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Política

Pré-candidato à presidência, Ciro Gomes ressalta vida pública ‘limpa’

Após anunciar a suspenção da intenção de concorrer, ex-ministro da Fazenda de Lula confirma nome 

12 nov 2021 - 08h00   atualizado em 02/12/2025 às 09h55
Pré-candidato à presidência, Ciro Gomes ressalta vida pública ‘limpa’ Filiado ao PDT foca trajetória política (Divulgação)

Após anunciar a suspensão da pré-candidatura à Presidência, depois que deputados de seu partido (PDT) apoiaram a PEC dos Precatórios, o ex-ministro da Fazenda e ex-governador do Ceará, Ciro Gomes, voltou a confirmar seu nome, na quarta-feira (10), para a disputa em 2022. Confira abaixo a entrevista exclusiva que ele concedeu à Folha de Alphaville. 

Ciro, o senhor disputará pela 4ª vez a presidência. Desta vez, o que terá como fôlego e qual a diferença dos demais pleitos?

O que estamos vivendo hoje não tem precedente em nossa história. As crises social, econômica, política e de saúde pública são gravíssimas. Eu apresento ao povo brasileiro minha biografia – são mais de 40 anos de vida pública limpa e sem responder a nenhum processo por corrupção, nem para ser absolvido. E venho com um Projeto Nacional de Desenvolvimento que coloca no centro do debate político a superação do trágico modelo de governança política e o malsucedido modelo econômico, que são reproduzidos desde FHC, passando por Lula, Dilma e Temer, até chegarmos no fundo do poço com Bolsonaro.


Como analisa o páreo com o ex-presidente Lula, de quem foi Ministro? E com o atual presidente Bolsonaro?

Lula representa a volta ao passado, um passado que gerou Bolsonaro. Alguém acredita que Bolsonaro seria presidente não fosse a tragédia econômica do Governo Dilma? É preciso ter clareza, foi no Governo do PT que a crise econômica que está sendo radicalizada pela total incompetência de Bolsonaro foi desencadeada. É por ter essa compreensão que tenho certeza de que o Brasil vai superar essa imposição cruel e preguiçosa entre um presente trágico e um passado que já não nos cabe mais.

O senhor vem ajustando seu discurso e tem focado em criticar o que chama de herança negativa do PT, acredita que Lula é seu principal adversário?

Não é crítica pela crítica. Estou buscando mostrar as contradições que nos levaram até aqui, até para que consigamos perceber quais os erros cometidos, para não repeti-los. Insisto, não basta trocar João por Maria ou Ana por Chico. Precisamos de um profundo debate do Brasil que queremos. Nem Lula e nem Bolsonaro parecem dispostos a esse debate, que flagrantemente expõe as contradições das tragédias produzidas por eles e que entregaram ao povo brasileiro a pior década dos últimos 120 anos, com crescimento econômico zero.

O senhor insistirá em uma chapa Ciro x Mandetta vice?

Mandetta é pré-candidato e é preciso respeitar os partidos e as candidaturas colocadas. O Mandetta foi uma pessoa que eu aprendi a admirar pelas posições firmes contra a política genocida e antidemocrática do Governo Bolsonaro. Assinamos um manifesto juntos, participamos de atividades em comum e tenho acompanhado sua vontade e disposição em contribuir para o Brasil superar essa tragédia que vivemos.

Na sua avaliação quais os dois principais desafios do próximo presidente? Caso vença as eleições, como pretende solucionar estas questões?

O primeiro grande desafio do próximo presidente será superar a tragédia econômica que começou nos governos do PT e que está sendo agravada pelo governo Bolsonaro, com recordes de desemprego, fechamento generalizado de empresas e a volta de uma inflação de dois dígitos. Isso se resolve com um Projeto Nacional de Desenvolvimento, que detalho no meu livro "Projeto Nacional: O Dever da Esperança". E o segundo será devolver a autoestima aos brasileiros, a capacidade de sonhar e de acreditar em um futuro melhor. O Brasil já foi capaz de produzir maravilhas que encantaram o mundo. Se o céu é o mesmo, com o Cruzeiro do Sul abençoado por Deus sobre nós, o chão é o mesmo, com toda a imensa riqueza do nosso solo, e o nosso povo generoso, diverso e criativo é o mesmo, o que falta? Falta a política, que ela seja feita com um norte, um projeto claro, que nos devolva a capacidade de crescer e desenvolver todo o nosso potencial de ser uma grande nação.

O senhor conta com apoio de algum prefeito/deputado da Região Oeste Metropolitana de SP? Como mudar o cenário da hegemonia do PSDB na região?



Com as lideranças de nosso presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, e do presidente do PDT de São Paulo, Antônio Neto, temos conversado com lideranças da região sobre o nosso Projeto Nacional de Desenvolvimento. O PDT apoiou a reeleição do Rogério Lins em Osasco, em Barueri temos quatro vereadores do partido, por exemplo. Nós temos a compreensão de que as saídas para as crises que o Brasil vive passam necessariamente por São Paulo e, por isso, estamos estruturando o partido em todo o Estado e debatido projetos com os mais diferentes segmentos.

Na sua análise qual foi o principal erro do mandato do presidente Bolsonaro? O que teria feito diferente?



Tenho feito um desafio para que alguém me aponte um ponto da vida brasileira que tenha melhorado com o governo Bolsonaro. Simplesmente não existe. O governo Bolsonaro é uma tragédia tão completa que é difícil apontar um único erro principal. Mas, sem dúvida, a atuação criminosa durante a pandemia, que a CPI tratou de tipificar, é algo absolutamente estarrecedor. Centenas de milhares de mães, pais, filhos, avós e avôs poderiam ter sido salvos se Bolsonaro tivesse comprado as vacinas logo que foram oferecidas, se ele não tivesse feito propaganda enganosa de remédios que não funcionam, se o Ministério da Saúde tivesse feito campanhas pelo distanciamento e pelo uso de máscaras. Mas ele fez exatamente o contrário. Por isso, eu e o PDT assinamos três pedidos de impeachment e denunciamos Bolsonaro ao Tribunal de Haia. 
Ele também tem atuado de forma absurda na economia, produzindo fome generalizada e cenas inaceitáveis de irmãos nossos disputando ossos ou revirando lixo pra comer. Ele errou na questão ambiental, com o aumento do desmatamento e das queimadas na Amazônia e no Pantanal, com imagens que nos envergonham diante do mundo e nos tornaram um pária internacional. Ele erra todos os dias na sua guerra contra a cultura, a educação, a imprensa, as minorias, gerando ódio generalizado entre os brasileiros. Ninguém aguenta mais isso. A cadeia é o destino desse criminoso.

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