O cenário político para as eleições de 2026 na Região Metropolitana de São Paulo passou por uma reconfiguração
(Imagem: Benjamim Sepulvida/Secom Barueri)
O cenário político para as eleições de 2026 na Região Metropolitana de São Paulo passou por uma reconfiguração. O ex-prefeito de Barueri, Rubens Furlan (PSB), redefiniu seus planos eleitorais de curto prazo após mudanças internas em seu partido, o PSB, optando por consolidar sua base regional na Grande São Paulo e pavimentar um retorno ao poder municipal.
Mudança PSB
Em 6 de abril, o ex-ministro Márcio França (PSB) havia anunciado oficialmente o lançamento de sua pré-candidatura ao Senado por São Paulo, trazendo Rubens Furlan formalizado como seu primeiro suplente.
A engenharia política mudou no fim de junho de 2026, quando as negociações entre o PSB e o PT alteraram a composição majoritária. Márcio França recuou da disputa ao Senado para assumir o posto de pré-candidato a vice-governador na chapa de Fernando Haddad (PT) ao Governo do Estado.
A dobradinha foi oficializada no último sábado, 25 de julho, durante a convenção estadual do Partido dos Trabalhadores realizada em Campinas. Como reflexo direto dessa aliança, a chapa ao Senado foi desfeita, deixando Furlan sem espaço na disputa federal deste ano.
Em entrevistas divulgadas na internet, Furlan afirmou que recebeu a notícia com “alívio”, declarando que nunca possuiu o desejo genuíno de legislar em Brasília. Ele confirmou que não disputará nenhum cargo eletivo em 2026, atuando estritamente nos bastidores.
Alianças
Fora das urnas no pleito de 2026, o político de 73 anos direcionou sua influência para a Região Oeste da Grande São Paulo. Ele atua como principal cabo eleitoral na coordenação de duas candidaturas prioritárias para o seu grupo: Bruna Furlan (Republicanos), sua filha, que busca a reeleição como deputada estadual, e Igor Soares (PSD), ex-prefeito de Itapevi, que concorre a uma vaga de deputado federal.
Pragmaticamente, a saída da chapa ligada ao PT deu a Furlan maior flexibilidade de palanque. Apesar de ser filiado ao PSB, ele declarou publicamente que está livre para apoiar a reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), mantendo trânsito entre diferentes espectros políticos.
Eleições municipais
O real objetivo do recuo estratégico é a eleição municipal de outubro de 2028. Furlan, que já governou Barueri por seis mandatos, admitiu o plano de concorrer novamente à prefeitura da cidade, buscando um inédito sétimo mandato.
A possível candidatura de Rubens Furlan em 2028 também ocorre em meio a um imbróglio jurídico ainda sem desfecho definitivo. Em 2025, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) condenou o ex-prefeito por abuso dos meios de comunicação durante a campanha municipal de 2024, declarando sua inelegibilidade por oito anos.
Cassação
Na mesma decisão, o prefeito Beto Piteri e a vice-prefeita Cláudia Marques tiveram os diplomas cassados, além de também serem declarados inelegíveis. As defesas recorreram, mas, em junho deste ano, o TRE-SP não admitiu os recursos especiais ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Apesar disso, o processo ainda não transitou em julgado. As defesas podem apresentar agravo para que o TSE analise o caso, enquanto Piteri e Cláudia permanecem nos cargos por força de uma decisão liminar que suspendeu os efeitos imediatos da cassação. A situação de Furlan em relação à inelegibilidade também depende do julgamento definitivo pela Corte Superior.
A estratégia de Furlan visa blindar seu capital político regional, blindar as candidaturas de seus aliados em 2026 e manter a máquina de Barueri alinhada aos seus propósitos até a abertura das urnas municipais daqui a dois anos.
A Folha de Alphaville procurou o PSB para mais informações, mas não teve retorno até o fechamento desta reportagem.