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Em visita à região, Lula 'chama' Trump para negociar tarifaço

"O Bolsonaro não é um problema meu, é um problema da Justiça brasileira", disse Lula

25 jul 2025 - 16h29   atualizado em 02/12/2025 às 09h54
Em visita à região, Lula 'chama' Trump para negociar tarifaço Presidente esteve em Osasco, nesta sexta-feira (25) (Ricardo Stuckert/PR)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta sexta-feira (25), que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi induzido a acreditar "em uma mentira", de que o ex-presidente Jair Bolsonaro está sofrendo perseguição no Brasil. "O Bolsonaro não é um problema meu, é um problema da Justiça brasileira", disse Lula durante evento em Osasco.

"O Bolsonaro não está sendo perseguido, ele está sendo julgado com todo o direito de defesa. Ele tentou dar um golpe nesse país, ele não queria que eu e o [vice-presidente, Geraldo] Alckmin tomássemos posse e chegou a montar uma equipe para matar o Lula, o Alckmin e para matar o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, o Alexandre Moraes. Isso já está provado por delação deles mesmos", disse o presidente.

Lula se colocou à disposição para negociar a taxação de 50% que os EUA querem impor às exportações brasileiras. "Se o presidente Trump tivesse ligado para mim, eu certamente explicaria para ele o que está acontecendo com o ex-presidente", afirmou.

Para o presidente, o filho de Bolsonaro, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), se licenciou do mandato na Câmara e foi para os Estados Unidos pedir intervenção no Brasil, "numa total falta de patriotismo". "Vocês na Câmara tem que tomar uma atitude", disse Lula aos deputados presentes na cerimônia.

No último dia 9 de julho, o presidente Trump enviou uma carta a Lula anunciando a imposição da tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros a partir do dia 1º de agosto. No documento, Trump justifica a medida citando o ex-presidente Jair Bolsonaro, que é réu no STF por tentativa de golpe de Estado; ele pede a anistia a Bolsonaro.

Diálogo
Lula, então, acionou o vice-presidente Alckmin, que também é ministro da Indústria, Comércio e Serviço, e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para negociarem uma solução diplomática com o país norte-americano. O governo também criou um comitê para discutir as taxações com o setor produtivo brasileiro.

"Trump, o dia que você quiser conversar, o Brasil estará pronto e preparado para discutir, para tentar mostrar o quanto você foi enganado com as informações que te deram e você vai saber a verdade sobre o Brasil. E quando você souber da verdade, você vai falar: 'Lula, eu não vou mais taxar o Brasil, vamos ficar assim do jeito que está'. É isso. Mas é preciso conversar. E está aqui o meu conversador número 1", disse Lula, citando o vice-presidente.

"Ninguém pode dizer que o Alckmin não quer conversar. Todo dia ele liga para alguém e ninguém quer conversar com ele. Este país é o país de um povo generoso. Então, eu quero que o Trump nos trate com a delicadeza e o respeito que eu trato os Estados Unidos e o povo americano", acrescentou Lula.

O presidente dos Estados Unidos também justifica as taxações citando "ataques contínuos do Brasil às atividades comerciais digitais de empresas americanas" e suposta "censura" contra plataformas de redes sociais dos Estados Unidos, "ameaçando-as com multas de milhões de dólares e expulsão do mercado de mídia social brasileiro". A pressão dessas empresas contra a regulação do setor no Brasil teria influenciado a decisão do presidente Trump de aplicar as tarifas.

Hoje, Lula reafirmou que vai promover a regulação das chamadas big techs – as gigantes que controlam as plataformas digitais. "Nós vamos fazer regulação porque eles têm que respeitar a legislação brasileira. Não pode ficar promovendo ódio entre os adolescentes, contando mentira, tentando destruir a democracia e o Estado de direito e democrático. Esse país tem lei e mais do que lei, esse país tem um povo que tem vergonha na cara, caráter e coragem para saber se defender", afirmou.

Outro argumento de Donald Trump para a taxação seria o prejuízo na relação comercial com o Brasil. "A terceira coisa que também o presidente americano foi mal informado", disse Lula. "Se você pegar serviços e comércio, os Estados Unidos tem um superávit, em 15 anos, de US$ 410 bilhões. Então, quem deveria estar reclamando éramos nós. E nós não estamos reclamando, estamos querendo negociar", acrescentou.

Por fim, Lula afirmou que está tranquilo, mas que o Brasil vai tomar as suas posições. O governo estuda responder ao tarifaço com a Lei de Reciprocidade Econômica, mas não sem antes esgotar as vias de diálogo.

"Eu não só estou negociando, como estou colocando o meu companheiro, o vice-presidente da República, que é um homem calejado, para ser um negociador. E ele, obviamente, que não fala rouco como eu, não parece bravo como eu, ele é todo gentil. Mas ele sabe que o Brasil tem razão", disse o presidente em Osasco.

Prefeitos e governadores 
O presidente reclamou que prefeitos e governadores têm escondido o governo federal em anúncios de investimentos e de obras locais.

A reclamação se deu durante cerimônia no bairro do Jardim Rochdale, em Osasco (SP). Lula anunciou investimentos do programa PAC Seleções 2025 Periferia Viva - Urbanização de Favelas. Segundo a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), serão destinados R$ 4,67 bilhões para ações em 49 territórios periféricos de 32 municípios de 12 estados.

"Se tiver mais projeto, prefeito, apresente. Nossos deputados viram aqui a lista das cidades. Tem prefeito que sequer fala que tem convênio com o governo federal. 'Nego' faz propaganda e não coloca nem o nosso nome em letra minúscula. Tem governador que a gente dá bilhões e, quando você vai lá, não tem nenhuma marca do governo federal. Não quero que ninguém faça propaganda de mim, só quero que digam a verdade e de onde vem o dinheiro", afirmou.


Com informações da Agência Brasil e do Estadão

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