No primeiro semestre de 2025, São Paulo havia contabilizado 52.130 roubos de celulares
(Imagem: Magnific)
Os roubos de celulares caíram 66,6% no Estado de São Paulo em comparação com 2017 e atingiram o menor número da última década no primeiro semestre de 2026.
Enquanto foram registradas 124.801 ocorrências entre janeiro e junho de 2017, o mesmo período deste ano terminou com 41.633 casos, uma diferença de 83.168 registros, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP).
A redução também foi significativa na comparação mais recente. No primeiro semestre de 2025, São Paulo havia contabilizado 52.130 roubos de celulares. Em um ano, portanto, houve queda de 20,1%. A trajetória de redução foi interrompida apenas em 2022, quando as ocorrências cresceram 11,1%, mas voltou a apresentar recuos consecutivos em 2023, 2024, 2025 e 2026.
Segundo o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, o resultado está relacionado a medidas que combinam policiamento, investigação, tecnologia e ações contra a receptação.
“A queda que se acumula há dez anos é fruto de um conjunto de iniciativas para coibir esse tipo de crime, que envolvem aumento do policiamento, uso de ferramentas de tecnologia e combate à receptação dos aparelhos. Estamos atuando em todas as frentes: prevenção, inteligência, investigação e tecnologia, e as operações vão seguir”, afirmou.
Roubos de celulares aumentam em Barueri e Santana de Parnaíba no semestre
Na contramão da queda registrada no Estado, os roubos envolvendo celulares aumentaram em Barueri e Santana de Parnaíba no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado.
Em Barueri, foram 214 ocorrências entre janeiro e junho deste ano, contra 199 nos seis primeiros meses de 2025, alta de 7,5%. Em Santana de Parnaíba, o número passou de 31 para 32 registros, crescimento de 3,2%.
Os dados foram levantados pela reportagem a partir da base de Celulares Subtraídos da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), considerando os boletins de ocorrência de roubo e excluindo registros duplicados conforme a metodologia indicada pela própria pasta.
Roubos caem em outras modalidades no Estado
A redução registrada no primeiro semestre não ficou restrita aos celulares. Os roubos em geral caíram 16,5%, passando de 85.530 casos entre janeiro e junho de 2025 para 71.448 no mesmo período deste ano. É o menor número para um primeiro semestre desde o início da série histórica da SSP-SP, em 2001.
Os roubos de veículos recuaram 35,1%, de 13.190 para 8.558 ocorrências, enquanto os roubos de carga diminuíram 32,8%, de 1.856 para 1.247. Segundo a SSP, ambos atingiram os menores patamares em 26 anos. São Paulo também encerrou o primeiro semestre de 2026 sem registrar roubo a banco, fato inédito para o período na série histórica.
Os homicídios dolosos passaram de 1.240 para 1.149 casos, queda de 7,3%, enquanto os latrocínios recuaram 36,2%, de 69 para 44 ocorrências. Os dois indicadores também representam os menores números registrados para um primeiro semestre no Estado.
Os indicadores de roubo tiveram comportamentos diferentes em Barueri e Santana de Parnaíba no primeiro semestre de 2026. Em Barueri, houve aumento de 8,6% no indicador “Total de Roubo – Outros”, que passou de 336 ocorrências entre janeiro e junho de 2025 para 365 no mesmo período deste ano. Em Santana de Parnaíba, houve movimento contrário: os registros caíram de 62 para 56, redução de 9,7%.
Na classificação da Secretaria da Segurança Pública, o indicador “Total de Roubo – Outros” abrange ocorrências que não envolvem veículos, incluindo crimes contra pessoas e estabelecimentos, além de casos envolvendo cargas e bancos. As subtrações de veículos aparecem em uma categoria separada.
Já nos roubos de veículos e de cargas, as duas cidades apresentaram queda no período mencionado. Em Barueri, os roubos de veículos recuaram 34%, de 103 para 68 casos, e os de carga, 33,3%, de 18 para 12. Em Santana de Parnaíba, os roubos de veículos caíram 44,4%, de 18 para 10 ocorrências, enquanto os de carga passaram de quatro para dois, redução de 50%.
Mais de 3 mil celulares recebem notificações
Uma das estratégias adotadas pelo Estado é o SP Mobile, programa que cruza informações de boletins de ocorrência com dados fornecidos pelas operadoras de telefonia para localizar celulares roubados ou furtados que voltaram a ser utilizados.
Entre segunda (10) e terça-feira (11), mais de 3 mil notificações foram enviadas a aparelhos identificados com restrições criminais em diferentes regiões do Estado. Quem receber a mensagem tem prazo de sete dias para comparecer à delegacia mais próxima, apresentar o aparelho e os documentos necessários. O atendimento pode ser realizado em qualquer horário, inclusive aos finais de semana, dentro do período indicado na notificação.
O objetivo é verificar a procedência dos aparelhos, recuperá-los quando confirmada a origem criminosa e possibilitar a devolução aos proprietários. O não comparecimento poderá resultar no bloqueio do celular e, dependendo das circunstâncias, o usuário poderá responder por receptação.
“Estamos ampliando o uso da tecnologia e do cruzamento de informações para interromper o ciclo do roubo e furto de celulares. Ao localizar esses aparelhos e orientar quem está utilizando um dispositivo com restrição criminal, conseguimos aumentar as possibilidades de recuperação dos bens e combater a receptação que alimenta esse tipo de crime”, explicou o delegado Rodolfo Latif Sebba, coordenador do SP Mobile.
Entre junho de 2025 e julho deste ano, o programa contribuiu para a recuperação de 31,9 mil celulares com registros de furto ou roubo, dos quais 10,3 mil já foram restituídos aos proprietários. No mesmo período, quase 15 mil notificações foram enviadas a aparelhos identificados com restrições criminais.
Um caso recente ocorreu na terça-feira (11), em Araçatuba, onde policiais da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) localizaram um celular roubado que permanecia vinculado à conta da vítima. O aparelho foi encontrado escondido dentro de um colchão durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão. A identificação pelo IMEI confirmou que era o mesmo equipamento registrado no boletim de ocorrência. Um homem que afirmou ter comprado o celular por R$ 250 foi preso em flagrante por receptação.
Atenção para golpes
A SSP alerta que as notificações oficiais do SP Mobile identificam claramente o programa. Em caso de dúvida sobre a autenticidade da mensagem, a orientação é procurar diretamente uma delegacia da Polícia Civil para confirmar a situação.
O SP Mobile não solicita pagamentos, taxas ou transferências via Pix para liberar ou devolver aparelhos. O programa também não pede senhas do celular, de contas bancárias, redes sociais, iCloud ou Google e não solicita códigos recebidos por SMS.
Mais informações sobre o SP Mobile podem ser obtidas no site do sistema.