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GIGANTE DO ENTRETENIMENTO

Paramount conclui compra da Warner por US$ 110 bilhões e cria novo império de Hollywood

08 out 2026 - 12h51 Aliz Lambiazzi   atualizado às 13h23
Paramount conclui compra da Warner por US$ 110 bilhões e cria novo império de Hollywood Fusão entre Warner Bros. e Paramount é uma das maiores do segmento (Imagem: Imagem criada por IA)

A indústria mundial do entretenimento ganhou um novo gigante. A Paramount concluiu na terça-feira (6) a aquisição da Warner Bros. Discovery, em uma operação avaliada em aproximadamente US$ 110 bilhões, incluindo dívidas.

O negócio, um dos maiores da história do setor, reúne estúdios centenários de Hollywood, plataformas de streaming, canais de televisão e algumas das franquias mais populares do cinema sob o controle de uma única empresa, que passa a se chamar Skydance.

A conclusão da compra encerra uma disputa que envolveu a Netflix e enfrentou questionamentos de autoridades reguladoras norte-americanas. O novo conglomerado será comandado por David Ellison, empresário de 43 anos e filho de Larry Ellison, cofundador da Oracle e um dos homens mais ricos do mundo.

A transação foi estruturada com pagamento de aproximadamente US$ 81 bilhões aos acionistas da Warner Bros. Discovery. Considerando também as dívidas, o valor total chega a cerca de US$ 111 bilhões. A nova companhia reúne dois dos cinco grandes estúdios tradicionais de Hollywood e passa a disputar espaço com Disney, Universal, Sony e as gigantes de tecnologia que investem em produções audiovisuais.

Harry Potter, Batman e Top Gun passam a integrar o mesmo grupo

A dimensão da fusão pode ser percebida pelo catálogo de filmes e séries que passa a pertencer ao mesmo conglomerado. Produções historicamente associadas a estúdios concorrentes agora estão reunidas sob uma única estrutura empresarial.

Entre as franquias estão Harry Potter, Batman, Superman, Mulher-Maravilha, Matrix, O Senhor dos Anéis, Missão: Impossível, Top Gun, Star Trek e Transformers.

Na televisão e no entretenimento infantil, o grupo concentra títulos como Game of Thrones, House of the Dragon, The White Lotus, Bob Esponja, Scooby-Doo, Tom e Jerry e Looney Tunes.

O negócio também coloca sob o mesmo controle os estúdios Warner Bros., Paramount Pictures, New Line Cinema e CBS Studios, além de empresas de jogos eletrônicos, como a Warner Bros. Games, e marcas ligadas à DC Comics.

No segmento de televisão, a Skydance reúne redes como HBO, CBS, CNN, TNT, MTV, Discovery, Nickelodeon e Food Network. A companhia também passa a controlar operações esportivas importantes, incluindo CBS Sports e TNT Sports.

A concentração desse catálogo amplia o poder de negociação do grupo com cinemas, anunciantes, distribuidores e plataformas digitais.

O que muda para quem assina HBO Max e Paramount+?

Uma das principais consequências para o público será a futura integração das plataformas de streaming. Atualmente, HBO Max e Paramount+ funcionam como serviços independentes, com assinaturas e catálogos próprios.

A nova controladora confirmou a intenção de reunir gradualmente as operações em uma plataforma unificada, mas ainda não anunciou quando a mudança ocorrerá, qual será o nome do serviço ou como ficarão os preços das assinaturas.

Por enquanto, os consumidores continuam utilizando normalmente os aplicativos existentes.

Além de HBO Max e Paramount+, a companhia controla os serviços discovery+ e Pluto TV, este último com programação gratuita financiada por publicidade.

A integração poderá reunir em um mesmo ambiente produções da HBO, séries da Paramount, filmes dos dois estúdios e conteúdos esportivos. Entretanto, a disponibilidade de cada título dependerá dos contratos de licenciamento e distribuição vigentes em diferentes países, inclusive no Brasil.

Também não há confirmação de que a união resultará em assinaturas mais baratas. Embora a empresa possa reduzir despesas operacionais ao compartilhar infraestrutura, a concentração de conteúdo também amplia seu poder de mercado.

Empresa promete lançar pelo menos 30 filmes por ano

A Skydance anunciou que pretende lançar no mínimo 30 filmes por ano nos cinemas, com um intervalo de pelo menos 45 dias de exibição exclusiva nas salas antes da chegada às plataformas digitais.

A companhia também começa suas atividades com mais de 180 programas e séries de televisão e um público que, somadas as assinaturas de seus diferentes serviços, supera 200 milhões de assinantes. Esse número não representa necessariamente pessoas diferentes, já que um mesmo consumidor pode contratar mais de uma plataforma.

