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Reconhecimento

Ranking elege melhores empresas para trabalhar em Barueri e região em 2026

01 set 2026 - 13h06 Aliz Lambiazzi   atualizado às 13h08
Ranking elege melhores empresas para trabalhar em Barueri e região em 2026 O ranking de Barueri e Região chegou à 12ª edição em 2026 (Imagem: Cauber Drone / Secom Barueri)

A Cielo, a Livelo e a Strategios Group conquistaram o primeiro lugar entre as grandes, médias e pequenas empresas, respectivamente, no ranking Melhores Empresas Para Trabalhar Barueri e Região 2026, divulgado pelo Great Place To Work (GPTW). A premiação da 12ª edição foi realizada nesta segunda-feira (31), em Alphaville, Barueri.

Ao todo, 124 empresas participaram do processo de avaliação neste ano, com impacto sobre 130.404 funcionários. Dessas, 45 chegaram ao ranking: sete grandes, 23 médias e 15 pequenas.

Entre as grandes empresas, o pódio foi formado por Cielo, Embracon Administradora de Consórcio e AstraZeneca do Brasil. Na categoria de médias empresas, as três primeiras colocadas foram Livelo, Chiesi e Harald. Já entre as pequenas, Strategios Group, AdSeleto e LEAP Soluções Contábeis e Tributárias ocuparam, respectivamente, as três primeiras posições.

A edição deste ano também trouxe renovação ao ranking: 15 das 45 vencedoras, o equivalente a um terço das premiadas, conquistaram o reconhecimento pela primeira vez. Na outra ponta, quatro empresas demonstram presença recorrente na lista e foram premiadas em pelo menos dez das 12 edições realizadas.

Além de apontar as organizações com os melhores ambientes de trabalho, o estudo traça um retrato do mercado corporativo da região. Tecnologia da Informação permanece como o setor de maior presença entre as vencedoras pelo terceiro ano consecutivo, enquanto orgulho e camaradagem aparecem entre os pontos mais bem avaliados pelos funcionários. Quinze empresas estrearam na lista neste ano e quatro já foram reconhecidas em pelo menos dez das 12 edições.

Em entrevista exclusiva à Folha de Alphaville, as sócias-diretoras do GPTW Barueri e Região, Bárbara Gianetti e Luise Freitas, destacam que a concentração de empresas e a disputa por mão de obra qualificada ajudam a explicar por que a cultura organizacional ganhou relevância no polo empresarial.

“Alphaville combina concentração empresarial, diversidade de setores e uma disputa intensa por bons profissionais. Isso faz com que cultura e gestão de pessoas deixem de ser apenas uma pauta de RH e se tornem um diferencial competitivo”, afirma Bárbara Gianetti.

O GPTW não mantém um levantamento que permita afirmar onde Alphaville se posiciona em número de empresas reconhecidas na comparação com polos como Faria Lima, Avenida Paulista ou Campinas. Segundo as executivas, porém, a existência de um ranking regional há 12 anos demonstra a consolidação desse ecossistema empresarial. Historicamente, Barueri também concentra parcela importante das vencedoras: em 2023, por exemplo, 35 das 45 premiadas estavam no município.

“Alphaville não deve ser analisada apenas pela quantidade de empresas instaladas aqui, mas pela relevância e diversidade dessas organizações e pelo nível de sofisticação que a competição por talentos exige”, analisa Luise Freitas.

Tecnologia mantém liderança

Entre as vencedoras de 2026, 14 são do setor de Tecnologia da Informação, que lidera o ranking pelo terceiro ano seguido. Serviços Financeiros e Seguros vêm na sequência, com oito empresas, seguidos por Serviços Profissionais, com quatro. Varejo e Biotecnologia/Farmacêutico têm três representantes cada.

Produção e Manufatura, Agricultura, Silvicultura e Piscicultura, Construção, Engenharia, Entretenimento, Imobiliário, Serviços de Saúde e Serviços Industriais aparecem com uma empresa cada. Outras cinco vencedoras declararam atuar em setores não relacionados nas categorias do estudo. São, no total, mais de 14 segmentos representados.

