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Inflação

Custo de vida sobe com alta da energia e dos alimentos na Grande SP

13 jul 2026 - 13h39 Aliz Lambiazzi   atualizado às 14h01
Custo de vida sobe com alta da energia e dos alimentos na Grande SP Indicador registrou alta de 0,57% no mês, acima dos 0,13% observados em abril (Imagem: Jakub Zerdzicki / Unsplash)

O custo de vida voltou a subir na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) em maio, impulsionado principalmente pelo aumento da conta de energia elétrica e dos preços dos alimentos.

É o que mostra o Índice de Custo de Vida por Classe Social (CVCS), divulgado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

O indicador registrou alta de 0,57% no mês, acima dos 0,13% observados em abril. No acumulado de 2026, a inflação já chega a 3,12%, percentual superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Em 12 meses, a alta acumulada é de 5,26%.

Segundo a FecomercioSP, a inflação deixou de estar concentrada em poucos produtos e passou a atingir diversos grupos de consumo ao mesmo tempo.

A entidade avalia que a combinação entre moradia mais cara, alimentos em alta e despesas com saúde deve continuar pressionando o orçamento das famílias, especialmente as de menor renda.

O grupo de habitação foi o principal responsável pela alta de maio, com avanço de 1,27%. O maior impacto veio da conta de energia elétrica residencial, que ficou 3,69% mais cara no mês.

Também contribuíram para esse resultado o aumento dos custos com serviços de manutenção residencial, que subiram 0,74%, e dos aluguéis, com alta de 0,26%. Materiais de construção continuam registrando reajustes próximos de 2,5% no varejo.

Nos últimos 12 meses, a habitação acumula aumento de 7,84%, a maior variação entre todos os grupos pesquisados.

Os alimentos também tiveram peso importante na inflação. O grupo de alimentação e bebidas avançou 0,82%, puxado principalmente pelos produtos consumidos dentro de casa.

Entre os itens que mais encareceram estão a batata-inglesa (31,2%), o tomate (25,3%), a cebola (11,3%) e a cenoura (8,3%).

Apesar da forte alta, a FecomercioSP ressalta que esses aumentos costumam ser sazonais e tendem a perder força nos próximos meses.

Outros produtos bastante presentes na mesa dos brasileiros também ficaram mais caros.

O feijão-carioca subiu 5%, enquanto cortes de carne como alcatra (2,5%) e músculo (3,2%) registraram novos reajustes.

Comer fora de casa também pesou mais no bolso, embora em ritmo menor: as refeições em restaurantes tiveram aumento de 0,47%.

As despesas com saúde cresceram 0,94% em maio, refletindo aumentos tanto em produtos quanto em serviços.

Perfumes ficaram 4,6% mais caros, enquanto produtos para cabelo subiram 2,6%, itens para cuidados com a pele aumentaram 2,9%, produtos de higiene bucal avançaram 2,2%, sabonetes tiveram alta de 1,7% e medicamentos como antigripais e analgésicos ficaram 1,6% mais caros.

Nos serviços, consultas com dentistas aumentaram 1,2%, médicos 1%, psicólogos 0,7% e planos de saúde 0,5%. No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, o grupo já registra alta de 3,87%.

As despesas pessoais também avançaram, com alta de 0,73%. Entre os principais reajustes aparecem hotéis (3,9%), boates e casas noturnas (2,7%) e serviços de despachante (2,2%). Vestuário (0,44%), artigos para o lar (0,42%) e comunicação (0,41%) também ficaram mais caros.

Na contramão, o grupo de transportes foi o único a registrar queda, de 0,21%, favorecido pela redução dos combustíveis. O preço do etanol caiu 7,5%, o diesel recuou 1,9% e a gasolina ficou 0,6% mais barata.

Apesar disso, viajar de avião ficou mais caro. As passagens aéreas e outros serviços de transporte subiram cerca de 7%, refletindo, segundo a FecomercioSP, os custos ainda elevados enfrentados pelas companhias aéreas.

Os mais prejudicados

O levantamento mostra que a inflação atingiu de forma mais intensa as famílias de menor renda. A classe D registrou a maior alta do custo de vida em maio, de 0,73%, seguida pela classe E (0,64%) e pela classe C (0,58%).

Já entre as famílias de renda mais alta, o impacto foi menor: 0,49% na classe B e 0,44% na classe A.

A diferença ocorre porque gastos com moradia e alimentação representam uma parcela maior do orçamento das famílias de baixa renda.

Essa desigualdade também aparece no acumulado dos últimos 12 meses: a inflação chegou a 5,85% na classe D e 5,81% na classe E, enquanto ficou em 4,94% na classe A e 4,76% na classe B.

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