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Santana de Parnaíba é alvo de operação contra esquema bilionário ligado ao PCC

03 set 2026 - 17h06 Aliz Lambiazzi   atualizado às 17h11
Santana de Parnaíba é alvo de operação contra esquema bilionário ligado ao PCC Operação Helmintos envolve imóveis de alto padrão (Imagem: Divulgação Polícia Civil)

A Polícia Civil cumpriu nesta quinta-feira (3) mandado em Santana de Parnaíba durante uma operação contra um grupo suspeito de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e de movimentar cerca de R$ 1 bilhão em um esquema de lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas.

Batizada de Operação Helmintos, a ação também teve diligências em Praia Grande, Guarujá e Santo André. Os mandados foram cumpridos em imóveis residenciais e comerciais e empresas. Na Praia Grande, a investigação também alcança atividades relacionadas à administração municipal.

Até o momento, a Polícia Civil não divulgou o endereço alvo da operação em Santana de Parnaíba, quem estaria ligado ao local ou se algum dos bens bloqueados pela Justiça fica no município. As investigações prosseguem sob sigilo.

A apuração é conduzida pelo Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior 6 (Deinter 6). Segundo a Polícia Civil, o grupo seria formado por integrantes ligados à organização criminosa, operadores financeiros, intermediários do setor imobiliário e pessoas utilizadas como "testas de ferro" para ocultar os verdadeiros responsáveis por bens e negócios.

A Justiça determinou a prisão temporária de quatro investigados apontados como lideranças e operadores financeiros do esquema. Também foram autorizados mandados de busca e apreensão, bloqueio de contas e investimentos e o sequestro de 29 imóveis vinculados aos investigados.

As buscas têm como objetivo localizar documentos e contratos, registros financeiros, aparelhos eletrônicos, dinheiro em espécie, armas e outros elementos que possam ajudar nas investigações por organização criminosa, lavagem de dinheiro e tráfico de drogas.

Quem são os principais investigados

Os quatro alvos dos mandados de prisão são Anderson Roberto Braghine, conhecido como "Fio"; Alexander Miguel da Silva, o "Gordão"; Leonildo Marinho de Andrade, chamado de "Nenê"; e Ronaldo Yuzo Sekiya, conhecido como "Japonês".

Anderson Roberto Braghine é apontado pela investigação como chefe da organização e responsável por captar valores provenientes do tráfico de drogas e pela lavagem do dinheiro por meio de empresas e imóveis.

Alexander Miguel da Silva seria um dos principais integrantes do grupo e, segundo a polícia, atuava na captação de recursos provenientes da venda de drogas em larga escala junto a integrantes do PCC. Os investigadores apontam o uso de uma empresa considerada de fachada e de imóveis movimentados por meio de procurações.

Leonildo Marinho de Andrade é apontado como um dos principais operadores financeiros. Segundo a investigação, seria responsável por introduzir dinheiro em espécie no sistema financeiro e posteriormente redistribuir os recursos às chefias.

Já Ronaldo Yuzo Sekiya é descrito pelos investigadores como homem de confiança do grupo e teria atuado como operador financeiro diretamente ligado a Alexander.

Anderson, o "Fio", e Leonildo, o "Nenê", foram presos nesta quinta-feira (3). Os dois moravam no mesmo condomínio, no bairro Guilhermina, em Praia Grande.

Outras seis pessoas também são investigadas por suposta participação na estrutura.

Imóveis de alto padrão

Os negócios imobiliários são uma das principais frentes investigadas. De acordo com a Polícia Civil, o grupo teria utilizado a aquisição e negociação de imóveis, inclusive propriedades de alto padrão, para inserir no mercado formal recursos provenientes do tráfico.

Além dos imóveis, empresas e estabelecimentos comerciais teriam sido utilizados para movimentar e ocultar o dinheiro. Intermediários do mercado imobiliário e pessoas apontadas como "testas de ferro" também estão entre os investigados.

Uma das mulheres investigadas, sócia de um quiosque na Praia Grande, teria declarado renda mensal de R$ 3,3 mil, mas movimentado R$ 51,2 milhões, segundo informações da investigação. Ela seria esposa de um dos apontados como chefes do grupo e estaria fora do Brasil.

A estrutura investigada teria movimentado valores próximos de R$ 1 bilhão. A Justiça determinou o sequestro de 29 imóveis vinculados aos investigados, além do bloqueio de contas bancárias e investimentos.

Quiosques, licitação e política

Além da lavagem de dinheiro por meio do mercado imobiliário, a Polícia Civil identificou outras três frentes de atuação que estariam concentradas na Praia Grande: o controle de quiosques instalados em áreas públicas, suspeitas de favorecimento em procedimento licitatório municipal e financiamento ou apoio a agentes políticos eleitos.

Segundo os investigadores, os elementos reunidos até agora apontam uma possível tentativa de ampliar a influência da organização criminosa sobre setores dos poderes Executivo e Legislativo municipais.

A apuração indica que pessoas ligadas ao grupo teriam obtido, por meio de terceiros, benefícios em atividades comerciais reguladas pelo município, o que poderia ter prejudicado a livre concorrência.

A Prefeitura de Praia Grande afirmou que não houve cumprimento de mandado de busca e apreensão dentro da administração municipal. Segundo a prefeitura, um policial civil esteve no local para solicitar informações relacionadas a uma licitação específica para exploração de um quiosque na orla. A administração informou ainda que permanece à disposição das autoridades.

Não há, até o momento, informação divulgada pela Polícia Civil que relacione a Prefeitura de Santana de Parnaíba ou agentes políticos do município a essa frente da investigação.

Por que Operação Helmintos?

O nome da operação faz referência aos helmintos, organismos parasitas. Segundo a Polícia Civil, a denominação foi escolhida em alusão à forma como o grupo investigado supostamente atuava sobre a economia local, utilizando atividades comerciais em benefício da organização criminosa e causando possível prejuízo à livre concorrência.

As investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos e dimensionar toda a estrutura patrimonial, econômica e política do esquema.

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