Segundo nutricionista, no inverno cresce o desejo por alimentos ricos em carboidratos
(Imagem: Busra Yurt / Pexels)
Com a queda das temperaturas, cresce também a vontade de consumir alimentos como massas, pães, chocolates e outras opções mais calóricas. Embora muita gente atribua esse comportamento apenas ao frio, especialistas afirmam que a explicação envolve uma combinação de fatores hormonais, metabólicos e até emocionais.
Segundo a nutricionista Larissa Martins, da equipe científica da WebDiet, a menor exposição à luz solar durante o inverno interfere na produção de neurotransmissores relacionados ao humor e ao bem-estar, favorecendo o desejo por alimentos ricos em carboidratos.
"O inverno costuma aumentar a procura pelas chamadas comfort foods, alimentos quentes e ricos em gorduras e carboidratos, que proporcionam sensação de prazer e acolhimento. Além disso, algumas alterações hormonais, como mudanças na leptina, podem favorecer o aumento do apetite em determinadas situações", explica.
O papel da serotonina
Os dias mais curtos e a redução da luminosidade podem afetar a atividade da serotonina, neurotransmissor ligado à sensação de bem-estar, ao humor e ao sono. Em algumas pessoas, esse cenário favorece sintomas como desânimo, fadiga e maior desejo por alimentos energéticos.
Isso acontece porque o consumo de carboidratos estimula a liberação de insulina, processo que aumenta a disponibilidade do aminoácido triptofano para o cérebro. O triptofano é a matéria-prima utilizada na produção de serotonina, o que ajuda a explicar a sensação de conforto proporcionada por alimentos como massas, pães e doces.
Apesar desse efeito, os especialistas alertam que recorrer com frequência a esse mecanismo pode favorecer excessos alimentares e ganho de peso ao longo da estação.
O frio faz o corpo gastar muito mais energia?
A crença de que o organismo queima muito mais calorias no inverno também não corresponde totalmente à realidade.
Embora a exposição ao frio realmente aumente o gasto energético, esse efeito costuma ser discreto na rotina da maioria das pessoas. Isso porque grande parte do tempo é passada em ambientes fechados, com roupas adequadas ou climatização, reduzindo o esforço do organismo para manter a temperatura corporal.
Para Larissa Martins, esse é um dos principais equívocos da estação.
"Criou-se a ideia de que o inverno faz o organismo gastar muito mais calorias. Na prática, como passamos boa parte do tempo agasalhados e em ambientes climatizados, esse aumento costuma ser pequeno. Quando a pessoa acredita que está queimando mais energia, acaba se permitindo comer mais e, muitas vezes, reduz a prática de atividade física por causa do frio. Esse conjunto de fatores favorece o superávit calórico e, consequentemente, o ganho de peso", afirma.
Fome física ou emocional?
Outro ponto importante, segundo a nutricionista, é saber diferenciar a fome fisiológica da fome emocional.
A fome fisiológica surge gradualmente e indica que o organismo precisa de energia e nutrientes. Nesses casos, uma refeição equilibrada costuma ser suficiente para promover saciedade.
Já a fome emocional aparece de forma repentina e normalmente vem acompanhada da vontade de consumir alimentos específicos, principalmente aqueles ricos em açúcar e gordura, mesmo quando o corpo não apresenta sinais reais de fome.
"No inverno, é comum buscarmos conforto por meio da alimentação. Esse comportamento faz parte dos mecanismos de recompensa do cérebro e pode envolver neurotransmissores como serotonina e dopamina. Reconhecer essa diferença ajuda a evitar que a alimentação aconteça no piloto automático", destaca a especialista.
Como controlar o apetite no inverno
Para evitar exageros sem abrir mão do prazer de comer, a orientação é manter uma rotina alimentar equilibrada, priorizando refeições com proteínas e fibras, que aumentam a saciedade. Também é importante aproveitar os períodos de luz natural, manter a hidratação e não abandonar a prática de atividades físicas, mesmo durante os dias mais frios.
Segundo a especialista, pequenas mudanças de hábito são suficientes para reduzir o consumo impulsivo de alimentos calóricos e manter uma alimentação saudável ao longo da estação.