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Saúde

São Paulo investiga caso suspeito de Ebola

02 jun 2026 - 12h06 Aliz Lambiazzi   atualizado às 12h10
São Paulo investiga caso suspeito de Ebola Foto Pablo Jacob_Agência SP (1) (Imagem: Pablo Jacob / Agência SP)

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) investiga um caso suspeito de doença pelo vírus Ebola identificado na capital paulista no dia 30 de maio (sábado). O paciente é um homem de 37 anos, procedente da República Democrática do Congo, país que enfrenta atualmente um surto da doença causado pela cepa Bundibugyo.

Segundo as autoridades sanitárias, ele apresentou febre após retornar recentemente do território africano, atendendo aos critérios clínicos e epidemiológicos que definem um caso suspeito.

O paciente está internado em isolamento no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, referência estadual para atendimento de casos suspeitos ou confirmados de doenças infecciosas de alta complexidade. Até o momento, não há confirmação laboratorial da infecção por Ebola.

A investigação é conduzida pela Coordenadoria de Controle de Doenças (CCD) e pelo Centro de Vigilância Epidemiológica de São Paulo (CVE-SP), seguindo os protocolos nacionais e estaduais de vigilância e resposta a doenças de potencial impacto em saúde pública.

Segundo a coordenadora em Saúde da CCD, Regiane de Paula, todas as medidas previstas para esse tipo de ocorrência foram adotadas imediatamente após a identificação do caso.

“Este é um caso suspeito, em investigação. As medidas previstas foram adotadas a partir da identificação dos critérios clínicos e epidemiológicos. O procedimento inclui isolamento, notificação imediata, investigação laboratorial e monitoramento conforme os protocolos vigentes”, afirma.

Estado reforçou orientações à rede de saúde

A ocorrência acontece poucos dias após a atualização da Nota Informativa nº 01/2026 da SES-SP, elaborada em conjunto com o CVE-SP e o Instituto Adolfo Lutz (IAL). O documento orienta hospitais, unidades de saúde e equipes de vigilância epidemiológica sobre os procedimentos a serem adotados diante do surto da doença pelo vírus Ebola em curso na República Democrática do Congo.

As orientações incluem definição de caso suspeito, protocolos de notificação imediata, medidas de isolamento, fluxos assistenciais e procedimentos para coleta e análise de amostras laboratoriais.

No Estado de São Paulo, qualquer suspeita da doença deve ser comunicada imediatamente às vigilâncias epidemiológicas municipais e ao Centro de Vigilância Epidemiológica. O Instituto Adolfo Lutz é responsável pelos exames laboratoriais e pelo diagnóstico diferencial que permitirá confirmar ou descartar a infecção.

Experiência anterior com casos suspeitos

Embora o Ebola seja considerado uma das doenças infecciosas mais graves do mundo, o Brasil nunca registrou transmissão local da enfermidade. Durante a Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional relacionada ao vírus, em 2014, o Instituto Emílio Ribas recebeu três pacientes considerados suspeitos. Todos os casos foram posteriormente descartados após investigação laboratorial.

A SES-SP destaca que o instituto permanece preparado para atender ocorrências desse tipo, contando com protocolos específicos de biossegurança e equipes treinadas para lidar com agentes infecciosos de alto risco.

Risco de introdução da doença segue considerado baixo

Apesar da investigação em andamento, a avaliação técnica da Secretaria da Saúde indica que o risco de introdução do Ebola no Brasil e na América do Sul continua sendo muito baixo.

Entre os fatores considerados pelas autoridades estão a ausência histórica de transmissão autóctone da doença no continente sul-americano, a inexistência de voos diretos entre as áreas afetadas do Congo e a América do Sul e, principalmente, a forma de transmissão do vírus.

Diferentemente de doenças respiratórias, o Ebola não se espalha pelo ar. A transmissão ocorre por contato direto com sangue, secreções, fluidos corporais ou tecidos de pessoas infectadas que já apresentam sintomas da doença.

Outro aspecto ressaltado pela SES-SP é que indivíduos infectados não transmitem o vírus antes do surgimento dos sintomas, o que reduz significativamente o risco de disseminação inadvertida.

Mesmo diante desse cenário, as autoridades orientam os serviços de saúde a manter atenção especial a pacientes com febre e histórico de viagem, nos últimos 21 dias, para regiões com circulação do vírus. Também devem ser monitoradas pessoas que tenham mantido contato direto com fluidos corporais de casos suspeitos ou confirmados.

Sintomas podem evoluir para quadros graves

A doença pelo vírus Ebola costuma se manifestar de forma repentina. Os sintomas iniciais incluem febre alta, dor de cabeça intensa, dores musculares, fadiga, náuseas, vômitos, diarreia e dor abdominal.

Nos casos mais severos, a infecção pode evoluir para hemorragias, choque circulatório e falência múltipla de órgãos. O período de incubação varia entre dois e 21 dias.

Pessoas consideradas expostas ao vírus, mas que não apresentam sintomas, devem ser acompanhadas diariamente durante três semanas para monitoramento de possíveis sinais da doença.

Cepa atual não possui vacina específica

A cepa Bundibugyo, responsável pelo surto atualmente registrado na República Democrática do Congo, representa um desafio adicional para as autoridades sanitárias. De acordo com a SES-SP, ainda não existem vacinas licenciadas nem tratamentos específicos aprovados para essa variante.

As vacinas e terapias atualmente disponíveis foram desenvolvidas para a cepa Zaire do vírus Ebola e não possuem eficácia comprovada contra a variante Bundibugyo.

Enquanto a investigação segue em andamento, os exames laboratoriais realizados pelo Instituto Adolfo Lutz deverão determinar se o paciente internado em São Paulo realmente está infectado pelo vírus. Até que haja resultado conclusivo, o caso permanece classificado como suspeito e sob monitoramento rigoroso das autoridades de saúde.

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