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Doria fala em Rio Tietê despoluído; especialista diz que é ‘utopia’

 Primeira etapa do projeto, que envolve o Rio Pinheiros, espera criar no entorno um polo turístico como o de "Porto Madero"

23 ago 2019 - 08h04   atualizado em 02/12/2025 às 09h38
Doria fala em Rio Tietê despoluído; especialista diz que é ‘utopia’ Mancha de poluição no Rio Tietê recuou 8 km de 2017 para 2018 (Foto: Michela Brígida/Folha de Alphaville)
Na última semana, o governador de São Paulo, João Doria, anunciou um programa para a despoluição de dois importantes rios do Estado. Segundo o gestor, até 2022 o Rio Pinheiros estaria limpo e o Tietê, que corta cidades da região, também estaria com condições mais toleráveis de poluentes, porém, em mais tempo, entre oito e dez anos. 

O objetivo do governo, após o rio limpo, é tornar seu leito navegável e o entorno um polo gastronômico, nos moldes de Porto Madero, em Buenos Aires.
Segundo o governo, o pacote de obras da Companhia de Saneamento Básico (Sabesp) será viabilizado por meio de contratação de empresas, que farão o serviço e só receberão se cumprirem metas. O investimento será de 1,5 bilhão de reais. O projeto de limpar o Rio Pinheiros já foi proposto antes, além de outras ações. 

Projeto Tietê
O Projeto Tietê, que também engloba o Pinheiros, foi criado em 1992 e consumiu mais de 3 bilhões de reais para a criação de infraestrutura para coleta, transporte e tratamento de esgotos.

Segundo a Fundação SOS Mata Atlântica, a mancha de poluição do rio Tietê já recuou de 530 km para 122 km, uma redução de 77%. Só de 2017 para 2018, a mancha diminuiu de 130 km para 122 km, ou seja 8 km.

Para Malu Ribeiro, coordenadora do programa Rede das Águas, apesar dos dados, não é possível prever um nível zero de poluição. "A cada década, os desafios do saneamento ambiental aumentam. Há os poluentes invisíveis, como óleos, graxarias, isso acaba indo para o rio e os sistemas de esgoto não dão conta. Não temos tecnologia para descontaminar fertilizantes agrícolas. Então, não chegaríamos à mancha zero, isso seria uma utopia", afirmou à Folha de Alphaville. 

Ainda assim, ela diz que a luta que move a ONG continuará para "ter um rio Tietê saneado, limpo, com condições de usos múltiplos de sua água para toda a sociedade". 

Outros projetos: Hidroanel Metropolitano

Em 2011, o governo paulista por meio do Departamento Hidroviário da Secretaria de Logística e Transportes, desenvolveu em parceria com a FAU-USP, estudos de viabilidade técnica para implantação do Hidroanel Metropolitano de São Paulo, com custo de U$ 3 bilhões. 


O projeto, uma rede de vias navegáveis composta pelos rios Tietê e Pinheiros, represas Billings e Taiaçupeba, além dos rios e represas, criaria um canal artificial, totalizando 170km de hidrovias urbanas, com apelo turístico. Mas, nunca saiu do papel. Procurada pela reportagem, a EMAE Metropolitana de Águas e Energia do Estado (Emae) diz que tem a intenção de fazer um estudo sobre a viabilidade da navegação no rio entre as barragens da Penha, na Zona Leste, e de Parnaíba.


Para o consultor Frederico Bussinger, a navegação é viável no rio tietê. "O transporte de cargas acaba sendo muito mais viável, pois pode ser feita mesmo com o odor, só precisa remover os entulhos.Mas é claro que esta avaliação passa por contas, números, volume e receita", disse à Folha de Alphaville. De acordo com Bussinger, um dos fatores que dificultam que o projeto saia do papel é a estruturação financeira, que hoje precisaria ser atualizada.

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