Streaming domina Smart TVs no Brasil (Imagem: Glenn Carstens-Peters/ Unsplash)
Streaming já domina 73% do tempo de tela nas Smart TVs do país
O streaming ultrapassou a televisão linear no consumo das Smart TVs brasileiras. Segundo o relatório Mapa do Consumo, divulgado pela Samsung Ads Brasil com dados de julho, 73% do tempo de tela nos aparelhos da marca no país foi dedicado a plataformas de streaming, enquanto a TV aberta e por assinatura somaram os 27% restantes.
O levantamento acompanhou uma base ativa de mais de 26 milhões de telas conectadas. Juntas, elas somaram mais de 2,1 bilhões de horas de consumo no mês, um volume que a Samsung projeta alcançar um público potencial de mais de 83 milhões de telespectadores.
Um dos fatores que sustentam essa migração é a personalização da experiência. As plataformas de streaming organizam seus catálogos a partir do comportamento de cada usuário, sugerindo conteúdos com base no histórico de consumo e reduzindo o tempo de busca até a decisão do que assistir.
A mesma lógica de transmissão em tempo real aparece em outra frente do entretenimento digital regulado no país: os jogos de cassino ao vivo, em que dealers e apresentadores conduzem as mesas ao vivo para os jogadores, em vez de rodadas geradas por computador.
Nesse formato, a roleta foi a categoria mais popular em julho entre as mesas de jogos de cassino na KTO ao vivo, à frente de game shows e jogos de cartas. A preferência acompanha o mesmo padrão do streaming, em que a transmissão em tempo real pesa na escolha do que consumir.
Mais telas, menos TV tradicional
Em julho, 89% dos dispositivos monitorados acessaram ao menos uma plataforma de streaming. Uma parcela de 34% da base foi classificada como "Streaming Only", ou seja, consumidores que deixaram de assistir à programação linear tradicional.
Entre os chamados heavy streamers, o grupo com maior volume de consumo, a média mensal chegou a 203 horas assistidas. Mais da metade do tempo dedicado ao streaming, 62%, ocorreu em plataformas gratuitas financiadas por publicidade, o modelo conhecido como AVOD.
Esse comportamento também aparece em outro levantamento recente. O relatório "O Panorama do Vídeo Digital na América Latina 2026", elaborado pela empresa de mídia programática MiQ, aponta que cada domicílio brasileiro utiliza em média 8,2 serviços de streaming, sendo 4,6 pagos e 3,6 gratuitos.
De acordo com o mesmo estudo da MiQ, 59% dos latino-americanos afirmam preferir serviços financiados por publicidade quando isso permite assistir a conteúdos gratuitamente ou a um custo menor. A previsão é que os investimentos em TV conectada no Brasil cresçam 23,7% neste ano, impulsionados por esse avanço no consumo.
TV conectada ganha protagonismo
O crescimento da TV conectada também altera a forma como o público descobre novos conteúdos. Segundo o relatório da MiQ, essa jornada de descoberta hoje costuma começar nas redes sociais e no YouTube, passa por dispositivos móveis e frequentemente termina na tela da Smart TV.
O movimento consolida um cenário em que o brasileiro combina diferentes assinaturas e formatos gratuitos para montar sua própria grade de conteúdo, substituindo a lógica de horários fixos que caracterizava a televisão tradicional.