Na sexta-feira (27), o Cantareira registrou 35,42% do volume útil
(Imagem: Governo de São Paulo/Divulgação)
A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e a Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP Águas) informaram que o Sistema Cantareira, principal manancial de abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo, passará a operar na Faixa 3 – Alerta a partir de 1º de março, conforme estabelece a Resolução Conjunta nº 925/2017.
No período úmido, que se estende até maio, a liberação de vazões para as bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí(PCJ) é realizada pela SABESP, a partir de comunicados da SP Águas, com maior flexibilidade para o cumprimento dos limites definidos na resolução. Os avisos são encaminhados simultaneamente aos Comitês PCJ.
Na sexta-feira (27), o Cantareira registrou 35,42% do volume útil — avanço em relação aos 22,66% verificados em 31 de janeiro. Como o nível ficou acima de 30% no último dia útil de fevereiro, o sistema operará em março de 2026 na Faixa 3 – Alerta. Com isso, a SABESP passa a estar autorizada a retirar até 27 m³/s do manancial, ante os 23 m³/s vigentes até fevereiro.
Como medida de mitigação, a companhia poderá complementar a captação com a vazão transposta no reservatório da Usina Hidrelétrica Jaguari, na bacia do rio Paraíba do Sul, respeitados os limites de outorga.
As agências reforçam a necessidade de medidas operacionais de gestão da demanda por parte da SABESP, com foco na redução do consumo e de perdas, além do estímulo ao uso racional da água pela população. A recomendação se estende aos demais usuários, para preservação do volume armazenado nos reservatórios.
Gestão compartilhada
A operação do Cantareira é acompanhada diariamente pela ANA e pela SP Águas, que monitoram níveis, vazões e volumes para embasar decisões operativas. As regras atuais foram definidas após a crise hídrica de 2014/2015 e buscam dar previsibilidade às condições de operação e maior segurança hídrica à Região Metropolitana de São Paulo e às bacias PCJ.
O sistema
Responsável por abastecer cerca de metade da população da Região Metropolitana de São Paulo, o Cantareira é formado por cinco reservatórios interligados — Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro —, com volume útil total de 981,56 bilhões de litros. Desde 2018, o sistema conta com a interligação entre a UHE Jaguari e a represa Atibainha, ampliando a segurança hídrica da região.
Embora os reservatórios estejam em território paulista, parte das águas que os alimentam vem de rios de domínio da União, com nascentes e trechos em Minas Gerais. Nesse contexto, ANA e SP Águas avaliam que as regras vigentes são adequadas e mantêm acompanhamento diário para orientar a operação do sistema.