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MED 2.0

Golpes no Pix causam perdas de R$ 4,9 bilhões e colocam instituições financeiras em alerta

04 jun 2026 - 08h00 Gláucia Arboleya
Golpes no Pix causam perdas de R$ 4,9 bilhões e colocam instituições financeiras em alerta Durante análise, valores ficam bloqueados por até 11 dias (Imagem: Foto: Freepik)

A entrada em vigor do MED 2.0, nova etapa do Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Pix, representa um avanço no combate às fraudes financeiras e amplia a capacidade de recuperação de recursos desviados em golpes. A atualização permite rastrear o fluxo do dinheiro entre múltiplas contas e bloquear preventivamente valores suspeitos por até 11 dias durante a análise do caso.

Até então, a atuação do mecanismo estava concentrada, principalmente, na conta que recebeu inicialmente os recursos, o que limitava as chances de recuperação. Com a nova regra, o Banco Central busca acompanhar o trajeto do dinheiro mesmo após sua dispersão entre contas intermediárias — prática comum em esquemas de fraude.

Os números ajudam a dimensionar o desafio. Dados do Banco Central indicam que, antes da implementação do MED 2.0, apenas 9,3% dos valores contestados em operações fraudulentas foram efetivamente recuperados em 2025. Segundo informações divulgadas pelo Broadcast e publicadas pelo InfoMoney, os golpes envolvendo Pix geraram prejuízos de R$ 4,94 bilhões em 2024, alta de 70% em relação ao ano anterior. No mesmo período, mais de 3,4 milhões de pedidos de devolução foram rejeitados, muitas vezes pela ausência de saldo nas contas destinatárias.

Para Luiz Claudio, CEO e fundador da LC SEC, a mudança representa um avanço importante, mas está longe de resolver o problema em sua origem.

“O MED 2.0 aumenta as chances de recuperação dos recursos porque amplia a rastreabilidade do dinheiro e reduz a dependência da primeira conta recebedora. Mas os golpes continuam explorando engenharia social, credenciais comprometidas, contas de passagem e falhas de monitoramento”, afirma.

Corrida contra o tempo

A evolução do sistema também aumenta a responsabilidade das instituições financeiras, que passam a operar sob uma lógica ainda mais dependente de velocidade e integração entre áreas.

De acordo com dados citados pelo Senado Federal, cerca de 24 milhões de brasileiros foram vítimas de golpes envolvendo Pix ou boletos entre julho de 2024 e junho de 2025, gerando perdas estimadas em quase R$ 29 bilhões.

Na avaliação do especialista, o combate às fraudes deixou de ser uma atribuição restrita às áreas operacionais e passou a exigir atuação coordenada entre tecnologia, segurança da informação, compliance, jurídico e atendimento ao cliente.

“Em fraude financeira, minutos fazem diferença. Se a instituição demora para identificar, escalar e bloquear uma operação suspeita, os recursos já podem ter transitado por diversas contas”, explica.

Embora o bloqueio preventivo por até 11 dias represente um reforço importante na recuperação de valores, Luiz Claudio ressalta que a eficácia do sistema depende da capacidade de detectar comportamentos suspeitos nos primeiros instantes da transação.

“A guerra contra a fraude não se vence em 11 dias. Ela começa nos primeiros segundos. O bloqueio ajuda, mas a prevenção exige monitoramento contínuo e capacidade de reação imediata.”

Governança ganha protagonismo

Segundo a LC SEC, um dos principais desafios observados nas instituições financeiras está na integração entre as áreas responsáveis pela prevenção e pela resposta a incidentes.

Muitas organizações já contam com ferramentas de monitoramento e controles formais, mas ainda enfrentam dificuldades para conectar equipes de fraude, segurança, tecnologia, jurídico e atendimento em uma estratégia única de resposta.

“Em muitos casos, o comportamento suspeito é identificado, mas a reação não acontece com a velocidade necessária para interromper o fluxo da fraude”, afirma o executivo.

Além do impacto financeiro, o avanço das fraudes tem ampliado os riscos regulatórios e reputacionais para bancos, fintechs e instituições de pagamento. Nesse cenário, especialistas apontam que o MED 2.0 tende a acelerar investimentos em inteligência de ameaças, monitoramento transacional, gestão de acessos, resposta a incidentes e programas de conscientização digital.

Para Luiz Claudio, a nova regulamentação fortalece a capacidade de reação do sistema financeiro, mas não substitui uma estratégia robusta de prevenção.

“O MED 2.0 melhora a resposta após o golpe, mas a proteção continua dependendo de validação de identidade, monitoramento permanente, educação digital e governança antifraude. Sem processos claros e bem definidos, cada ocorrência vira um improviso — e, no universo do Pix, improviso custa caro.”

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