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Do corporativo à plantação de café: a trajetória do empresário Renato Ishikawa

28 fev 2026 - 09h00 Beatriz Bononi
Do corporativo à plantação de café: a trajetória do empresário Renato Ishikawa Renato hoje conta com uma produção anual entre 10 e 12 mil sacas de café (Imagem: Thiago Henrique)

Executivo com passagem por grandes multinacionais de tecnologia e forte atuação no mercado imobiliário de Alphaville, Renato Ishikawa construiu uma carreira marcada por método, disciplina e atenção aos detalhes — valores herdados da cultura japonesa e aplicados tanto no ambiente corporativo quanto no campo.

Ex-CFO da Ericsson no Brasil e ex-presidente da NEC durante o auge das telecomunicações, ele também é fundador da CNL, incorporadora da região, e proprietário da Fazenda Aliança, no interior paulista.

Localizada em São João da Boa Vista, a Fazenda Aliança tornou-se, ao longo dos anos, um projeto produtivo estruturado. A propriedade conta hoje com mais de 1,5 milhão de pés de café, produção anual entre 10 e 12 mil sacas e operação voltada majoritariamente à exportação, com mercados como Japão, Itália e Europa. A atividade cafeeira é combinada à pecuária de corte, em um modelo complementar e totalmente mecanizado.

“A fazenda começou como lazer, como um lugar para eu descansar. Eu sempre tive área rural e já criei Nelore. Comprei a Fazenda Aliança em 1996. Vim num domingo, andei pela propriedade e pensei: ‘Vou comprar isso aqui’. Vi potencial. Começou com 67 alqueires e, aos poucos, fui ampliando, comprando áreas ao redor. A vocação para o café já existia desde o começo”, contou o empreendedor.

A lógica de gestão aplicada à fazenda segue os mesmos princípios usados por Renato ao longo da carreira executiva: controle de custos, processos bem definidos, investimento em tecnologia e decisões de longo prazo. A operação é financeiramente equilibrada, sem uso de financiamentos, e tem ampliado a produtividade com irrigação, fertirrigação e mecanização total das lavouras.

“A expectativa é seguir expandindo a produção. No começo, eu fazia isso muito mais por paixão, sem olhar tanto para a rentabilidade. Hoje, claro, eu olho também para o resultado. Hoje, café é um negócio rentável”, destacou.

Trajetória no corporativo Antes do campo, Renato construiu uma trajetória sólida no setor corporativo. Aos 37 anos, tornou-se CFO da Ericsson no Brasil, cargo raro à época para executivos locais. Na NEC, liderou a companhia durante um período de forte crescimento, com projetos de grande escala no país e relacionamento direto com a matriz japonesa.

Após décadas no setor de telecomunicações, passou a se dedicar integralmente ao mercado imobiliário, estruturando a CNL a partir de oportunidades identificadas ainda nos anos 1990, quando Alphaville vivia forte expansão.

“A CNL surgiu com um convite para um projeto de condomínio de casas, era um conjunto grande. Eu fiz um business plan, estudo de viabilidade e decidimos lançar e vender para financiar a construção. A primeira fase vendeu bem, veio a segunda, e depois formalizamos a empresa em 1995. Hoje, a gente terceiriza praticamente tudo: projeto, cálculo estrutural, fundação, execução. Trabalhamos com parceiros cadastrados e conhecidos pela qualidade. Para nós, qualidade pesa mais do que preço. É um princípio”, apontou.

Renato explicou ainda que, hoje, ele atua na CNL, principalmente, no começo: negociação de terreno, parceria, estruturação. “A operação eu deleguei para o Daniel e para o time. Mas eu faço questão de presença. Parceiro gosta de ver o dono. Em lançamentos e momentos importantes eu estou junto. Eu acredito que a empresa precisa ter ‘cara do dono’”.

Além dos negócios, o executivo também teve papel relevante em instituições como o Hospital Santa Cruz, Instituto Santa Teresinha e o Bunkyo - Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social -, onde implementou práticas de governança e gestão financeira.

“No Instituto Santa Teresinha, por exemplo, comecei ajudando de forma muito prática, indo aos fins de semana, resolvendo necessidades imediatas. Depois entendi que era preciso estruturar para durar: organizamos fornecedores, processos, cozinha, rotina. No Hospital Santa Cruz foi parecido. Em 2010, fui chamado para conversar e acabei entrando de corpo inteiro. Levei gestão, diálogo entre médicos, enfermagem e administração, e busquei referências no Japão. Esse processo levou cerca de três anos até a instituição entrar nos trilhos. Eu costumo dizer que não existe milagre, existe trabalho contínuo, método e compromisso”, enfatizou.

Para Renato, esse conjunto de valores se conecta a um conceito da cultura japonesa que orienta sua forma de agir: antecipar necessidades e cuidar das relações. “Omotenashi é fazer algo antes que a pessoa precise pedir. É atenção de verdade”, finalizou.

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