Governador de SP, Tarcísio de Freitas
(Imagem: Marcelo S. Camargo / Governo do Estado de SP)
A formação do novo secretariado do governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), envolve mais do que mudanças administrativas. As negociações para o segundo mandato, que começa em janeiro de 2027, também fazem parte de uma estratégia para ampliar a influência de seu grupo político nas eleições municipais de 2028 e preparar o terreno para uma possível candidatura à Presidência da República em 2030.
Reeleito em primeiro turno, com quase 63% dos votos válidos, Tarcísio pretende reformular áreas estratégicas do governo e ampliar a participação dos partidos que apoiaram sua campanha. As mudanças devem atingir a Casa Civil, além das secretarias de Justiça, Saúde, Turismo, Esportes e Políticas para a Mulher.
Uma das principais alterações em discussão é a transferência de Natália Resende, atual secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, para a Casa Civil. Considerada uma das auxiliares mais próximas do governador, ela coordenou a elaboração do plano de governo apresentado na campanha de reeleição.
Na Secretaria de Governo e Relações Institucionais, a tendência é de permanência de Roberto Carneiro, presidente estadual do Republicanos, responsável pela articulação política com deputados e partidos aliados.
As movimentações também refletem a perda de espaço do PSD, comandado por Gilberto Kassab, que deixou o governo para disputar as eleições de 2026 como candidato a vice-presidente na chapa de Ronaldo Caiado. Siglas como MDB, PL, Republicanos, PP e Podemos buscam ampliar sua participação na administração estadual.
Ricardo Salles é cotado para a Justiça
Entre as novidades está a possível entrada do deputado federal Ricardo Salles (Novo), ex-ministro do Meio Ambiente do governo Jair Bolsonaro, na Secretaria da Justiça e Cidadania.
Segundo informações divulgadas pela imprensa, as negociações avançaram após Salles desistir de disputar o Senado e apoiar André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP), candidatos respaldados por Tarcísio e eleitos em outubro.
A eventual nomeação, entretanto, pode gerar divergências com o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), que mantém uma relação política próxima com o governador. Salles já fez críticas públicas ao prefeito e é apontado por aliados como possível interessado na disputa municipal de 2028.
Na Saúde, o governo busca um substituto para Eleuses Paiva, que manifestou intenção de deixar o cargo. Maurício Serpa, integrante da administração municipal de São Paulo, aparece entre os nomes considerados, enquanto partidos aliados também apresentam indicações.
Sucessão estadual e projeto presidencial
As articulações para 2030 incluem dois possíveis nomes para a sucessão de Tarcísio no governo paulista: Natália Resende e Ricardo Nunes.
De acordo com reportagem da Folha de S.Paulo publicada na quarta-feira (4), integrantes do PL, Republicanos e MDB consideram Natália uma alternativa, embora o governo tenha negado anteriormente a existência de planos eleitorais para a secretária.
Já Ricardo Nunes, que encerrará seu segundo mandato na Prefeitura de São Paulo em 2028, precisará construir uma candidatura capaz de manter seu grupo político no comando da capital. O fortalecimento do MDB no governo estadual é visto como parte dessa aproximação.
O atual secretário de Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, também deve permanecer na administração. Nos bastidores, seu nome é considerado uma possibilidade para compor como vice uma futura chapa apoiada por Nunes na disputa municipal.
O próprio Tarcísio admitiu recentemente a possibilidade de concorrer à Presidência da República em 2030, condicionando essa decisão ao desempenho de seu segundo mandato e ao cenário político daquele momento.
As mudanças no secretariado ainda não foram integralmente anunciadas. A expectativa é de que a nova composição seja definida nas próximas duas semanas.