Para Bárbara, essa variedade é um dos aspectos mais importantes do resultado.

“Tecnologia e serviços financeiros têm grande peso, mas talvez o dado mais interessante seja a diversidade. A região já não pode ser definida por um único perfil de empresa”, diz.

A presença de sedes corporativas e grandes companhias também influencia o perfil do mercado de trabalho local. Funções estratégicas, lideranças e profissionais especializados aumentam a pressão por políticas de desenvolvimento, inovação e gestão de pessoas. Ao mesmo tempo, o levantamento reúne organizações de diferentes portes.

“A presença de grandes corporações eleva a régua do mercado, mas uma das coisas mais interessantes do ranking é ver empresas menores competindo por talentos a partir da cultura, da proximidade e da agilidade”, diz Luise.

Sentimento de equipe é principal diferença

Um dos achados mais expressivos aparece quando o GPTW compara as organizações premiadas com aquelas que participaram do estudo, mas não chegaram ao ranking.

Na afirmação “Existe um sentimento de ‘família’ ou de ‘equipe’ por aqui”, as vencedoras alcançaram 92 pontos, contra 75 das não premiadas. A diferença de 17 pontos é a maior encontrada no levantamento.

Outro contraste aparece na avaliação de um ambiente amistoso: 97 pontos entre as premiadas e 86 entre as demais. Na percepção de que todos estão “no mesmo barco”, as notas foram de 87 e 77, respectivamente.

“Em uma região muito competitiva, chama atenção justamente a força das relações. As melhores empresas conseguem combinar alta exigência com pertencimento, confiança e orgulho”, afirma Luise.

A sócia-diretora da GPTW chama atenção ainda para uma característica particular de Alphaville: a proximidade física entre empresas que disputam os mesmos profissionais. “Aqui, muitas vezes o concorrente por um talento está a poucos quilômetros de distância. Isso aumenta a importância da experiência que a empresa oferece, porque salário sozinho é muito mais fácil de comparar e replicar do que cultura.”

Confiança permanece em 88 pontos

O Trust Index (Índice de Confiança) médio das melhores empresas da região ficou em 88 pontos em 2026, mesmo resultado do ano passado e acima dos 87 registrados em 2024. O índice reflete a percepção dos funcionários sobre as organizações.

Entre as cinco dimensões analisadas, orgulho e camaradagem tiveram as maiores notas, ambas com 90 pontos. Credibilidade marcou 88; respeito, 87; e imparcialidade, 86.

Nas organizações que não chegaram ao ranking, os resultados foram inferiores em todas as dimensões: 81 em credibilidade e respeito, 79 em imparcialidade e 84 tanto em orgulho quanto em camaradagem.

Para Luise, uma das práticas que podem servir de referência para outros polos empresariais está na maneira como as empresas transformam pesquisas internas em instrumentos permanentes de gestão.

“Uma referência importante de Alphaville é usar cultura como dado de gestão. Escutar uma vez é pesquisa; escutar continuamente e agir sobre os resultados é gestão”, frisa.

Respeito e acolhimento estão entre as maiores notas

Os funcionários das empresas vencedoras deram algumas das melhores avaliações a questões relacionadas a tratamento igualitário.

A percepção de que as pessoas são bem tratadas independentemente de cor ou etnia e orientação sexual alcançou 98 pontos. O tratamento independentemente de gênero, idade e a avaliação de que o local é amistoso para trabalhar atingiram 97 pontos.

A segurança física e a sensação de ser bem recebido ao entrar na empresa marcaram 96 pontos. Já 95 pontos dos trabalhadores correspondem à avaliação de orgulho em contar às outras pessoas onde trabalham. A honestidade e ética das lideranças obtiveram 94 pontos.

Bárbara resume o que esse conjunto de indicadores revela sobre as expectativas atuais dos profissionais: “o profissional não quer apenas trabalhar em uma marca reconhecida. Ele quer entender como será tratado, se terá voz, oportunidades e se existe coerência entre o discurso e a experiência real”.

