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Expectativa

EUA decidem nesta quarta (15) sobre tarifaço ao Brasil

13 jul 2026 - 11h07 Aliz Lambiazzi   atualizado às 11h27
EUA decidem nesta quarta (15) sobre tarifaço ao Brasil Decisão depende do presidente dos EUA, Donald Trump (Imagem: Divulgação/White House)

O governo brasileiro entra na reta final de espera por uma das decisões mais importantes das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos nos últimos anos.

Na quarta-feira (15), o governo norte-americano deve anunciar se confirmará a aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros, encerrando a investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).

A expectativa no Palácio do Planalto é que a decisão defina não apenas se haverá novas taxas, mas também qual será a abrangência das medidas. Por isso, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu aguardar o anúncio oficial antes de definir uma reação política e econômica.

Segundo integrantes do governo, diferentes cenários estão sendo avaliados. Caso as tarifas sejam confirmadas nos moldes propostos, a resposta poderá incluir medidas diplomáticas, recursos em organismos internacionais e novas negociações com Washington. Se houver mudanças ou adiamento da decisão, a estratégia será manter o diálogo aberto.

A principal preocupação é com a tarifa de 25% proposta sobre parte das exportações brasileiras. Paralelamente, os Estados Unidos também avaliam outra sobretaxa, de 12,5%, relacionada a uma investigação sobre supostas falhas no combate ao trabalho forçado.

Se ambas forem aplicadas de forma cumulativa, alguns produtos poderão enfrentar uma taxação total de 37,5% para entrar no mercado americano.

Nos últimos meses, representantes dos dois países realizaram sucessivas rodadas de negociação.

O governo brasileiro apresentou propostas para reduzir barreiras comerciais em centenas de linhas tarifárias, mas deixou claro que alguns temas considerados estratégicos não estão em negociação, como o Pix e mudanças em políticas internas que, na avaliação do Planalto, dizem respeito à soberania nacional.

A investigação americana foi aberta com base na chamada Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos. O relatório do USTR afirma que o Brasil adota práticas consideradas injustas em áreas como comércio digital, propriedade intelectual, combate à corrupção, importação de etanol e sistema de pagamentos eletrônicos.

O governo brasileiro contesta essas conclusões e argumenta que as tarifas não têm base nas regras do comércio internacional.

Na defesa enviada aos Estados Unidos, o Brasil sustentou que a adoção das tarifas prejudicaria não apenas empresas brasileiras, mas também consumidores e importadores americanos, além de reduzir o espaço para futuras negociações entre os dois países. O documento também afirma que a medida seria desproporcional e não resolveria os problemas apontados pelo governo norte-americano.

Apesar das tratativas diplomáticas, a avaliação predominante no governo é de que a aplicação das tarifas continua sendo o cenário mais provável. Ainda assim, integrantes da equipe econômica e da área de relações exteriores defendem que a estratégia deve continuar baseada na negociação, evitando medidas precipitadas antes da decisão oficial dos Estados Unidos.

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