Teste mede a concentração da proteína p-tau217 no sangue, associada a alterações características do Alzheimer
(Imagem: Kaboom Pics / Pexels)
Um novo exame de sangue que ajuda a identificar alterações cerebrais associadas ao Alzheimer começou a ser oferecido no Brasil no dia 15 de outubro. A tecnologia, aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), está disponível inicialmente no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre (RS), na rede privada, com custo estimado em R$ 3 mil.
O teste mede a concentração da proteína p-tau217 no sangue, associada a alterações características do Alzheimer. A novidade pode facilitar o diagnóstico e reduzir a necessidade de procedimentos mais invasivos e caros, como a punção lombar e exames especializados de imagem.
A análise é indicada para pessoas com mais de 50 anos que já apresentam alterações cognitivas e suspeita clínica da doença. O exame depende de solicitação médica e não é recomendado para quem não apresenta sintomas.
Como funciona o exame
A proteína p-tau217 funciona como um marcador biológico relacionado ao acúmulo de placas de beta-amiloide no cérebro, uma das características do Alzheimer.
Um estudo publicado em 2025 na revista científica Nature Medicine, com 1.767 participantes de três países europeus, demonstrou que a tecnologia alcançou concordância de 92% a 94% com exames do líquido que envolve o cérebro e a medula, dependendo dos critérios utilizados.
Apesar da precisão elevada, um resultado positivo não confirma, isoladamente, que o paciente tenha demência causada pelo Alzheimer. O diagnóstico deve considerar os sintomas, o histórico clínico e outras avaliações médicas.
O exame também pode apresentar resultados inconclusivos. Segundo Eduardo Zimmer, responsável pela implementação da tecnologia no Hospital Moinhos de Vento, essa situação pode ocorrer em aproximadamente 15% a 20% dos casos, exigindo exames complementares ou uma nova análise posteriormente.
Quando estará disponível no SUS?
Por enquanto, o exame é oferecido apenas na rede privada. O Hospital Moinhos de Vento pretende ampliar o acesso por meio de planos de saúde, mas ainda não há confirmação de cobertura pelas operadoras.
A disponibilização pelo Sistema Único de Saúde (SUS) também não tem previsão. Segundo informações do Ministério da Saúde divulgadas em outubro, ainda não havia sido apresentado pedido de avaliação da tecnologia à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).
A incorporação depende de análises sobre eficácia, segurança, custo-benefício e impacto financeiro.
Diagnóstico mais rápido pode ajudar no tratamento
A principal vantagem do exame é permitir que especialistas investiguem a doença de maneira mais simples, contribuindo para diagnósticos mais rápidos.
Identificar o Alzheimer nas fases iniciais pode ampliar as possibilidades de tratamento. Medicamentos mais recentes, como donanemabe e lecanemabe, podem retardar a progressão da doença em determinados pacientes, embora não representem uma cura.
Especialistas orientam que pessoas com esquecimentos frequentes, dificuldades de orientação ou outras alterações cognitivas procurem avaliação médica. A investigação pode ser conduzida por neurologistas, geriatras ou outros profissionais especializados.
O exame de sangue representa mais uma ferramenta para esclarecer a causa dos sintomas, mas não substitui a avaliação clínica.