Salário, promoção e reconhecimento continuam sendo desafios

O fato de pertencerem ao grupo das melhores empresas para trabalhar, no entanto, não significa ausência de insatisfação.

A pergunta sobre a justiça no valor recebido como participação nos resultados teve apenas 71 pontos, menor nota entre os aspectos destacados pelo estudo. A percepção de que promoções são concedidas a quem realmente merece e de que a remuneração é adequada ficou em 76 pontos.

A participação dos funcionários nas decisões que afetam seu trabalho e a percepção de ausência de favoritismo receberam 77 pontos. A oportunidade de obter reconhecimento especial atingiu 79.

Curiosamente, embora sejam pontos fracos entre as próprias vencedoras, a diferença em relação às empresas que ficaram fora do ranking continua considerável. A nota sobre participação nos resultados, por exemplo, cai de 71 para 59 entre as não premiadas. Em promoção e remuneração, passa de 76 para 67.

“O desafio agora não é apenas criar bons lugares para trabalhar, mas fazê-los evoluir na velocidade das mudanças. IA, saúde mental, novas competências e modelos de trabalho exigirão uma liderança ainda mais preparada”, avalia Luise.

O que faz um funcionário permanecer

O levantamento também perguntou qual é o principal motivo para que os profissionais continuem trabalhando nas melhores empresas da região.

Em 2026, qualidade de vida aparece em primeiro lugar, com 35%, ultrapassando oportunidade de crescimento, apontada por 33%. O cenário representa uma mudança em relação a 2024, quando crescimento profissional liderava com 42%.

Remuneração e benefícios aparecem em seguida, citados por 16% dos funcionários. Alinhamento de valores representa 11% e estabilidade, 6%. O gráfico mostra ainda que remuneração e benefícios ganharam peso nos últimos anos: eram mencionados por 11% em 2024 e 12% em 2025, antes de alcançar 16% neste ano.

Para Bárbara, as empresas que pretendem se diferenciar precisam olhar para toda a experiência do profissional, e não para iniciativas isoladas.

“A diferenciação está cada vez menos em uma ação isolada e mais na jornada completa: como a pessoa chega, é liderada, se desenvolve, é reconhecida e consegue enxergar futuro dentro daquela organização”, aponta.

Mulheres ainda são minoria no topo

O estudo também revela uma diferença expressiva entre a presença feminina no quadro de funcionários e nos postos mais altos das organizações vencedoras.

Em 2026, as mulheres correspondem, em média, a 45% dos colaboradores, enquanto os homens representam 55%.

Na alta liderança, porém, elas ocupam apenas 25% dos cargos, ante 75% dos homens. Na média liderança, a participação feminina chega a 37%, enquanto nas demais posições de gestão alcança 44%.

A diferença é ainda maior entre os principais executivos: apenas 6% dos cargos de CEO são ocupados por mulheres. O indicador subiu em relação aos 4% de 2025, mas continua abaixo dos 11% registrados em 2024.

Inovação melhora, mas só 22% estão no estágio mais avançado

Outra frente avaliada pelo GPTW é o Índice da Velocidade da Inovação (IVR), indicador que mede a capacidade da força de trabalho para se adaptar e inovar. O instituto divide as organizações em três estágios: acelerado, funcional e atrito.

Entre as melhores empresas da região, 22% estão no estágio acelerado, 47% no funcional e 31% ainda apresentam nível de atrito. A comparação com as não premiadas mostra uma distância relevante: neste segundo grupo, apenas 4% estão no estágio acelerado e 66% permanecem no estágio de atrito.

Para Bárbara, o ambiente empresarial diversificado de Alphaville pode favorecer a circulação de ideias e práticas entre setores diferentes. “Quanto mais diverso o ecossistema empresarial, maior a possibilidade de troca. Uma prática criada em tecnologia pode inspirar uma indústria; uma experiência do varejo pode provocar uma empresa financeira.”

Na avaliação da executiva, essa combinação de competição e relacionamento ajuda a sintetizar o perfil das melhores empresas locais.

