Falcon Heavy decola da Flórida levando o telescópio Roman
(Imagem: NASA/Joel Kowsky)
A Nasa lançou com sucesso neste domingo (30) o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, novo observatório que terá um campo de visão pelo menos 100 vezes maior que o do Hubble. A missão vai investigar alguns dos maiores mistérios do Universo, como matéria e energia escuras, além de procurar planetas fora do Sistema Solar.
O Roman decolou às 8h26 (horário de Brasília) a bordo de um foguete Falcon Heavy, da SpaceX, a partir do Centro Espacial Kennedy, na Flórida. O lançamento pode ser visto no canal da NASA no Youtube.
Cerca de 2 minutos e 24 segundos após o lançamento, os dois propulsores laterais se separaram do núcleo central do Falcon Heavy. Em seguida, fizeram a manobra de retorno à Flórida e pousaram nas Zonas de Pouso 2 e 40. Um deles completou seu primeiro voo, enquanto o outro foi utilizado pela terceira vez, após participar das missões GOES-U e Viasat-3 F3.
Cerca de 31 minutos depois da decolagem, o Roman se separou do segundo estágio do foguete e passou a voar de forma autônoma. Antes disso, o observatório já havia estabelecido comunicação com a Terra por meio de um satélite de rastreamento e retransmissão de dados da Nasa.
Após o lançamento, a equipe confirmou a abertura bem-sucedida dos painéis solares e da parte inferior do escudo que ajuda a proteger os instrumentos do calor. Nos próximos dias, outros componentes serão acionados e os controladores farão as primeiras correções na trajetória.
O telescópio iniciou agora uma viagem de aproximadamente três meses e 1,6 milhão de quilômetros até uma órbita ao redor do segundo ponto de Lagrange entre o Sol e a Terra, conhecido como L2. É a mesma região do espaço onde opera o Telescópio Espacial James Webb.
Durante o trajeto, o Roman passará por uma série de ativações, ajustes, calibrações e testes para preparar seus sistemas e instrumentos para as observações. A Nasa espera divulgar as primeiras imagens científicas no início de 2027, quando terminar essa etapa de preparação.
Visão panorâmica do Universo
O grande diferencial do Roman está na combinação entre resolução e amplitude. Seu espelho principal tem 2,4 metros de diâmetro, o mesmo tamanho do espelho do Hubble. A diferença está principalmente no campo de visão e na velocidade com que o novo telescópio poderá fotografar o espaço.
Seu principal instrumento, o Wide Field Instrument (Instrumento de Campo Amplo), tem uma câmera de 300 megapixels e conseguirá observar uma área do céu pelo menos 100 vezes maior que a registrada pelo Hubble com resolução semelhante.
O observatório tem cerca de 13 metros de altura e, quando abastecido, pesa aproximadamente 10,5 toneladas.
Essa capacidade permitirá ao Roman localizar planetas, galáxias, supernovas e outros fenômenos raros em grandes regiões do céu. Alguns desses objetos poderão depois ser observados em maior profundidade por telescópios como o James Webb.
O telescópio também leva ao espaço os nomes de mais de 1,3 milhão de pessoas, gravados em um cartão de memória instalado em uma placa na espaçonave. A iniciativa fez parte de uma campanha da Nasa aberta ao público antes do lançamento.
Roman e James Webb terão funções diferentes
Apesar das comparações, o Roman não foi projetado para substituir o James Webb. Os dois telescópios têm características complementares.
Enquanto o Webb é especialmente poderoso para estudar regiões relativamente pequenas e objetos extremamente distantes em grande detalhe, o Roman foi construído para observar grandes extensões do céu rapidamente. Dessa forma, poderá encontrar galáxias, estrelas, supernovas, buracos negros e exoplanetas que depois poderão se tornar alvos de estudos mais aprofundados.
Uma das principais missões científicas será investigar energia escura e matéria escura, dois componentes ainda pouco compreendidos que, juntos, representam a maior parte do conteúdo do Universo. O Roman também ajudará os cientistas a estudar como o Universo se expandiu e como grandes estruturas, como aglomerados de galáxias, se formaram ao longo do tempo.
Caçador de planetas
O Roman também fará um grande levantamento de sistemas planetários da Via Láctea. Para isso, utilizará, entre outras técnicas, a chamada microlente gravitacional: quando uma estrela passa diante de outra vista da Terra, sua gravidade funciona como uma lente e amplia temporariamente a luz do objeto que está atrás. A presença de um planeta pode produzir uma alteração adicional nesse brilho.
A missão também leva um instrumento chamado coronógrafo, desenvolvido para bloquear a intensa luz das estrelas e permitir a observação de objetos muito menos brilhantes ao redor delas. O equipamento funcionará principalmente como uma demonstração de tecnologias que poderão ser utilizadas em futuros telescópios capazes de estudar diretamente planetas semelhantes à Terra.
Quem foi Nancy Grace Roman
O telescópio recebeu o nome da astrônoma Nancy Grace Roman (1925–2018), primeira chefe de astronomia da Nasa. Ela teve papel fundamental na defesa da construção de grandes observatórios espaciais e ficou conhecida como a “mãe do Hubble” por sua atuação na criação das bases do projeto décadas antes do lançamento do telescópio.
A missão principal do Roman está prevista para durar cinco anos, com objetivo de operação por até dez. Os dados científicos obtidos pelo observatório serão disponibilizados publicamente após o processamento, permitindo que pesquisadores de diferentes países os utilizem em seus próprios estudos.