Vereador Wilson Zuffa, presidente da Câmara de Barueri
(Imagem: Marco Miatelo/Câmara de Barueri)
A Polícia Civil realizou buscas no gabinete do presidente da Câmara Municipal de Barueri, vereador Wilson Zuffa (Republicanos), na manhã desta quinta-feira (29). Agentes estiveram na sede do Legislativo, onde fizeram averiguações em arquivos e equipamentos.
A ação ocorre duas semanas após a residência de uma assessora do parlamentar ser alvo de uma operação contra a chamada Máfia do Caixão, esquema suspeito de corrupção envolvendo serviços funerários em Carapicuíba.
Segundo informações divulgadas nesta quinta-feira, viaturas da Polícia Civil ocuparam a praça em frente à Câmara durante as diligências. Até o momento, não foram informados quais materiais foram apreendidos, nem se o próprio presidente do Legislativo é investigado.
Também não há confirmação oficial de que os mandados cumpridos na Câmara estejam diretamente relacionados ao inquérito da Máfia do Caixão.
Assessora foi alvo de operação anterior
Em 15 de outubro, a Polícia Civil cumpriu oito mandados de busca e apreensão em Barueri, Carapicuíba e Santana de Parnaíba, durante a segunda fase das investigações sobre o suposto esquema funerário.
Um dos endereços vistoriados foi a residência de Jannyze Dantas Batista, assessora do presidente da Câmara, Wilson Zuffa. No imóvel, os policiais encontraram aproximadamente R$ 1 milhão em dinheiro, além de joias e relógios de luxo.
Segundo reportagem exibida pelo SBT Notícias em 16 de outubro, a Polícia Civil informou que Jannyze teria declarado, em depoimento, que o dinheiro seria destinado ao pagamento de propinas. A origem e o destino dos recursos continuam sob investigação.
Após a operação, Wilson Zuffa afirmou que o dinheiro pertenceria a uma herança da assessora. O parlamentar também declarou que não pretendia afastá-la do cargo, por considerar que não havia elementos relacionados às atividades dela na Câmara que justificassem a medida.
Zuffa também disse que eventuais providências administrativas seriam avaliadas caso surgissem fatos concretos.
Entenda a investigação da Máfia do Caixão
O inquérito conduzido pelo 1º Distrito Policial de Carapicuíba investiga suspeitas de corrupção envolvendo servidores municipais e empresários do setor funerário.
Segundo as investigações, famílias que tinham direito a serviços funerários gratuitos oferecidos pelo município teriam sido induzidas a contratar funerárias particulares, com cobranças que chegavam a R$ 3 mil.
Os envolvidos supostamente omitiam informações sobre a gratuidade e alegavam que os caixões fornecidos pelo serviço público eram de qualidade inferior. Há também relatos de famílias pressionadas a entregar objetos de valor para custear os sepultamentos.
A polícia investiga possíveis crimes de corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.
Polícia também realiza outra operação contra irregularidades no setor funerário
Nesta quinta-feira (29), a Corregedoria-Geral da Polícia Civil e a Prefeitura de São Paulo também deflagraram uma nova fase da Operação Luctus, que investiga a comercialização ilegal de informações sobre pessoas falecidas.
A operação prevê o cumprimento de 21 mandados de busca e apreensão na capital e em municípios da Grande São Paulo, incluindo Embu das Artes, Taboão da Serra, Cotia e Diadema.
Segundo as investigações, informações sigilosas obtidas em hospitais, no Instituto Médico Legal (IML) e no Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) seriam repassadas a empresas funerárias, que procuravam familiares logo após as mortes para oferecer serviços particulares.
Embora as duas investigações envolvam suspeitas de irregularidades no setor funerário, não há confirmação oficial de que sejam parte do mesmo inquérito ou de que os 21 mandados da Operação Luctus incluam as buscas realizadas na Câmara de Barueri.
Até a conclusão desta matéria, também não havia sido divulgada manifestação atualizada de Wilson Zuffa sobre a presença dos policiais em seu gabinete nesta quinta-feira.