O Rio passa por todas as cidades da região
(Imagem: Benjamin Sepulvida/SECOM Baruer)
Nenhum trecho do Rio Tietê está totalmente livre de contaminação. A conclusão é de um estudo inédito recente da Fundação SOS Mata Atlântica, que percorreu mais de 1.100 quilômetros do rio, da nascente em Salesópolis até a foz no Rio Paraná, em Itapura. A pesquisa identificou microplásticos em todos os 14 pontos de coleta, além de 25 tipos de agrotóxicos, 16 substâncias entre medicamentos e drogas ilícitas, bactérias, parasitas e metais acima dos limites permitidos pela legislação em diversos trechos.
Os resultados fazem parte da Expedição Tietê 2025, realizada em parceria com pesquisadores da Unifesp, UFABC, CENA/USP e USCS. Segundo os pesquisadores, o rio sofre hoje uma combinação de diferentes formas de poluição, provocadas pelo lançamento de esgoto doméstico, resíduos da atividade agrícola, contaminantes industriais, plásticos e compostos químicos provenientes do consumo cotidiano da população.
Diante desse cenário, o Consórcio Intermunicipal da Região Oeste Metropolitana de São Paulo (CIOESTE) oficializou, em Pirapora do Bom Jesus, a assinatura do Termo de Cooperação Técnica que dará início a um estudo integrado sobre os impactos da poluição hídrica na Bacia do Alto Tietê. Com investimento de R$ 7 milhões previsto no Novo PAC, a iniciativa reunirá a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), os municípios da região e parceiros técnicos para mapear as principais fontes de contaminação, avaliar os impactos ambientais, sociais e econômicos e definir soluções para a recuperação do rio.
O estudo abrangerá todo o percurso do Alto Tietê, desde as nascentes até a saída da Região Metropolitana de São Paulo, em Pirapora do Bom Jesus, município que concentra alguns dos efeitos mais severos da degradação, como espuma, odores, acúmulo de resíduos e prejuízos ao turismo e à economia local.
Presidente do CIOESTE e prefeito de Pirapora do Bom Jesus, Gregorio Maglio destacou que a iniciativa representa um avanço na busca por soluções estruturais para um problema histórico. Segundo ele, a proposta foi incorporada ao plano federal de revitalização dos recursos hídricos e poderá servir de referência para futuras ações em outros trechos do Rio Tietê.
Coordenado pela ANA, o estudo também irá elaborar um portfólio de intervenções prioritárias, com expectativa de subsidiar futuras obras e políticas públicas voltadas à recuperação do principal rio paulista, beneficiando mais de 20 milhões de pessoas que vivem na Bacia do Alto Tietê.