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Segurança pública

São Paulo registra menor taxa de homicídios do Brasil, aponta Atlas da Violência 2026

27 mai 2026 - 16h37 Aliz Lambiazzi   atualizado às 16h57
São Paulo registra menor taxa de homicídios do Brasil, aponta Atlas da Violência 2026 São Paulo lidera o ranking nacional de menor taxa de homicídios desde 2015 (Imagem: Divulgação / Governo do Estado de SP)

O Estado de São Paulo registrou a menor taxa de homicídios do Brasil em 2024, segundo dados do Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

O levantamento aponta que o território paulista alcançou índice de 6,6 mortes por 100 mil habitantes em 2024, a menor entre todas as 27 unidades da federação. O Estado lidera, seguido de Santa Catarina e do Distrito Federal no ranking nacional de segurança pública.

O levantamento também destaca que São Paulo lidera o ranking nacional de menor taxa de homicídios desde 2015 e acumulou redução de 53,2% nos crimes violentos ao longo do período analisado.

Na região, a tabela com as taxas de homicídios estimados nos municípios com mais de 100 mil habitantes aponta que Barueri, no período mencionado, registou 22 homicídios registrados, 12 homicídios ocultos, totalizando 34 homicídios estimados, obtendo uma taxa de 10,3 homicídios estimados a cada 100 mil habitantes.

Em Santana de Parnaíba constam sete homicídios registrados, cinco homicídios ocultos, totalizando 12 homicídios estimados: taxa de 7,4 mortes a cada 100mil habitantes no período.

Números da Segurança Pública

Dados da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) reforçam o cenário de queda da criminalidade no Estado. Em números absolutos, São Paulo registrou, pelo terceiro ano consecutivo, a menor quantidade de homicídios dolosos da série histórica iniciada em 2001. Ao longo de 2025, foram contabilizados 2.438 casos em todo o território paulista. O levantamento também aponta que quase metade dos municípios do Estado não registrou nenhuma ocorrência desse tipo de crime entre janeiro e dezembro.

Os principais indicadores criminais paulistas também apresentaram reduções históricas no ano passado. Os roubos totalizaram 161.310 ocorrências, número 16% menor em relação a 2024 e o mais baixo desde o início da série histórica. Os casos de latrocínio chegaram a 129 registros, representando queda de 22%, enquanto os roubos de carga somaram 3.470 ocorrências, redução de 26%. Ambos também atingiram os menores níveis já registrados pela SSP-SP. Outro dado inédito apontado pela pasta foi a redução dos roubos de veículos para menos de 30 mil casos pela primeira vez no Estado.

À Agência SP, o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, disse que os investimentos em prevenção, análise criminal e monitoramento para reduzir ainda mais os crimes violentos irão continuar.

“São Paulo mantém a menor taxa de homicídios do país porque investe de forma contínua em inteligência, integração entre as forças policiais, tecnologia e gestão baseada em evidências. Os dados reforçam que políticas públicas permanentes, aliadas ao trabalho técnico e integrado das polícias, salvam vidas”, afirmou o secretário.

Cenário nacional

O estudo mostra que, no cenário nacional, o Brasil registrou 42.590 homicídios em 2024, o equivalente a uma taxa de 20,1 mortes por 100 mil habitantes. O número representa redução de 7,4% em comparação com 2023 e é considerado o menor patamar desde o início da série histórica iniciada em 2014.

Além de São Paulo, os menores índices oficiais de homicídios foram registrados em Santa Catarina e no Distrito Federal. Na outra ponta do ranking aparecem Amapá, Bahia, Pernambuco e Ceará, Estados que concentram as taxas mais elevadas de violência letal no país.

O Atlas da Violência destaca que as diferenças regionais refletem fatores históricos, econômicos e sociais, além da atuação do crime organizado e da capacidade institucional dos Estados. Segundo os pesquisadores, regiões como Norte e Nordeste enfrentam maior expansão de facções criminosas, conflitos territoriais e fragilidade das estruturas de segurança pública, enquanto Sul e Sudeste apresentam envelhecimento populacional mais acelerado e maior consolidação urbana.

Apesar da redução nos índices oficiais, o relatório faz um alerta sobre o crescimento expressivo das chamadas Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI), classificadas como casos em que o Estado não consegue apontar se a morte ocorreu por homicídio, acidente ou suicídio. A partir desses registros, o estudo estima os chamados “homicídios ocultos”.

Entre 2023 e 2024, os homicídios ocultos cresceram 88,6% no país, passando de 3.755 para 7.083 casos. A taxa subiu de 1,8 para 3,3 mortes por 100 mil habitantes. Segundo o levantamento, essas ocorrências já representam 14,3% dos homicídios estimados no Brasil, quase o dobro do percentual registrado no ano anterior.

O estudo também revela que a juventude continua sendo o principal alvo da violência letal no país. Entre 2014 e 2024, 301.825 jovens de 15 a 29 anos foram assassinados no Brasil — média de aproximadamente 75 mortes por dia. Apenas em 2024, foram 19.801 jovens mortos.

Outro dado apontado pelo levantamento é o impacto desigual da violência sobre diferentes grupos sociais. A taxa de homicídios entre pessoas negras segue 170,3% superior à registrada entre não negros. Mulheres negras apresentam índice de violência letal 66,7% maior do que mulheres não negras. O relatório ainda aponta crescimento das notificações de violência contra pessoas LGBTQIAPN+, indígenas e vítimas de violência doméstica.

Na avaliação dos pesquisadores, os dados mostram uma combinação de avanços e desafios. Embora o Brasil tenha reduzido os homicídios nos últimos anos, o aumento da subnotificação preocupa especialistas por dificultar o planejamento de políticas públicas de segurança.

O Atlas da Violência 2026 foi elaborado a partir de informações do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), ambos do Ministério da Saúde. O levantamento marca dez anos da parceria entre o Ipea e o FBSP no monitoramento da violência letal no país.

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