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Política

Bruna critica novatos de ‘salto alto’ e bate de frente com filhos de Bolsonaro

Nos primeiros dois meses do terceiro mandato, deputada barueriense foi enfática sobre atuação de parlamentares 

06 mai 2019 - 00h21   atualizado em 02/12/2025 às 09h40
Bruna critica novatos de ‘salto alto’ e bate de frente com filhos de Bolsonaro A postura adotada pelo governo federal também bate de frente com a atuação de Bruna nos últimos anos(Câmara)

Os primeiros dias do novo mandato da deputada federal Bruna Furlan (PSDB) tiveram momentos de crítica aos filhos do presidente Jair Bolsonaro (PSL), a defesa da importância da bancada feminina e um puxão de orelha em novatos que entraram na Casa de 'salto alto'.

Discursos da parlamentar na Câmara dos Deputados, levantados pela Folha de Alphaville, mostram um pouco da atuação da deputada que deu início ao terceiro mandato em fevereiro.

Bruna foi reeleita ano passado, em um momento em que a onda bolsonarista impulsionou uma renovação de 47% das cadeiras da Casa. A mudança tornou ela uma das mais experientes do legislativo. Com isso protagonizou alguns rápidos choques com o grupo do PSL.

Em 26 de março, por exemplo, a tucana usou a tribuna para defender o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM). O político foi atacado pelo vereador carioca Carlos Bolsonaro (PSC), em um episódio que levou a uma crise entre legislativo e o poder executivo.

"Presidente Rodrigo, sei que é matéria superada, [mas] gostaria de me solidarizar com o senhor. O senhor foi vítima de ataques nas redes sociais no fim de semana, de pessoas que apoiam o Bolsonaro e isso foi orquestrado pelo filho do presidente", disse Bruna. "Eu gostaria de dizer que os votos que o presidente Bolsonaro precisa, ele tem que conseguir agora nas redes sociais com o apoio do seu filho".

Ataques
Os ataques de Carlos, que costuma cuidar do twitter do pai, ocorreram em meio a tentativa de conseguir votos para a reforma da previdência. O presidente tem sido criticado por não ter conseguido articular uma base que garantisse a aprovação do projeto. Durante o episódio, acusou deputados de tentarem fazer a "velha política", o que irritou parlamentares.

Maia e o presidente botaram panos quentes na situação, mas ainda há rusgas sobre o projeto. Bruna também se incomodou com o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL), quando assumiu a presidência da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional. Esta comissão foi presidida por ela na última legislatura e foi uma das marcas do seu mandato. Os trabalhos dela são responsáveis por temas como a imigração e a relação do país com vizinhos.

A tucana não gostou da forma que Eduardo tratou colegas logo nas primeiras reuniões da comissão. O deputado Glauber Rocha (PSOL-RJ) questionava o encontro de Bolsonaro com o presidente americano Donald Trump e alegava que a postura foi condescendente e foi interrompido por Eduardo. "Você tá muito de salto alto presidente, baixa o nariz, aqui é de igual para igual, não é de cima para baixo", disse Bruna.

Postura
A postura adotada pelo governo federal também bate de frente com a atuação de Bruna nos últimos anos. A parlamentar presidiu a comissão que tratava da lei de migração e criticou no ano passado a política adotada pelo presidente Donald Trump com relação aos estrangeiros que chegaram aos Estados Unidos. Logo que assumiu, uma das primeiras medidas de Bolsonaro foi anunciar a saída do pacto de migração da Onu, seguindo a posição de Trump.

Bruna é a favor da regulação da imigração, mas de uma lei que busque garantir os direitos das pessoas que se refugiarem no Brasil. "O imigrante é alguém que vem somar os esforços para o nosso país", falou no passado.

Apesar dos atritos no início, Bruna não é opositora do presidente e o episódio com Eduardo aparentemente foi superado. Na última sessão da Comissão de Relações Exteriores, Bruna elogiou os militares, disse ser a favor da proposta de reforma da previdência da classe e foi elogiada por Eduardo.

Bancada feminina
Bruna também reforçou a participação na bancada feminina e tem defendido que os interesses das mulheres devem se sobrepor às questões partidárias. Ela elogiou a deputada Tabata Amaral (PDT), que discursou sobre a necessidade dessa integração.

"Cada um vê a vida sobre um ponto de vista, mas isso não nos faz melhor ou pior. Hoje vejo [na Câmara] muito esquerda, direita, centro. Veja, nós temos muitas diferenças, mas o que temos em comum é a vontade de que as coisas deem certo, de que o país cresça", pontuou.

Ela citou na sequência que Tabata não chegou como alguns novatos no legislativo. "A gente vê muita gente chegando de primeiro mandato aqui, de salto alto. E de várias idades. Agora de repente uma menina de 25 anos mostra com tanta clareza, com tanta convicção de que nós não somos pessoas partidas". Tabata ganhou projeção ao confrontar o então ministro da Educação, Vélez Rodrigues, pela falta de projetos para o setor. Vélez seria demitido dias depois. 

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