“Alphaville é um ambiente de alta performance, mas os dados mostram que excelência não precisa significar relações frias. As melhores empresas daqui conseguem transformar competitividade em colaboração e pertencimento”, afirma.

Luise complementa: “se eu tivesse que resumir em uma característica, diria capacidade de evolução. Alphaville mudou muito como polo empresarial, e as empresas que mais se destacam são justamente as que conseguem evoluir sem perder a confiança das pessoas”.

Veja as vencedoras do GPTW Barueri e Região 2026

Na categoria Grandes, a classificação ficou assim:

- 1º Cielo;
- 2º Embracon Administradora de Consórcio;
- 3º AstraZeneca do Brasil;
- 4º Odontoprev;
- 5º Capgemini Brasil;
- 6º Banco Bradesco; e
- 7º C&A.

Entre as Médias, as vencedoras são:

- 1º Livelo;
- 2º Chiesi;
- 3º Harald;
- 4º Hilti do Brasil Comercial Ltda;
- 5º Edenred Frete;
- 6º Motiva;
- 7º Carglass;
- 8º epharma;
- 9º Assurant;
- 10º Equifax BoaVista;
- 11º Iguatemi Alphaville;
- 12º Ingram Micro;
- 13º Cateno;
- 14º P4 Engenharia;
- 15º Deal Technologies;
- 16º Darede à Nuvem;
- 17º SoftwareOne;
- 18º Colliers International;
- 19º Crowe;
- 20º Celcoin;
- 21º Coris;
- 22º Credsystem; e
- 23º Ingersoll Rand.

Na categoria Pequenas, aparecem:

- 1º Strategios Group;
- 2º AdSeleto;
- 3º LEAP Soluções Contábeis e Tributárias Ltda;
- 4º Sorte na Bet; 5º Stix;
- 6º Hanna Instruments Brasil;
- 7º Binatural Energias Renováveis;
- 8º UN Cenografia;
- 9º Colorcon;
- 10º Meeta;
- 11º Aços Urano;
- 12º BPCE Equipment Solutions Brasil;
- 13º HeadsOn;
- 14º Nova8 Cybersecurity; e
- 15º Essence IT Ltda.

Para participar do ranking regional, a organização precisa ter ao menos 30 funcionários, CNPJ ativo e sede em Barueri, Carapicuíba, Cotia, Itapevi, Jandira, Osasco, Pirapora do Bom Jesus ou Santana de Parnaíba. Também é necessário ser certificada pelo GPTW e atingir a amostra mínima exigida. As empresas são divididas entre pequenas, de 30 a 99 funcionários; médias, de 100 a 999; e grandes, com mais de mil.

Sobre o GPTW

O Great Place To Work (GPTW) é uma organização especializada na avaliação de ambientes de trabalho e cultura organizacional. Em 2026, completa 30 anos de atuação no Brasil, utilizando pesquisas com funcionários e análise das práticas das organizações para certificá-las e reconhecer as melhores empresas para trabalhar. O instituto está presente em mais de 180 países.

Para avaliar as organizações, o GPTW utiliza uma metodologia baseada principalmente na percepção dos próprios funcionários sobre o ambiente de trabalho. Entre os aspectos analisados estão credibilidade, respeito, imparcialidade, orgulho e camaradagem. A certificação e a participação nos rankings são etapas diferentes: para disputar uma posição entre as melhores, a empresa precisa primeiro atender aos critérios de certificação.

No Brasil, o GPTW realiza mais de 40 rankings por ano, com diferentes recortes. Além das listas nacionais, estaduais e regionais, há rankings por setores, como Tecnologia, Saúde, Instituições Financeiras, Indústria, Varejo e Agronegócio, e levantamentos temáticos, como o de Melhores Empresas Para Mulheres.

O ranking de Barueri e Região chegou à 12ª edição em 2026, quatro edições a mais que o ranking estadual das Melhores Empresas Para Trabalhar em São Paulo, que chega neste ano à 8ª edição. A próxima premiação do calendário será justamente a de São Paulo, nesta quinta-feira (3), reunindo empresas da Região Metropolitana e do Interior Paulista.

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