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Economia

Anúncio de tarifa de 50% dos EUA acende alerta no mercado de combustíveis

Para especialista, o cenário pode abrir ainda mais espaço para o diesel de origem russa 

11 jul 2025 - 11h12   atualizado em 02/12/2025 às 09h55
Anúncio de tarifa de 50% dos EUA acende alerta no mercado de combustíveis (IStock)

O anúncio feito pelo presidente Donald Trump sobre a imposição de uma tarifa de 50% em relação a todos os produtos importados do Brasil, incluindo petróleo e derivados, trouxe incertezas ao mercado de combustíveis. 

A medida está prevista para entrar em vigor a partir de 1º de agosto, mas ainda pode sofrer alterações. 

O especialista em combustível do Gasola, Vitor Sabag, destaca que, no campo das exportações, os Estados Unidos representam atualmente entre 10% e 12% das exportações brasileiras de petróleo, segundo dados de comércio exterior. 

"Caso a tarifa seja efetivada, essas operações se tornariam economicamente inviáveis, forçando o Brasil a redirecionar parte de sua produção para mercados alternativos, como a Ásia e a União Europeia. Já no caso das importações, o impacto potencial pode ser ainda mais significativo", comentou Sabag.

Em abril, o Congresso Nacional aprovou a Lei de Reciprocidade Econômica, que autoriza o governo brasileiro a adotar contramedidas contra ações unilaterais que prejudiquem a competitividade do país.

Na análise do especialista, se o presidente Lula decidir aplicar essa prerrogativa, o Brasil pode impor tarifas sobre o diesel importado dos EUA — que atualmente representa cerca de 23% de todo o diesel importado para suprir a demanda interna.

Esse cenário pode abrir ainda mais espaço para o diesel de origem russa, que já detém cerca de 60% das importações brasileiras, segundo dados da  Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Dólar

Além das implicações comerciais, o anúncio teve reflexos imediatos no câmbio. O dólar subiu cerca de R$ 0,10 desde quinta-feira (10), movimento atribuído em parte ao aumento da percepção de risco, embora outros fatores também contribuam para a volatilidade da moeda. Essa valorização do dólar tende a pressionar os preços do combustível importado que chega aos portos brasileiros.

Mudanças podem ocorrer a qualquer momento, dependendo das decisões do governo norte-americano e, principalmente, das ações do governo brasileiro nas próximas semanas.

O presidente Lula

O presidente Lula (PT) indicou que pretende responder às tarifas unilaterais com base na Lei de Reciprocidade Econômica.

Sancionada em abril, a lei permite ao governo adotar medidas de retaliação comercial contra países que adotem barreiras a produtos nacionais.

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que o decreto regulamentador da lei da reciprocidade será publicado nos próximos dias.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, indicou que vê espaço para negociação, dadas as conversas estabelecidas com o país depois do anúncio das primeiras taxas, em abril.

Também vai ser criado um comitê com empresários para avaliar a política comercial brasileira na relação com os EUA.

O governo Lula afirma que os impactos sobre a economia brasileira são reflexo de interferências políticas externas indevidas por parte de Trump, em favor do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Diesel e a gasolina
Segundo a StoneX, 34% da importação brasileira de gasolina no primeiro semestre de 2025 veio dos EUA. O país também forneceu 24% do volume internalizado de diesel.

Sem as importações dos EUA, o Brasil terá que recorrer a outros supridores, que têm custos logísticos e operacionais mais altos — caso da Europa e da Índia — ou são mais arriscados, como a Rússia.

O cenário tende a aumentar a pressão inflacionária nos preços e margens ao longo da cadeia de refino e distribuição, segundo o BTG Pactual. Entretanto, as perspectivas ainda são incertas, já que não há clareza se algum produto pode ficar isento das tarifas.


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