A Divisão de Crimes Cibernéticos (DCCiber) do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) encerrou 2025 com 353 casos solucionados, o equivalente a quase uma ocorrência esclarecida por dia.
Ao longo do ano, a DCCiber realizou 138 operações, cumpriu 632 mandados judiciais e efetuou 325 indiciamentos. Também foram apreendidos 402 celulares e 727 dispositivos e materiais eletrônicos utilizados para coleta de provas e identificação de suspeitos.
De acordo com o delegado divisionário Paulo Barbosa, os resultados refletem o trabalho integrado entre investigação policial e inteligência técnica. A divisão conta com o apoio do Centro de Inteligência Cibernética (CIC), composto por policiais com formação avançada em tecnologia da informação, apelidados de “hackers” dentro da corporação.
“Todos os agentes atuantes possuem formação na área digital, seja por cursos acadêmicos ou especializações oferecidas pela Academia de Polícia. Enquanto parte da equipe cumpre diligências nas ruas, os especialistas técnicos operam em áreas restritas da internet, contribuindo com rastreamento digital e vínculos eletrônicos que fortalecem o avanço das investigações”, afirmou Barbosa.
Golpes digitais lideram ocorrências
Entre os principais crimes investigados pela DCCiber estão os golpes virtuais, que utilizam engenharia social e recursos tecnológicos cada vez mais sofisticados. Falsos gerentes de banco, perfis fraudulentos de investimentos em redes sociais, clonagem de números de telefone e pedidos de dinheiro feitos por supostos familiares estão entre as práticas mais comuns.
De acordo com o delegado, o uso de tecnologias como Voz sobre Protocolo de Internet (VoIP), mascaramento de números e até inteligência artificial para simulação de vozes tem aumentado o poder de convencimento dos criminosos e dificultado a identificação dos golpes pelas vítimas.
“No golpe do falso gerente, por exemplo, a pessoa recebe uma ligação do mesmo número do banco, com a voz do gerente, algo que antes não era possível. O golpista informa sobre uma suposta tentativa de invasão na conta, diz que vai acionar protocolos de segurança e, com isso, a vítima fica preocupada e acaba fazendo tudo o que ele pede”, exemplificou. “O crime entendeu que é mais vantajoso atuar por trás de uma tela do que nas ruas.”
Além disso, segundo Barbosa, apesar da percepção comum de que idosos seriam as principais vítimas, jovens entre 16 e 25 anos figuram entre os grupos mais atingidos, justamente por serem os mais ativos nas redes sociais e plataformas digitais. “O golpe explora emoção, urgência e oportunidade. Quando a vítima age no automático, sem checar a informação, acaba facilitando a ação criminosa”, alertou o delegado.
Orientação e prevenção
A Polícia Civil reforça que bancos não solicitam dados, senhas ou procedimentos de segurança por links ou mensagens. A recomendação é sempre utilizar os aplicativos oficiais, desconfiar de promessas de ganhos fáceis e, em situações de dúvida, interromper a ação e confirmar a informação por outros meios, como uma ligação direta ao familiar ou à instituição