Estimativas apontam que sua decomposição pode levar até 100 anos em determinadas condições
(Imagem: JOÉDSON ALVES/AGÊNCIA BRASIL)
Álbum em uma mão, maço de figurinhas na outra. Em tempos de Copa do Mundo, essa imagem volta a se repetir pelo país e em Alphaville isso não é diferente: colecionadores espalhados em bancas e encontros de trocas em busca de completar o tradicional álbum da Panini. Mas essa febre também traz um problema pouco visível: o descarte do liner, o papel siliconado que protege a parte adesiva das figurinhas antes da colagem.
O material possui uma camada de silicone que dificulta significativamente sua reciclagem. Em razão dessa composição, o resíduo pode permanecer no meio ambiente por décadas quando descartado de forma inadequada. Estimativas do setor apontam que sua decomposição pode levar até 100 anos em determinadas condições.
Diante desse cenário, a Prefeitura de Barueri informou que os parques municipais da cidade já contam com pontos de coleta para o descarte correto do material.
A orientação é que os liners sejam separados e levados até esses locais, em uma iniciativa que também busca envolver famílias e frequentadores dos espaços públicos. A proposta é simples reunir o material acumulado e destiná-lo corretamente.
Como funciona a reciclagem
À reportagem, Ailton Alves, diretor-executivo da Polpel, única empresa no Brasil que faz este tipo de reciclagem, explicou que, após o material chegar na companhia, ele passa por uma análise e separação para que fique somente o liner.
“Após essa separação, o material segue para o processo produtivo para transformação em celulose. A celulose será enviada para a MD Papéis que a utilizará na produção de papéis para embalagem. A embalagem por sua vez, após o seu uso, se descartado corretamente, volta para o processo de reciclagem, ou seja, ao invés de ir para aterro, o liner pode ter várias vidas, várias utilizações”.
Segundo Alves, a Polpel tem tecnologia única capaz de reciclar esse material. “Um dos grandes desafios é a falta de informação e nesse sentido a campanha do liner das figurinhas tem ajudado extraordinariamente”, apontou.
A iniciativa de coleta do liner das figurinhas não funciona por meio de uma operação centralizada da Polpel em pontos fixos ou estruturados. De acordo com Ailton, trata-se de uma ação colaborativa, baseada no engajamento de voluntários e parceiros locais, em que qualquer residencial, escola ou empresa pode aderir à iniciativa de forma independente, bastando instalar um coletor, divulgar o ponto de arrecadação e encaminhar o material recolhido.
“A nossa empresa não faz coleta e nem participa da logística ou de pontos de coletas. Essa é uma ação colaborativa. São os voluntários que têm proporcionado o sucesso dela. As pessoas estão montando e divulgando seus pontos de coletas para depois enviar à Polpel”.