Os endereços reproduzem elementos visuais de páginas oficiais e prometem descontos de até 99%
(Imagem: Procon Maceió/Divulgação)
Um novo golpe que usa o Desenrola Brasil como isca para quem busca renegociar dívidas está circulando principalmente pelas redes sociais. A fraude chama a atenção pelo grau de sofisticação: páginas falsas exibem dados pessoais verdadeiros da vítima, simulam uma negociação e, ao final, exigem um pagamento via PIX que não quita nem reduz a dívida.
A campanha foi identificada pela empresa de cibersegurança Kaspersky, que encontrou mais de 60 domínios registrados com o termo “desenrola”. Os endereços reproduzem elementos visuais de páginas oficiais e prometem descontos de até 99%, retirada do nome de cadastros de inadimplentes e aumento do score de crédito.
Ao entrar em uma das páginas, o usuário é levado a um chat que apresenta informações como nome completo, CPF e data de nascimento. Em seguida, o sistema mostra uma suposta análise financeira, com dados sobre score de crédito e valores de dívidas.
A estratégia busca aumentar a confiança da vítima. O atendimento prossegue com mensagens e até áudios e vídeos pré-gravados de uma suposta atendente, criando a impressão de uma conversa personalizada.
Depois dessa sequência, aparece a proposta para quitar a dívida com um desconto elevado. Para concluir o suposto acordo, os criminosos solicitam o pagamento de uma taxa via PIX. Segundo a Kaspersky, o valor é direcionado a contas de laranjas e não resulta em renegociação ou quitação da dívida.
Como saber se é o Desenrola verdadeiro
No caso do Novo Desenrola Brasil, lançado pelo governo federal em 2026, há uma regra que facilita identificar a fraude: o programa não cobra taxa para participação e não faz negociações por sites, links, boletos ou cobranças via PIX. A renegociação é realizada diretamente com as instituições financeiras participantes, por meio dos canais oficiais de cada banco.
Isso significa que uma página que se apresenta como intermediária do programa, oferece um acordo e pede um PIX para “liberar”, “ativar” ou “concluir” a renegociação deve ser tratada como suspeita.
Também é importante saber reconhecer um endereço oficial. Os sites do governo federal utilizam o domínio “gov.br”. Uma página pode copiar cores, logotipos, brasões, fotos de autoridades e toda a aparência visual de um portal público sem pertencer ao governo. Por isso, é preciso observar o endereço que aparece na barra do navegador e não apenas o desenho da página.
Para obter informações sobre o programa, o caminho mais seguro é entrar diretamente no portal oficial do Governo Federal e procurar pelo Novo Desenrola Brasil, sem acessar links recebidos por WhatsApp, SMS, e-mail ou redes sociais. A negociação propriamente dita deve ser feita nos canais oficiais da instituição financeira participante.
E se já fez o PIX?
Quem percebeu que transferiu dinheiro para um golpista deve procurar imediatamente o próprio banco, utilizando o aplicativo, telefone oficial ou uma agência, informar que foi vítima de fraude e solicitar a abertura do Mecanismo Especial de Devolução (MED) do PIX. O mecanismo permite que as instituições financeiras analisem a fraude e tentem bloquear recursos ainda existentes na conta que recebeu o dinheiro. A devolução, porém, não é garantida.
A vítima também deve registrar um boletim de ocorrência, presencialmente em uma unidade da Polícia Civil ou pela delegacia eletrônica do Estado onde mora. É importante guardar e apresentar comprovantes do PIX, endereço da página falsa, prints das conversas, números de telefone, e-mails, horários dos contatos e demais registros que possam ajudar na investigação.
Se dados pessoais ou senhas foram fornecidos na página falsa, a recomendação é alterar as credenciais comprometidas, especialmente a senha da conta Gov.br, e acompanhar movimentações financeiras e possíveis cadastros realizados indevidamente em seu nome.
Caso o problema com a transferência não seja solucionado pela instituição financeira, o Banco Central orienta que o consumidor também pode procurar o Procon, recorrer ao Poder Judiciário ou registrar uma reclamação contra a instituição no próprio BC.
Como evitar cair no golpe
- Não pague taxas para participar do Desenrola. O programa não cobra valor para liberar descontos, fazer consultas ou permitir a renegociação.
- Desconfie se pedirem PIX. A negociação do Novo Desenrola é feita diretamente com a instituição financeira participante. Não faça PIX para supostos atendentes ou intermediários que prometam liberar o acordo.
- Não entre por links recebidos. Evite acessar ofertas enviadas por WhatsApp, SMS, e-mail, anúncios ou redes sociais. Digite você mesmo o endereço do Gov.br no navegador e, para negociar, procure os canais oficiais do seu banco.
- Confira o endereço, não apenas a aparência. Sites falsos podem copiar logotipos, cores, fotos e até textos do governo. Páginas oficiais do governo federal utilizam o domínio gov.br.
- Não se deixe convencer porque o site conhece seu CPF. Nome completo, CPF, data de nascimento e outras informações verdadeiras podem estar nas mãos de criminosos. A exibição desses dados não prova que a página seja oficial.
- Desconfie de descontos extraordinários e da pressa. Promessas de abatimentos muito altos acompanhadas de mensagens como “última oportunidade”, “pague agora” ou “oferta válida por poucos minutos” são sinais de alerta.
- Confirme o acordo diretamente com o banco. Antes de pagar qualquer dívida, entre no aplicativo oficial, site ou outro canal de atendimento da instituição credora e verifique se aquela proposta realmente existe.
- Nunca informe senhas ou códigos de segurança. Senhas bancárias, códigos recebidos por SMS, tokens e códigos de autenticação não devem ser fornecidos a supostos atendentes.