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Sáb, 07 de Novembro
Política

Lula deixa carceragem da PF em Curitiba com discurso de "campanha", mesmo inelegível

Em discurso na sexta-feira (8), ao ganhar a liberdade depois de 580 dias, o ex-presidente diz que sai sem ódio, mas que vai rodar o País para combater a injustiça contra ele e defender a soberania nacional 

08 nov 2019 - 18h45   atualizado em 02/12/2025 às 09h39
Lula deixa carceragem da PF em Curitiba com discurso de "campanha", mesmo inelegível Lula saindo da carceragem, acompanhado por Fernando Haddad, deputado Emidio de Souza e Gleisi Hoffman, (Foto: Gibran Mendes / CUT Paraná)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou há pouco a carceragem da Polícia Federal (PF) em Curitiba após a decisão da Justiça Federal que autorizou sua soltura. Lula estava preso desde 7 de abril do ano passado pela condenação no caso do triplex do Guarujá (SP), um dos processos da Operação Lava Jato.

Lula deixou a sede da PF pela porta da frente, acompanhado por parlamentares do PT e seus advogados. Ele caminhou em direção aos apoiadores que o esperavam em um palco, onde fez um pronunciamento aos militantes.

Em um discurso de aproximadamente 20 minutos, Lula agradeceu aos militantes do PT que fizeram um acampamento na frente da PF em Curitiba durante os 580 dias de duração da prisão. O ex-presidente também disse que vai retornar para São Paulo e participará de reuniões no Sindicato dos Metalúrgicos durante o fim de semana.

"Não pensei que no dia de hoje poderia estar aqui, conversando com homens e mulheres que, durante 580 dias, gritaram aqui 'bom dia, Lula'. Vocês eram o alimento da democracia para eu resistir", afirmou.

Críticas a Bolsonaro

"Todo santo dia, vocês eram o alimento da democracia que eu precisava para resistir à safadeza e à canalhice que um lado podre do estado brasileiro, da Justiça, do Ministério Público, da Polícia Federal, da Receita Federal que trabalharam para criminar o PT, criminar o Lula", discursou Lula. "Eles não prenderam um homem, tentaram matar uma ideia. E uma ideia não se mata, uma ideia não desaparece", afirmou.

Lula criticou o governo de Jair Bolsonaro e precarização dos trabalhadores brasileiros. "O povo está trabalhando de Uber, o povo está trabalhando de bicicleta entregando pizza, o povo está trabalhando sem nenhum respeito", afirmou. 

PSDB

Em nota oficial assinada pelo presidente da legenda, Bruno Araújo, no começo da noite, o PSDB disse que "nos últimos meses os chamados partidos de esquerda ficaram na "cômoda" posição de não participar do esforço nacional de recuperação das dificuldades criadas ao longo de seus governos para ficarem na confortável posição do grito "Lula Livre". 

Os apoiadores de Lula, "inelegível pela lei da ficha suja", se recusaram a dialogar, votaram contra as reformas que adequaram o Estado aos novos tempos e sequer propuseram saídas para a crise em que jogaram o Brasil. 

Lula, Dilma Rousseff - sucessora escolhida por ele - e o PT são os responsáveis diretos pela maior recessão de nossa história, pelo déficit fiscal explosivo, pela alta taxa do desemprego, e pela subsequente estagnação da economia. Propiciaram também a volta do crescimento da pobreza registrado a partir de 2015, segundo pesquisa do IBGE divulgada esta semana, após uma longa série de avanços que remontava aos anos 90. 

Decisão judicial se respeita. A soltura do ex-presidente Lula, entretanto, pode alimentar ainda mais um clima de intolerância na sociedade brasileira, no qual polos extremos preferem se hostilizar ao invés de dialogar. 

STF

A liberdade do ex-presidente foi proferida pelo juiz Danilo Pereira Júnior, após a defesa de Lula pedir a libertação do ex-presidente com base na decisão proferida ontem (7) pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que derrubou a validade da execução provisória de condenações criminais, conhecida como prisão após a segunda instância.

Inelegível

Segundo a jurista Jacqueline Valles, a decisão do STF não anulou a condenação do ex-presidente Lula. "Apenas determinou que se faça cumprir a Constituição e o Código de Processo Penal que diz, claramente, que a pena de um condenado só pode ser aplicada após o trânsito em julgado, ou seja, quando esgotarem todas as possibilidades de recurso. Condenado em primeira e segunda instância, o ex-presidente Lula não poderia ser candidato a um cargo público porque isso contraria a Lei da Ficha Limpa, que declara inelegíveis os candidatos condenados em segunda instância".

A Lei da Ficha Limpa não depende do trânsito em julgado, tem um critério diferenciado, que envolve a idoneidade da pessoa em termos de elegibilidade. A constitucionalidade dessa lei já foi discutida. Então, quando a pessoa é condenada e essa condenação é confirmada em segunda instância, já a torna inelegível. Isso independe de ainda estar sendo discutida a sua culpa até o trânsito em julgado." 



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