Disputa pelo Palácio do Planalto entrou na fase das alianças para o segundo turno
(Imagem: Arte Agência Brasil)
A disputa pelo Palácio do Planalto entrou na fase das alianças para o segundo turno. Dois dias depois da votação, Flávio Bolsonaro (PL) recebeu o apoio de dois adversários derrotados no primeiro turno, Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD), além do ex-presidente Michel Temer (MDB). Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por sua vez, iniciou a nova etapa da campanha reunindo aliados e buscando ampliar sua base para a votação de 25 de outubro.
Flávio terminou o primeiro turno na liderança, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A diferença entre os dois foi de pouco mais de 2,2 milhões de votos, o que aumentou a importância das manifestações dos candidatos que ficaram fora da disputa.
Zema, que concorreu à Presidência pelo Novo, foi o primeiro adversário do primeiro turno a formalizar a adesão ao candidato do PL. Em vídeo publicado nas redes sociais na segunda-feira (5), afirmou: “não vou me omitir ou ficar em cima do muro neste momento importante. Voto contra o PT, voto em Flávio Bolsonaro”.
Caiado também decidiu apoiar Flávio. O ex-governador de Goiás, que disputou a Presidência pelo PSD, marcou para esta terça-feira (6), em Goiânia, um ato com a presença do candidato do PL. A adesão é individual: o PSD decidiu não adotar uma posição nacional no segundo turno e liberou seus integrantes para apoiar qualquer um dos dois candidatos.
Somados, os votos obtidos por Caiado e Renan Santos (Missão), outro candidato derrotado, superam a diferença registrada entre Flávio e Lula no primeiro turno. Renan, no entanto, anunciou que não apoiará nenhum dos dois concorrentes e deixou seus eleitores livres para decidir.
Temer declara voto em Flávio
Fora do grupo que disputou a eleição deste ano, o ex-presidente Michel Temer também anunciou apoio a Flávio Bolsonaro em suas redes sociais. “A sociedade não quer fórmulas repetidas e discursos grosseiros. Quer novas ideias, novas atitudes, novos projetos e um caminho diferente. Quer, portanto, reconexão. E reconexão é Flávio”, afirmou.
A manifestação de Temer, porém, não significa o apoio formal do MDB. Assim como ocorre no PSD, lideranças da legenda mantêm posições distintas na disputa presidencial.
Flávio também tenta ampliar as alianças partidárias. A Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, está entre os grupos que discutem uma adesão ao candidato. Republicanos e outras legendas do centro também estão em negociação, mas ainda não haviam formalizado uma posição nacional até a manhã desta terça-feira (6).
O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), já integra o grupo de aliados de Flávio e participa das articulações para o segundo turno.
Lula busca ampliar mobilização
Do lado de Lula, a estratégia inicial tem sido reorganizar e mobilizar a base que já esteve ao seu lado no primeiro turno. O presidente reuniu aliados em Brasília na segunda-feira (5), entre eles governadores, ministros e lideranças partidárias. Até esta terça-feira, nenhum dos principais candidatos derrotados na disputa presidencial havia anunciado apoio ao petista.
A campanha também pretende buscar parte dos mais de 33 milhões de eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno. “Tem uma coisa que nós temos que trabalhar: são 30 milhões de pessoas que não foram votar. O que aconteceu com essas pessoas?”, disse Lula durante encontro com aliados.
O presidente mantém, ainda, palanques importantes nos Estados. No Amazonas, Omar Aziz (PSD), que disputa o segundo turno para governador, declarou apoio a Lula mesmo com a posição de neutralidade adotada nacionalmente pelo partido. No Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD) também mantém a aliança com o petista. Cadu Xavier (PT), no Rio Grande do Norte, e Leandro Grass (PT), no Distrito Federal, são outros candidatos a governador alinhados ao presidente.
Outras definições devem ocorrer ao longo desta semana. PP, União Brasil e Republicanos estão entre as siglas que ainda discutem formalmente o posicionamento no segundo turno, enquanto partidos como PSD e MDB convivem com apoios diferentes entre suas lideranças.
A segunda e decisiva votação para presidente será realizada em 25 de outubro.