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Polícia Federal

Concessionária de luxo Gatti Veículos é alvo da PF por esquema de R$ 1 bilhão

29 jul 2026 - 13h02 Aliz Lambiazzi   atualizado em 30/07/2026 às 08h09
Concessionária de luxo Gatti Veículos é alvo da PF por esquema de R$ 1 bilhão Operação Commodity contou com ações em São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Espírito Santo (Imagem: Rafa Neddermeyer / Agência Brasil)

A Gatti Veículos Premium, uma concessionária de veículos de alto padrão em Osasco (SP), tornou-se um dos principais alvos da Operação Commodity, deflagrada no dia 23 de julho pela Polícia Federal para investigar uma organização criminosa suspeita de atuar no tráfico internacional de drogas e na lavagem de dinheiro.

A empresa foi submetida a uma intervenção judicial durante a operação, que determinou ainda o bloqueio de bens de pessoas físicas e jurídicas investigadas no valor de até R$ 1 bilhão. Segundo a PF, a concessionária teria sido utilizada como uma das estruturas para ocultar patrimônio e movimentar recursos de origem ilícita.

A investigação aponta que o grupo criminoso teria enviado cerca de 6,5 toneladas de cocaína para países da Europa por meio de cargas marítimas e desenvolvido uma estrutura financeira considerada sofisticada pelos investigadores, com uso de empresas, imóveis, veículos de luxo e outros mecanismos para dificultar o rastreamento dos valores.

Loja de carros de alto padrão

Conhecida pela comercialização de veículos esportivos e modelos de luxo, a concessionária investigada trabalha com automóveis que chegam à casa dos milhões de reais.

Entre os veículos anunciados pela empresa estavam modelos de marcas como Ferrari, Lamborghini, Mercedes-AMG, Bentley, Porsche, Audi e BMW, com unidades avaliadas em valores de quase R$ 4 milhões.

Para os investigadores, negócios envolvendo bens de alto valor podem ser utilizados por organizações criminosas como uma forma de movimentar grandes quantias, dificultar a identificação da origem dos recursos e transformar dinheiro ilícito em patrimônio aparentemente regular.

Como funcionaria o esquema investigado

Segundo a Polícia Federal, a organização teria estruturado uma rede para movimentar recursos provenientes do tráfico internacional de drogas. As apurações indicam que o grupo utilizava diferentes mecanismos para ocultação patrimonial, incluindo empresas, imóveis de alto padrão, veículos de luxo, criptoativos e documentos fiscais suspeitos.

As investigações indicam que o grupo teria atuado desde 2021 no envio de aproximadamente 6,5 toneladas de cocaína para países da Europa por meio de cargas marítimas. Para tentar ocultar os entorpecentes e dificultar a fiscalização, a organização teria utilizado diferentes métodos de dissimulação, incluindo o transporte da droga em meio a sacos de café, cargas de cimento e argamassa, além de uma técnica que envolvia a dissolução da cocaína em garrafas de refrigerante.

Operação cumpriu mandados em quatro Estados

A Operação Commodity contou com ações em São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Espírito Santo. Ao todo, foram cumpridos 13 mandados de prisão preventiva e 44 mandados de busca e apreensão, segundo informações divulgadas sobre a investigação.

A ofensiva faz parte da chamada Missão Redentor II, iniciativa voltada ao enfrentamento de organizações criminosas com atuação interestadual e internacional.

Investigação segue em andamento

A Polícia Federal informou que as medidas adotadas têm como objetivo interromper a estrutura financeira da organização investigada e preservar bens que possam ter relação com os crimes apurados.

A defesa de Clayton de Souza, sócio fundador da Gatti Veículos, negou qualquer envolvimento dele ou da empresa em práticas de ocultação de recursos ou em ações destinadas a beneficiar a organização criminosa investigada.

Segundo os advogados, foram apresentados às autoridades documentos que, na avaliação da defesa, demonstram que Clayton e a pessoa jurídica não tiveram participação nos fatos apurados. A defesa afirmou ainda que o avanço da investigação deverá comprovar o “completo alheamento” do empresário e da empresa em relação aos crimes investigados.

A defesa também declarou que a única relação de Clayton de Souza com outro investigado na operação teria sido de natureza comercial, relacionada às atividades da concessionária, sem qualquer vínculo com eventuais práticas ilícitas apontadas pela Polícia Federal.

Até o momento, as suspeitas fazem parte de uma investigação em andamento. Eventuais responsabilidades individuais e empresariais ainda dependem do avanço do processo judicial.

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