Os dados do ciclo de 2025 trazem um diagnóstico duplo para os gestores públicos da região
(Imagem: Magnific)
O Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgaram, na quarta-feira, 5 de agosto, os resultados oficiais do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) referentes ao ciclo de avaliação de 2025. O indicador cruza a taxa de aprovação escolar apurada ao fim do ano letivo com as notas do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).
Os dados do ciclo de 2025 trazem um diagnóstico duplo para os gestores públicos da região.
Se por um lado as cidades de Barueri e Santana de Parnaíba comemoram notas absolutas superiores às médias do Estado de São Paulo e da rede pública nacional, por outro, o confronto com a série histórica (2019, 2021 e 2023) revela uma perda de fôlego pedagógico, especialmente na transição do 5º para o 6º ano do Ensino Fundamental.
Raio-X de Barueri e Santana de Parnaíba
- Barueri: Recuo Contínuo nos Anos Finais da Rede Municipal
Analisando a Rede Municipal de Barueri (escolas sob gestão direta da prefeitura):
Anos Iniciais (1º ao 5º ano): a rede municipal obteve nota 6,3 em 2025. O número representa uma leve oscilação em relação a 2023 (6,4) e permanece abaixo do topo histórico da cidade atingido em 2019 (6,7).
Anos Finais (6º ao 9º ano): é onde o sinal de alerta acendeu com maior intensidade. A rede municipal caiu para 5,3 em 2025. O resultado confirma uma trajetória de queda contínua frente a 2023 (5,5), 2021 (5,7) e ao pico de 2019 (5,8), fazendo a cidade retornar ao patamar pedagógico de 2015 (5,2).
Ensino Médio: na Rede Municipal (oferta própria da prefeitura), Barueri marcou 5,0 em 2025 — recuando em relação a 2023 (5,2) e 2021 (5,5). Ao considerar a Rede Pública Total da cidade (incluindo as escolas estaduais situadas no município), a média é de 4,7.
- Santana de Parnaíba: recorde na alfabetização, mas queda no ciclo final
Na rede municipal de Santana de Parnaíba:
Anos Iniciais (1º ao 5º ano): foi o grande destaque positivo. A rede municipal alcançou a nota recorde de 6,7 no ciclo 2025, consolidando um salto frente a 2023 (6,4), 2021 (6,1) e até ao pico de 2017 (6,6).
Anos Finais (6º ao 9º ano): a rede municipal apresentou retração, caindo para 5,4 em 2025. O índice é inferior ao registrado em 2023 (5,5) e 2019 (5,5), mostrando dificuldade em sustentar o patamar de excelência no 2º ciclo do Fundamental.
Ensino Médio: a Rede Municipal parnaibana obteve 4,5 em 2025 (recuperando-se dos 4,3 de 2023). No somatório da Rede Pública Total do município (municipal + estadual), a nota final é de 4,7.
Desempenho do Brasil
Para compreender a dimensão dos números locais, é necessário observar o comportamento das médias agregadas registradas no levantamento de 2025.
- Brasil (Rede Pública vs. Total Geral)
Anos Iniciais (1º ao 5º ano): a Rede Pública do país alcançou a média de 6,1. No Total Geral (somando escolas públicas e privadas), o índice nacional fechou em 6,3.
Anos Finais (6º ao 9º ano): a Rede Pública do país atingiu 5,0. Ao incluir a rede privada (Total Geral), a média brasileira subiu para 5,3.
Ensino Médio: a etapa permanece como o maior gargalo nacional. A Rede Pública do país marcou 4,3, enquanto o Total Geral ficou em 4,5.
No cenário nacional, o Paraná consolidou-se como o grande destaque do país no ciclo de 2025, liderando o ranking das três etapas da educação básica (Anos Iniciais, Anos Finais e Ensino Médio).
Outros Estados também garantiram posições de topo no indicador: o Ceará manteve forte desempenho na educação fundamental, figurando na segunda colocação nos Anos Iniciais e dividindo a vice-liderança dos Anos Finais com Goiás. Já no Ensino Médio — etapa historicamente mais desafiadora do país —, o Piauí despontou logo atrás do Paraná, seguido por Espírito Santo e Rio Grande do Sul.
