Os óbitos foram registrados em diferentes regiões paulistas
(Imagem: Olga Kononenko/ Unsplash)
A febre maculosa voltou a preocupar as autoridades de saúde em São Paulo.
Dados da Secretaria de Estado da Saúde mostram que, entre janeiro e julho deste ano, a doença provocou 17 mortes no Estado, dentre os 18 casos confirmados, o que evidencia a alta letalidade da infecção transmitida pelo carrapato-estrela.
Os óbitos foram registrados em diferentes regiões paulistas. As áreas de vigilância epidemiológica de Piracicaba, Sorocaba e Campinas concentraram três mortes cada. Também houve registros nas regiões de Santo André e São José dos Campos, enquanto parte dos casos ainda está sob investigação para identificar o provável local da infecção.
Embora o número de mortes seja inferior ao registrado em todo o ano passado, quando São Paulo contabilizou 44 óbitos entre 61 casos confirmados, a taxa de mortalidade continua chamando a atenção. Entre 2020 e 2025, o Estado notificou 489 casos de febre maculosa, dos quais 244 terminaram em morte.
A vítima mais recente foi o engenheiro civil Rubens Allan Bizarro, de 37 anos, morador de Americana. Ele morreu no dia 30 de junho após permanecer internado no Hospital Municipal Dr. Waldemar Tebaldi. A confirmação de que a causa da morte foi febre maculosa ocorreu nesta semana, após análise realizada pelo Instituto Adolfo Lutz. O local onde ocorreu a infecção ainda é investigado pelas autoridades sanitárias.
A doença é causada pela bactéria Rickettsia rickettsii e é transmitida pela picada do carrapato-estrela infectado. Capivaras, cavalos e outros mamíferos podem servir de hospedeiros para o carrapato, mas não transmitem diretamente a doença às pessoas.
Transmissão, sintomas e precauções
A infecção costuma ocorrer em áreas de mata, pastagens, margens de rios, parques e locais com vegetação alta, onde há maior circulação desses animais.
Os primeiros sintomas incluem febre alta, dor de cabeça intensa, dores no corpo, náuseas e mal-estar. Com a evolução da doença, podem surgir manchas avermelhadas na pele, principalmente nas mãos e nos pés, além de complicações graves.
Como os sintomas iniciais se parecem com os de outras infecções, o diagnóstico precoce é considerado fundamental para aumentar as chances de recuperação. O tratamento deve ser iniciado assim que houver suspeita clínica, sem esperar a confirmação laboratorial.
Para reduzir o risco de infecção, a orientação é evitar caminhar em áreas com vegetação alta ou com presença de carrapatos sem proteção adequada. Quando isso for inevitável, recomenda-se usar calças compridas, roupas claras, botas e inspecionar o corpo e as roupas ao deixar o local. Caso um carrapato seja encontrado, ele deve ser retirado o mais rápido possível, com cuidado para não esmagá-lo, reduzindo o risco de transmissão da bactéria.