Segundo o comunicado oficial, o investimento conjunto em conteúdo ultrapassou US$ 30 bilhões nos últimos 12 meses.

“Hoje é um dia histórico, não apenas para a Skydance, mas para toda a nossa indústria”, declarou David Ellison ao anunciar a conclusão da aquisição.

O executivo afirmou que o objetivo é fortalecer a capacidade de competição do grupo em um mercado transformado pelo crescimento do streaming e pela entrada de empresas de tecnologia.

Dívida bilionária e possibilidade de demissões preocupam Hollywood

Apesar do tamanho do novo conglomerado, a integração representa um desafio financeiro. A Skydance passa a administrar uma dívida estimada em US$ 80 bilhões e pretende alcançar pelo menos US$ 6 bilhões em economias anuais recorrentes dentro de três anos.

O planejamento inclui a integração de sistemas tecnológicos, contratos com fornecedores, estruturas administrativas, ações de marketing e instalações físicas.

A empresa afirma que a maior parte das economias não deverá vir de cortes de pessoal. Ainda assim, a sobreposição de atividades entre os dois grupos alimenta preocupações com possíveis demissões.

Profissionais da indústria audiovisual também temem que a concentração dos grandes estúdios reduza oportunidades para produções independentes e limite a diversidade criativa. A companhia, por sua vez, afirma que continuará contratando produtoras independentes e licenciando conteúdos para outras empresas.

Para conduzir a integração, Ellison dividirá o comando com Ynon Kreiz, ex-presidente da fabricante de brinquedos Mattel. Kreiz ficará responsável pelas operações diárias, enquanto Ellison concentrará as decisões estratégicas e criativas.

A Skydance estima gerar mais de US$ 10 bilhões em fluxo de caixa livre até 2030 e pretende reduzir seu nível de endividamento até o final de 2029.

Controle da CNN e da CBS levanta debate sobre independência jornalística

A fusão também tem implicações que ultrapassam o entretenimento. Com a aquisição, a Skydance passa a controlar duas das principais organizações jornalísticas dos Estados Unidos: CNN e CBS News.

A concentração despertou questionamentos sobre a independência editorial das emissoras, especialmente diante da proximidade política entre a família Ellison e o presidente norte-americano Donald Trump.

Larry Ellison, pai de David, é um apoiador de Trump. Críticos da operação manifestaram preocupação com a possibilidade de interferência nas decisões editoriais das empresas.

Como parte dos acordos que permitiram concluir a aquisição, David Ellison se comprometeu a criar um conselho de independência editorial para supervisionar a CNN e a CBS News. Especialistas, entretanto, questionam se o mecanismo terá autonomia suficiente para impedir pressões dos controladores.

A nova administração informou que Mark Thompson permanecerá à frente da CNN e Bari Weiss continuará na direção editorial da CBS News, preservando, por enquanto, as estruturas de comando das duas organizações.

Trump comemorou publicamente a conclusão da fusão. A operação havia enfrentado resistência de uma coalizão de 12 Estados norte-americanos, além de questionamentos de entidades ligadas aos profissionais de Hollywood. Os acordos alcançados permitiram superar os principais obstáculos judiciais.

Da disputa com a Netflix ao nascimento da Skydance

A aquisição encerra um processo de consolidação que começou antes da compra da Warner Bros. Discovery. Em agosto de 2025, a produtora Skydance Media, fundada por David Ellison em 2010, concluiu sua fusão com a Paramount.

Pouco depois, o grupo passou a disputar o controle da Warner, enfrentando a concorrência da Netflix e o interesse de outras empresas, como a Comcast.

A operação recebeu autorizações regulatórias em quase 70 jurisdições, incluindo o Brasil, segundo a companhia. Após a conclusão, as ações da Warner Bros. Discovery deixaram de ser negociadas na bolsa Nasdaq, enquanto os papéis da nova Skydance passaram a circular na Bolsa de Nova York, identificados pelo código SKYD.

A família Ellison tornou-se a maior acionista do conglomerado e, em conjunto com a RedBird Capital Partners, concentra o controle dos votos da companhia.

O resultado é uma transformação profunda no mapa da indústria audiovisual: marcas que durante décadas disputaram espectadores, bilheterias e assinaturas agora fazem parte de um mesmo grupo econômico.

Para o público, as mudanças mais visíveis ainda estão por vir, especialmente na integração das plataformas digitais. Para Hollywood, o desafio será descobrir se a concentração de tantos estúdios, personagens e canais produzirá mais conteúdo e inovação ou reduzirá o espaço para a concorrência e a diversidade de produções.

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