Confira os Estados com melhor desempenho:
Anos Iniciais do Ensino Fundamental
- Paraná: 7,0
- Ceará: 6,8
- Santa Catarina: 6,7
- Espírito Santo: 6,6
- Minas Gerais: 6,6
- São Paulo: 6,6
- Goiás: 6,5
Anos Finais do Ensino Fundamental
- Paraná: 5,9
- Ceará: 5,7
- Goiás: 5,7
- Minas Gerais: 5,5
- São Paulo: 5,5
- Santa Catarina: 5,4
- Rio Grande do Sul: 5,4
- Piauí: 5,4
- Espírito Santo: 5,4
- Alagoas: 5,3
Ensino Médio
- Paraná: 5,1
- Piauí: 5,0
- Espírito Santo: 4,9
- Rio Grande do Sul: 4,9
- Goiás: 4,8
- Pernambuco: 4,7
Estado de São Paulo (Rede Estadual vs. Total Geral)
Anos Iniciais (1º ao 5º ano): a Rede Estadual direta registrou 6,6, enquanto a Rede Pública Total (estadual + municipal) marcou 6,5. O Total Geral do Estado (com privadas) chegou a 6,6.
Anos Finais (6º ao 9º ano): a Rede Estadual e a Rede Pública Total obtiveram 5,2. Já o Total Geral do Estado fechou em 5,5.
Ensino Médio: a Rede Estadual paulista registrou 4,3, igualando-se à média pública nacional. No Total Geral do Estado, com as escolas privadas, o índice alcançou 4,7.
Desempenho da rede privada no Brasil e em SP
Embora o debate sobre o Ideb costume focar na gestão pública, os dados consolidados do Inep referentes ao ciclo de 2025 também mapeiam o desempenho das escolas particulares.
A análise das notas da rede privada revela um padrão de alta performance nos anos iniciais, mas que também sofre oscilações e desaceleração nas etapas finais do ensino básico.
No cenário nacional e estadual, a rede privada mantém patamares elevados em relação ao ensino público, impulsionada por fatores socioeconômicos e menor rotatividade de corpo docente, mas também apresentou quedas com relação aos anos anteriores.
Anos Iniciais (1º ao 5º ano): no Brasil, a rede privada alcançou a nota 7,1 no ciclo de 2025, o mesmo índice alcançado em 2021, porém menos do que em 2023 (7,2). Já no Estado de São Paulo, o índice das escolas particulares atingiu 7,4, também mantendo estabilidade em relação aos 7,4 registrados em 2023, mas inferior a 2021, quando atingiu 7,5.
Anos Finais (6º ao 9º ano): no plano nacional, a rede privada registrou 6,4, um décimo a mais do que em 2023 e 2021 (6,3) e igual a 2019. Em São Paulo, as escolas particulares marcaram 6,6 em 2025 (registrando uma leve retração frente aos 6,7 de 2019).
Ensino Médio: a etapa mais avançada marcou 5,8 na média nacional privada, maior do que os 5,6 de 2023 e 2021, porém menor do que os 6,0 de 2019. No Estado de São Paulo, o Ensino Médio particular fechou em 6,0 em 2025 (abaixo do teto de 6,1 registrado em 2019 e 2021).
O levantamento não divulga as notas gerias das escolas privadas municipais. Todos os resultados podem ser conferidos no site do INEP.
O que é o IDEB?
O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) foi criado em 2007 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e funciona como o principal indicador da qualidade da educação no Brasil.
Calculado a cada dois anos, o indicador cruza duas informações essenciais:
- O fluxo escolar: as taxas de aprovação, reprovação e abandono apuradas no Censo Escolar.
- O aprendizado: as notas médias obtidas pelos estudantes em Língua Portuguesa e Matemática nas avaliações do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).
Com uma escala de 0 a 10, o IDEB sintetiza o desempenho das escolas e redes de ensino em um único número, permitindo mapear a evolução do aprendizado, identificar gargalos e orientar o planejamento de políticas públicas em todo o país.