Obra “Cosmic Thing” traz fusca completamente desmontado
(Imagem: Helene Toresdotter_Malmö konsthall)
Até o dia 13 de setembro, o MASP apresenta a exposição “Damián Ortega: matéria e energia”, que reúne mais de três décadas de produção do artista mexicano Damián Ortega. Considerado um dos nomes mais relevantes da arte contemporânea latino-americana, Ortega constrói uma obra marcada pela investigação de materiais, formas e sistemas de organização do cotidiano.
A mostra, que marca a primeira exposição panorâmica do artista na América do Sul e também sua primeira individual em um museu da cidade de São Paulo, reúne 35 obras entre esculturas, fotografias, vídeos e instalações.
Com curadoria de Adriano Pedrosa, Rodrigo Moura e Yudi Rafael, a exposição convida o público a revisitar objetos comuns e refletir sobre temas como trabalho, consumo, tempo, linguagem e urbanização.
Em sua prática artística, Ortega desmonta, reorganiza e reconfigura elementos do cotidiano em novas estruturas, deslocando seus significados originais e criando leituras sociais, econômicas e políticas. A relação entre força, equilíbrio, gravidade e resistência também aparece como eixo central de sua produção, aproximando a escultura da engenharia de forma lúdica e experimental.
Entre os destaques está a obra inédita no Brasil “Cosmic Thing” (“Coisa Cósmica”), de 2002, em que um fusca completamente desmontado aparece suspenso no espaço, com todas as peças aparentando flutuar. A instalação ressignifica um dos automóveis mais populares da América Latina e propõe reflexões sobre industrialização, mobilidade, consumo e ascensão social nas grandes cidades da região.
Outro trabalho emblemático é “Controller of the Universe” (“Controlador do Universo”), de 2007, instalação formada por ferramentas como pás, machados, marretas e serrotes que parecem congeladas em meio a uma explosão.
A obra dialoga diretamente com o mural “O homem controlador do universo”, de Diego Rivera, reinterpretando criticamente o imaginário do progresso industrial e tecnológico.
Sobre o artista
Expoente da cena artística mexicana dos anos 1990, Ortega iniciou sua trajetória como cartunista político no jornal La Jornada, desenvolvendo um olhar crítico que permanece presente em sua produção.
Em 2006, fundou a editora Alias, dedicada à tradução e publicação de textos fundamentais da arte contemporânea para o público de língua espanhola, incluindo obras de artistas brasileiros como Hélio Oiticica e Lygia Clark. Os ingressos estão disponíveis no site oficial do MASP (masp.org.br).