Há suspeitas de que uma parcela significativa desses contratos possa estar concentrada em órgãos municipais de Barueri
(Imagem: Cauber Drone / Secom Barueri)
Uma linha de investigação conduzida pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e pelo DEIC apura supostas fraudes em licitações municipais, uso de empresas de fachada e lavagem de dinheiro. No centro do desdobramento batizado de Operação Falsa Las Vegas (derivado da Operação Falso Mercúrio), as autoridades analisam indícios envolvendo agentes políticos e possíveis vínculos familiares ligados à administração municipal de Barueri na facilitação de contratos públicos.
Segundo a investigação, a rede de empresas privadas sob suspeita teria movimentado mais de R$ 522 milhões em contratos com diferentes prefeituras paulistas. Os investigadores suspeitam de que uma parcela significativa desses contratos possa estar concentrada em órgãos municipais de Barueri, hipótese que motivou os mandados de busca na região em 28 de maio deste ano e que segue sob rigorosa auditoria em segredo de Justiça.
Fluxo financeiro suspeito
De acordo com as teses preliminares levantadas pelas autoridades, a organização criminosa teria estruturado uma rede financeira para mascarar recursos. Os indícios apontados no inquérito envolvem:
- Suspeita de pulverização: uso de contas em nome de terceiros ("laranjas") e transferências via Pix fracionadas para tentar despistar os órgãos de controle financeiro;
- Plataformas de apostas: investigadores apuram se o dinheiro era injetado em plataformas de apostas on-line, algumas hospedadas no exterior, que estariam sob análise, simulando premiações para integrar os valores à economia formal;
- Apuração de elos com facção: a polícia analisa transações bancárias do chamado Grupo IRKA, apontado no inquérito como possível operador financeiro, destinadas a indivíduos investigados por envolvimento no assassinato do delator Antônio Vinícius Gritzbach.
Bloqueios judiciais e medidas cautelares
Como medida preventiva para garantir o ressarcimento aos cofres públicos caso as irregularidades sejam comprovadas, a 1ª Vara de Crimes Tributários da Capital determinou bloqueios expressivos de bens. Somadas as duas fases da operação, o congelamento preventivo de ativos alcança até R$ 11,2 bilhões (R$ 6 bilhões na Falso Mercúrio e R$ 5,2 bilhões na Falsa Las Vegas).
Entre os bens sequestrados judicialmente para análise e conservação estão 76 imóveis sob suspeita de terem sido adquiridos com recursos ilícitos, frota de carros de luxo importados e um helicóptero Airbus, avaliado em R$ 25 milhões, cujo uso temporário foi solicitado pelo MPSP para operações aéreas da Polícia Civil.
As investigações prosseguem sem acusação formal definitiva. Até o momento, a Prefeitura de Barueri e as defesas dos citados no inquérito não emitiram posicionamentos públicos sobre o teor das suspeitas, resguardando o direito à ampla defesa e à presunção de inocência até a conclusão das auditorias.