Navios da Marinha e da Guarda Costeira dos EUA durante a travessia do Estreito de Ormuz
(Imagem: Nicholas A. Russell / Marinha dos EUA)
Os Estados Unidos iniciam nesta terça-feira (14) uma nova operação de bloqueio naval contra o Irã, ampliando a pressão sobre o país em meio à escalada das tensões no Oriente Médio.
A ação começa às 17h (horário de Brasília) e prevê inspeções militares em embarcações que navegam pela região, enquanto navios ligados ao Irã terão o tráfego restringido.
O anúncio ocorre um dia depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que pretende assumir o controle do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta.
Segundo ele, os EUA passarão a atuar como "guardiões" da passagem e cobrarão uma taxa equivalente a 20% sobre toda carga transportada pelo estreito como forma de custear a segurança da região.
O que muda com o bloqueio
De acordo com a Marinha norte-americana, a operação deixa de se concentrar apenas na entrada do Estreito de Ormuz e passa a abranger toda a costa iraniana. O objetivo é impedir a circulação de embarcações que saiam de portos ou terminais petrolíferos do Irã.
Os Estados Unidos informaram que o chamado "trânsito neutro" continuará permitido, assim como embarcações transportando ajuda humanitária. Ainda assim, todos os navios estarão sujeitos a inspeções militares antes de seguir viagem.
A medida representa uma mudança em relação ao acordo de paz firmado entre Washington e Teerã em junho, que previa justamente o fim desse tipo de bloqueio e a reabertura da navegação na região.
Trump fala em controlar Ormuz
Em entrevista à emissora Fox News e, depois, em uma publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que os Estados Unidos assumirão a responsabilidade pela segurança do Estreito de Ormuz.
Segundo o presidente americano, todos os países continuarão podendo utilizar a rota marítima, mas deverão pagar uma espécie de pedágio correspondente a 20% sobre as cargas transportadas.
A declaração também representa uma mudança de discurso. Em junho, Trump havia afirmado que não haveria cobrança para o uso da passagem marítima.
Irã rejeita proposta dos EUA
A reação iraniana foi imediata. O comando militar do país afirmou que não aceitará qualquer tentativa americana de administrar o estreito e declarou que qualquer intervenção sem autorização de Teerã será contestada.
O governo iraniano também advertiu os países vizinhos de que uma eventual cooperação com os Estados Unidos poderá ser interpretada como um ato de guerra.
Já a Guarda Revolucionária reafirmou que mantém o controle sobre o Estreito de Ormuz e acusou Washington de colocar em risco o abastecimento mundial de petróleo e gás ao ampliar sua presença militar na região.
Disputa sobre o fechamento da rota
Outro ponto de divergência entre os dois países é a situação atual do estreito.
O Irã afirma que a passagem voltou a ser fechada após os recentes confrontos militares, enquanto os Estados Unidos negam a informação e sustentam que a navegação permanece aberta para embarcações autorizadas.
A nova ofensiva acontece depois de uma sequência de ataques envolvendo os dois países.
Nos últimos dias, forças americanas atingiram centenas de alvos militares iranianos, enquanto Teerã respondeu com ataques e ameaças a países do Golfo que abrigam bases dos EUA, elevando novamente o risco de uma crise regional com impacto sobre o comércio internacional e o mercado de energia.
Por que Ormuz é tão importante?
O Estreito de Ormuz liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico. Com cerca de 50 quilômetros de largura, é considerado um dos corredores marítimos mais estratégicos do mundo.
Antes do início do conflito, aproximadamente 20% de todo o petróleo e gás comercializado internacionalmente passava pela região, tornando qualquer interrupção um fator de preocupação para o mercado global de energia.