a margem de erro geral não se aplica necessariamente a ele.
O segundo turno da eleição presidencial está marcado para 25 de outubro.