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Automação

Padarias da região ‘adotam’ robôs e reforçam tendência de modernização do varejo

30 jan 2026 - 07h00 Gláucia Arboleya
Padarias da região ‘adotam’ robôs e reforçam tendência de modernização do varejo Inovação. Robôs levam pedidos até a mesa e recolhem louças (Imagem: Felipe Barros Photos)

Padarias de Alphaville e Tamboré investem em tecnologia e adotam robôs no atendimento ao público, reforçando a tendência de modernização do varejo alimentício. Entre as inovações estão equipamentos que transportam pedidos até as mesas, recolhem louças e interagem com os clientes. A Quinta do Marquês - Conde Alphaville possui cinco robôs e 85 funcionários.
 
Marcos Gonçalves Nunes, sócio proprietário da unidade, contou que adotou os equipamentos após o retorno de uma viagem à Ásia, “onde fizemos alguns contatos e tivemos experiências positivas com os outros restaurantes e fornecedores”. Marcos anunciou ainda, sem dar detalhes, que em breve a padaria terá novidades. “Internamente já existem outras máquinas, que não são robôs, mas facilitam o dia a dia”.

Os consumidores
A tecnologia, além de atrair a atenção dos consumidores, é parte de uma estratégia para otimizar o serviço e destacar o estabelecimento no mercado. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (ABIP), o setor tem direcionado cerca de 10% do faturamento anual para modernização. Em 2025, o segmento movimentou mais de R$ 110 bilhões no Brasil, com destaque para padarias que adotam automação como diferencial competitivo.

Para os empresários, o uso de inteligência artificial melhora a eficiência operacional, reduz custos e responde à crescente demanda por agilidade e inovação. A aposta em robôs reflete uma mudança no perfil de consumo e nas exigências do cliente por experiências mais práticas e personalizadas.

Apoio operacional
O gerente da Empório Tamboré, Bruno Andrade, reforça que “o robô não substitui o contato humano, mas ajuda a tornar o serviço mais ágil e organizado. A gente percebeu que o robô poderia ser um apoio operacional, especialmente em horários de pico, ajudando a equipe sem tirar o lado humano do atendimento, que para nós é essencial”. Ele contou que a aceitação da equipe foi muito rápida e os clientes encaram o robô como algo divertido e moderno.

“Acreditamos que a tecnologia será cada vez mais presente, principalmente como apoio. Mas não vemos o futuro sem pessoas. O equilíbrio entre tecnologia e atendimento humano é o que faz sentido para o mercado brasileiro”, enfatizou. A padaria conta com mais de 50 colaboradores dedicados exclusivamente ao atendimento, além de uma equipe distribuída entre as áreas de produção e setor administrativo.

Pontos positivos
Sobre as vantagens de ter robôs à serviço do comércio, Marcos Gonçalves Nunes, da Quinta do Marquês Conde Alphaville, disse: “acreditamos que seja com o tempo o ganho de custos, com relação a produtividade o humano é mais ágil e flexível, mas com o apagão da mão de obra ele conseguiu suprir as necessidades”.

Em relação a receptividade dos clientes com a tecnologia, Marcos avalia, “simples, o cliente já é mais evoluído do que nós, e está “acostumado com as inovações, pois a tradição está na essência da produtos, isto ninguém muda o sabor de um pãozinho ou do bolinho de bacalhau, por exemplo”.

Custos
O presidente do SinHoRes Osasco – Alphaville e Região, Sindicato Empresarial de Hospedagem & Alimentação, Edson Pinto, revelou que no cenário atual, o custo de aquisição e manutenção de robôs ainda é elevado, com valores que podem variar entre R$ 70 mil e R$ 120 mil por unidade. Para pequenos e médios empreendedores, isso representa um desafio significativo. “Contudo, acreditamos que, com o avanço da tecnologia e o aumento da demanda, esses custos tendem a diminuir”, analisou.

“A chave está em usar a tecnologia para reforçar o relacionamento com o cliente”, Edson Pinto, presidente do SinHoRes Osasco, Alphaville e Região

1. Como o Sindicato vê o uso de robôs no atendimento ao público em padarias e comércios da região?
O Sindicato entende que o desejo de adoção de robôs no atendimento, por parte de alguns empresários, surge como uma resposta natural aos desafios atuais do setor, como a falta de mão de obra qualificada e o aumento da competitividade. Enxergamos a tecnologia como um recurso apenas complementar ao trabalho humano, capaz de trazer agilidade e eficiência aos processos. Porém, reforçamos que o foco deve ser na utili- zação de novas ferramentas como aliadas, preservando a personalização e a qualidade que são marcas registradas do atendimento das atividades eminentemente turísticas, como são os hotéis, bares e restaurantes.

2. Essa tendência já é uma realidade em estabelecimentos locais?
Embora ainda seja algo embrionário, já vemos hotéis e restaurantes da nossa base sindical testando e adotando soluções tecnológicas no dia a dia. Por exemplo, algumas padarias já utilizam robôs para tarefas simples como entrega de pedidos e recolhi- mento de louças. Apesar de ser um movimento pontual, acreditamos que ele deve se expandir, especialmente devido à dificuldade em encontrar mão de obra qualificada para funções que demandam eficiência operacional. Outra modalidade são os totens de atendimento, fazendo a conexão do cliente diretamente com a cozinha e a copa, eliminando a necessidade de muitos garçons no salão.

3. Quais são os principais benefícios ao adotar esse tipo de tecnologia?
Os benefícios relatados pelos comerciantes incluem a otimização do tempo, redução do desgaste físico em tarefas repetitivas e maior possibilidade de realocar funcionários para áreas que exigem mais interação humana e criatividade. Além disso, a automação pode resultar em maior eficiência dos processos, redução de custos a médio e longo prazo, e até mesmo maior satisfação de clientes, que percebem a modernização como reflexo de uma experiência aprimorada.

4. Como equilibrar inovação tecnológica x relacionamento próximo entre comerciantes e clientes?
A chave está em usar a tecnologia para reforçar, e não enfraquecer, o relacionamento com o cliente. Quando os pro- fissionais deixam de executar tarefas mecânicas — como abrir pedidos ou limpar mesas —, eles ganham tempo para atender com mais atenção e interesse. Além disso, é essencial treinar equipes para que utilizem a tecnologia como ferramenta complementar, garantindo que a experiência no ponto de venda seja ágil, eficiente e, ao mesmo tempo, acolhedora e humanizada. A tecnologia não é um fim, mas um meio. O futuro do setor de hospitalidade e alimentação está no equilíbrio: modernizar as operações para enfrentar os desafios econômicos e de mão de obra, sem abrir mão da essência acolhedora que caracteriza as experiências que oferecemos aos clientes. É essa harmonia que buscamos diariamente, como representantes e defensores do setor.

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