Cerimônia de assinatura do Termo de Cooperação Técnica com o governo federal
(Imagem: Divulgação Prefeitura Pirapora do Bom Jesus)
Pirapora do Bom Jesus deu um passo importante rumo à recuperação ambiental do Rio Tietê. O prefeito Gregorio Maglio assinou, na última terça-feira (30), um Termo de Cooperação Técnica com o governo federal que prevê a realização de um estudo inédito para avaliar os impactos da poluição na Bacia do Alto Tietê e definir soluções para a recuperação do rio.
A iniciativa integra o subeixo de Revitalização de Bacias Hidrográficas do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) e contará com investimento de R$ 7 milhões.
A cerimônia foi realizada no Parque do Capelão, no Centro de Pirapora do Bom Jesus, e reuniu representantes da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), da Secretaria Especial do PAC (SEPAC), da AXIA Energia, do Consórcio Intermunicipal da Região Oeste Metropolitana de São Paulo (CIOESTE), além de prefeitos, vereadores e secretários municipais.
O estudo será desenvolvido em toda a Bacia do Alto Tietê, desde as nascentes do rio até o trecho em que ele deixa a Região Metropolitana de São Paulo, justamente em Pirapora do Bom Jesus. O objetivo é identificar as principais fontes de poluição, analisar a qualidade da água ao longo do percurso e propor medidas capazes de reduzir os impactos ambientais.
Além de mapear os pontos críticos de contaminação, o levantamento também deverá avaliar os prejuízos econômicos e sociais causados pela degradação do rio, como os reflexos no turismo, na saúde pública e na qualidade de vida da população. A proposta inclui ainda a elaboração de soluções baseadas na natureza e a implantação de um projeto piloto para testar as ações consideradas mais eficientes.
Divulgação Prefeitura Pirapora do Bom Jesus
Município concentra os impactos da poluição
Embora esteja distante da capital, Pirapora do Bom Jesus é um dos municípios que mais sofrem com a poluição do rio Tietê. Todo o material lançado ao longo da Região Metropolitana acaba sendo transportado pelo rio até a cidade, onde são frequentes a formação de espuma, o mau cheiro e o acúmulo de resíduos.
Segundo os organizadores do projeto, os índices de qualidade da água nesse trecho permanecem entre os piores do Estado, situação que compromete a atividade turística — uma das principais vocações do município —, além de gerar impactos ambientais e econômicos.
Durante a cerimônia, o prefeito Gregorio Maglio, que também preside o CIOESTE, afirmou que a recuperação do Tietê exige uma atuação integrada entre os diferentes níveis de governo e uma visão voltada para toda a bacia hidrográfica.
“Nossa expectativa é que os resultados obtidos aqui sirvam de referência para ampliar esse modelo a outros trechos do Rio Tietê, contribuindo para uma estratégia estadual e nacional de recuperação desse rio tão importante para a história, para o desenvolvimento e para o meio ambiente do nosso Estado”, frisou Maglio.
Estudo deve orientar futuras obras
Representando a Secretaria Especial do PAC, o secretário adjunto de Recursos Hídricos, Irani Braga Ramos, destacou que o estudo criará uma base técnica para futuras intervenções de recuperação ambiental.
“O momento de fazer esse estudo é muito adequado. Vamos ter um mapeamento e acredito que, em 2027, já podem ser demandadas algumas intervenções. A ANA possui uma excelência de técnicos e a ideia é fazer colaborativamente com o CIOESTE e as demais prefeituras. Esse estudo robusto e o conjunto de medidas está elencado como prioridade nacional”, enfatizou.
De acordo com ele, o levantamento permitirá identificar as prioridades e poderá embasar obras a partir de 2027. Ramos também afirmou que o PAC é uma alavanca para o desenvolvimento, com R$ 1,8 trilhão de investimentos programados.
O superintendente adjunto de Estudos Hídricos e Socioeconômicos da ANA, Tibério Magalhães Pinheiro, explicou que o projeto foi apresentado ao governo federal em março deste ano e aprovado poucas semanas depois, devido à sua relevância.
“Agora estamos trabalhando com a AXIA na execução do Termo de Referência do objeto de contratação do trabalho. Estamos falando de mais de 20 milhões de pessoas que estão nessa Bacia. Não existe no País nada similar. Vamos identificar de forma ampla em toda a Bacia as principais fontes poluidoras; detectar trechos críticos como Pirapora que é o mais impactado; fazer o levantamento do impacto econômico de toda essa degradação, em diversas áreas como no turismo, na saúde; e terceira etapa desenhar soluções eficientes com um portfólio de ações. Atuar onde teremos mais benefícios. Separamos recursos também para implementação de um projeto piloto testando essas soluções”, frisou.
Soluções poderão servir de referência nacional
A execução do estudo contará com apoio técnico da AXIA Energia. O gerente de implantação da empresa, Alexandre Bahjat EBeidalla, afirmou que o projeto representa uma oportunidade de enfrentar um problema ambiental acumulado ao longo de décadas de urbanização e industrialização da Grande São Paulo.
“Este estudo reunirá conhecimento técnico, dados integrados e metodologias modernas para identificar as intervenções capazes de produzir os maiores benefícios ambientais, sociais e econômicos, com o melhor custo-benefício possível. Espera-se, entre outros resultados, melhorar a qualidade das águas, reduzir a carga de poluentes, minimizar o risco de eutrofização dos reservatórios, recuperar gradualmente os ecossistemas aquáticos e diminuir o transporte de contaminantes para as regiões a jusante do Rio Tietê”, destacou.
Com a assinatura do acordo, Pirapora do Bom Jesus passa a ocupar posição estratégica em uma iniciativa de alcance nacional que pretende transformar um dos pontos mais afetados pela poluição do Tietê em laboratório para soluções que poderão ser aplicadas em outras bacias hidrográficas do país.