Companhia afirmou as projeções operacionais para 2026 confirmam a segurança hídrica
(Imagem: NATHAN DUMLAO/UNSPLASH)
No começo do mês, o Governo de São Paulo reforçou o pedido para que a população economize água durante o período de estiagem. A recomendação foi reforçada após o volume útil do Sistema Cantareira, responsável pelo abastecimento de parte da Região Metropolitana de São Paulo, encerrar o mês de junho abaixo de 40% da capacidade.
De acordo com dados consultados no dia 21 no site da Sabesp, o Sistema Cantareira, formado por um conjunto de seis reservatórios interligados e responsável pelo abastecimento de cerca de 7,6 milhões de pessoas na capital paulista e em municípios da Grande São Paulo, operava com 37,7% do volume útil. Apesar do cenário, a Sabesp afirmou à reportagem que não há risco de desabastecimento e garante que o abastecimento está assegurado.
Segundo a companhia, as projeções operacionais para 2026 confirmam a segurança hídrica mesmo em diferentes cenários climáticos. “A Sabesp acompanha continuamente a evolução dos níveis dos reservatórios, das vazões e das condições climáticas, ajustando a operação conforme as regras técnicas e regulatórias”, informou a empresa, em nota.
Entre as medidas já adotadas para reforçar a segurança hídrica está a redução da pressão da água durante a madrugada, período de menor consumo. Segundo a Sabesp, a iniciativa, implantada em agosto de 2025, já economizou cerca de 172 bilhões de litros de água, volume equivalente ao consumo mensal de aproximadamente 30 milhões de pessoas.
A empresa enfatizou que vem intensificando as ações de redução de perdas e modernização da rede de abastecimento.
“O resultado desse trabalho foi reconhecido pelo estudo Perdas de Água 2026, do Instituto Trata Brasil, que apontou a cidade de São Paulo como a capital com o menor índice de perdas de água entre as cinco mais populosas do país, com 24,4%, percentual já inferior à meta estabelecida pelo Marco Legal do Saneamento para 2033”, destacou.
A companhia acrescentou ainda que a autorização para uma nova captação de água concedida pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) está prevista nas regras de operação do Sistema Cantareira e integra os mecanismos de gestão estabelecidos na outorga vigente.
“A medida faz parte da estratégia permanente da Companhia para ampliar a segurança hídrica da Região Metropolitana de São Paulo. Até 2030, a Sabesp investirá R$ 7,8 bilhões em ações de segurança e resiliência hídrica, incluindo a modernização dos sistemas produtores, a ampliação da capacidade de tratamento, novas interligações entre mananciais e o aumento da flexibilidade operacional, tornando o sistema mais preparado para enfrentar períodos de estiagem e os efeitos das mudanças climáticas”, apontou.
Percentual da água recomendada
Além da falta de chuva, a Região Metropolitana de São Paulo vive outro desafio. Mesmo cercada por rios e represas, a maior metrópole do país dispõe de apenas 127 metros cúbicos de água por habitante ao ano: menos de 10% do mínimo de 1.700 metros cúbicos recomendado pela Organização das Nações Unidas (ONU) para evitar situações de estresse hídrico.
Apesar desse cenário, a Sabesp afirmou que a gestão dos volumes de captação e da operação dos reservatórios não é de sua responsabilidade. Segundo a companhia, essas definições cabem aos órgãos gestores e reguladores dos recursos hídricos.
“A Sabesp opera os sistemas de abastecimento, cumprindo as determinações e os limites estabelecidos pelos órgãos reguladores. As decisões sobre estratégias de operação dos reservatórios, volumes de retirada de água e eventuais alterações nas regras de captação são de competência dos órgãos reguladores e gestores dos recursos hídricos”, informou a empresa.