O Sistema Cantareira é principal responsável pelo abastecimento de água da Região Metropolitana de São Paulo
(Imagem: Pablo Jacob / Governo do Estado de SP)
O Sistema Cantareira, principal responsável pelo abastecimento de água da Região Metropolitana de São Paulo, continuará operando na Faixa 2 – Atenção a partir de 1º de junho de 2026. A decisão foi anunciada pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e pela Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP Águas), com base nas regras estabelecidas pela Resolução Conjunta nº 925, de 29 de maio de 2017.
O enquadramento foi definido após a análise dos níveis de armazenamento registrados no fim de maio. Em 29 de maio, o Sistema Cantareira operava com 40,52% de seu volume útil, índice ligeiramente inferior aos 42,51% observados em 30 de abril. Apesar da queda, o percentual permaneceu acima do limite de 40% exigido para manutenção da Faixa 2 – Atenção.
Com a permanência nessa faixa operacional, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) continuará autorizada a retirar até 31 metros cúbicos por segundo (m³/s) do Sistema Cantareira durante o mês de junho, conforme previsto na regulamentação vigente.
Além dessa vazão, a Sabesp poderá utilizar, como medida de mitigação, eventual volume de água transposto para o reservatório da Usina Hidrelétrica (UHE) Jaguari, localizada na bacia do rio Paraíba do Sul. A utilização adicional deverá respeitar os limites estabelecidos na outorga de uso dos recursos hídricos.
Período seco
O período seco na região Sudeste ocorre entre 1º de junho e 30 de novembro. Durante esses meses, a definição das vazões destinadas às bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (Bacias PCJ) é realizada por meio de comunicados emitidos pelos Comitês das Bacias Hidrográficas dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (Comitês PCJ) e encaminhados à SP Águas.
As duas agências reforçaram a necessidade de adoção de medidas voltadas à gestão da demanda por água. Entre as recomendações estão ações para redução de perdas nos sistemas de distribuição, estímulo ao consumo consciente e uso racional do recurso por parte da população, empresas e demais usuários.
A operação do Sistema Cantareira é acompanhada diariamente pela ANA e pela SP Águas, que monitoram indicadores como volume armazenado, vazões afluentes e níveis dos reservatórios para subsidiar as decisões operacionais.
As regras atualmente em vigor foram definidas após a grave crise hídrica enfrentada pelo Estado de São Paulo entre 2014 e 2015. A Resolução Conjunta nº 925/2017 criou um sistema de faixas operacionais baseado no volume acumulado nos reservatórios, com o objetivo de garantir maior previsibilidade e segurança hídrica para a Região Metropolitana de São Paulo e para as Bacias PCJ.
Sobre o sistema Cantareira
Considerado o principal sistema produtor de água da Grande São Paulo, o Cantareira abastece aproximadamente metade da população da região metropolitana e também contribui para diversos usos da água nas bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, incluindo o abastecimento de municípios como Campinas.
O sistema é formado por cinco reservatórios interligados: Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro. Juntos, eles possuem capacidade útil total de 981,56 bilhões de litros de água.
Desde 2018, o Cantareira conta ainda com uma importante obra de integração hídrica: a ligação entre a represa da UHE Jaguari, situada na bacia do rio Paraíba do Sul, e o reservatório Atibainha. A estrutura ampliou a flexibilidade operacional do sistema e aumentou a segurança do abastecimento para a Região Metropolitana de São Paulo.
Embora todos os reservatórios estejam localizados em território paulista, parte da água que alimenta o sistema provém de rios de domínio da União, uma vez que possuem nascentes e trechos localizados em Minas Gerais. Essa característica torna necessária a gestão compartilhada entre órgãos federais e estaduais.
As informações atualizadas sobre o Sistema Cantareira podem ser consultadas na Sala de Situação da ANA), na Sala de Situação PCJ e no Sistema de Acompanhamento de Reservatórios da ANA.